
FIFA suspende castigo a Balogun e gera crise de credibilidade no Mundial
A decisão inédita de permitir que o avançado dos EUA jogue os oitavos-de-final, após expulsão, desencadeia acusações de interferência política e revolta na Bélgica.
A 31 horas do duelo com a Bélgica, o avançado norte-americano Folarin Balogun recebeu uma autorização surpreendente para entrar em campo. A Comissão Disciplinar da FIFA suspendeu a execução da suspensão automática de um jogo que lhe fora aplicada após a expulsão direta na vitória sobre a Bósnia-Herzegovina, nos 16 avos-de-final. O organismo invocou o artigo 27.º do seu Código Disciplinar, que permite congelar uma sanção por um período probatório de um ano. Balogun, melhor marcador da equipa da casa com três golos, fica assim disponível para o confronto de Seattle, mas a decisão mergulhou o torneio numa controvérsia que extravasa o relvado.
A jogada que originou o castigo ocorreu aos 64 minutos, quando o dianteiro pisou o tornozelo do defesa bósnio Tarik Muharemovic. O árbitro brasileiro Raphael Claus, chamado ao monitor pelo VAR, exibiu o vermelho direto por jogo brusco grave. O treinador Mauricio Pochettino classificou o lance como acidental, e o próprio Balogun considerou que um amarelo teria sido mais justo. Contudo, o regulamento da prova não prevê recurso das decisões disciplinares, e a suspensão automática parecia selada — até que a FIFA, sem apresentar justificação detalhada, transformou a pena numa espécie de «suspensão suspensa».
A dimensão política do caso eclodiu quando o presidente Donald Trump agradeceu publicamente à FIFA por «corrigir uma grande injustiça». A imprensa norte-americana, citando fontes anónimas, noticiou que Trump telefonara pessoalmente ao presidente Gianni Infantino para pedir a revisão do cartão vermelho. A Casa Branca não desmentiu, e a FIFA insistiu na independência do seu painel disciplinar. Do lado europeu, a reação foi de estupefação. A Real Federação Belga de Futebol (RBFA) emitiu um comunicado em que se declarou «atónita», sublinhando que o artigo 66.4 do mesmo código impõe a suspensão automática e que a decisão contradiz diretamente o regulamento da competição. O selecionador belga, Rudi Garcia, ironizou: «Não sabia que 5 de julho era 1 de abril na FIFA.»
Na perspetiva de observadores em Lisboa e no Rio de Janeiro, o episódio reaviva o debate sobre a permeabilidade da FIFA a pressões políticas, recordando o precedente de Cristiano Ronaldo, que também beneficiou do artigo 27.º para disputar o início do Mundial após uma expulsão nas eliminatórias. A Bélgica, que já anunciou estar a «investigar todas as opções possíveis», vê a sua preparação para o jogo abalada por uma polémica que, para muitos analistas, mancha a integridade do torneio.
Desportivamente, os Estados Unidos recuperam a sua principal referência ofensiva para tentar alcançar os quartos-de-final pela primeira vez desde 2002. A Bélgica, que eliminou os norte-americanos no Brasil-2014 e os goleou por 5-2 num particular em março, terá agora de enfrentar um adversário reforçado. O vencedor deste duelo em Seattle medirá forças com Portugal ou Espanha na próxima eliminatória.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A suspensão do cartão vermelho do atacante americano foi controversamente anulada após a intervenção pessoal do presidente Trump junto à FIFA. Enquanto alguns meios de comunicação celebram a decisão como correção de uma injustiça, outros levantam sérias questões sobre a integridade esportiva e a interferência política na Copa do Mundo. O espanto da federação belga sublinha a natureza sem precedentes da medida.
A decisão de suspender a suspensão de Balogun é vista como um exemplo flagrante de interferência política no esporte, com o presidente Trump pressionando diretamente a FIFA. A mídia europeia expressa indignação com o enfraquecimento das regras esportivas e o precedente criado para futuros torneios. O choque da federação belga é amplamente relatado como justificado, e a medida é enquadrada como um escândalo que mancha a credibilidade da Copa do Mundo.
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