
Feiticeiro ganês promete ‘neutralizar’ Harry Kane antes de duelo com Inglaterra no Mundial
Nana Kwaku Bonsam, que já reivindicou ter afetado Cristiano Ronaldo em 2014, diz estar a preparar ritual para travar o capitão inglês; Gana e Inglaterra defrontam-se esta terça-feira no Grupo L.
A menos de 24 horas do confronto entre Gana e Inglaterra no Grupo L do Mundial de 2026, o feiticeiro ganês Nana Kwaku Bonsam — cujo nome se traduz como “Demónio de Quarta-feira” — anunciou publicamente que está a executar rituais para neutralizar o avançado Harry Kane. “Estou a trabalhar sobre ele. Não lhe desejo uma lesão grave, apenas o suficiente para o impedir de jogar bem contra o meu país”, declarou ao tabloide britânico Daily Star. A promessa mística ganha relevo porque Kane chega ao duelo em grande forma: bisou na vitória inglesa por 4-2 sobre a Croácia, enquanto o Gana bateu o Panamá por 1-0 na primeira jornada.
O embate carrega camadas que vão além do relvado. Nos arquivos coloniais, a antiga Costa do Ouro registou um triunfo de 2-1 sobre a seleção de Sua Majestade, e o Gana contemporâneo guarda a memória de um particular em Wembley, em 2011, que mobilizou o país. Agora, a febre do Mundial suspendeu tréguas partidárias e até o crónico “dumsor” — os apagões elétricos — se tornou argumento preventivo: caso os Black Stars tropecem, já há quem aponte a falta de luz em Bantama como culpada. O historiador e colunista Kwesi Yankah recorda que, em 2006, Trinidad e Tobago celebrou com um feriado nacional a derrota por 2-0 frente à Inglaterra, a potência colonial que inventou o futebol. Para o Gana, porém, a expectativa é de afirmação, não de festa na derrota.
Bonsam não é estreante neste tipo de declarações. Durante o Mundial de 2014, no Brasil, atribuiu a si próprio a tendinite rotuliana que afetou Cristiano Ronaldo, sentenciando que “nenhum médico pode curar esta lesão, porque é espiritual”. O português recuperou a tempo de defrontar o Gana na terceira jornada do grupo e marcou o golo da vitória por 2-1, embora ambas as seleções tenham sido eliminadas. O episódio serve hoje de advertência: na imprensa europeia, observadores em Roma e Londres notam que o feitiço anterior não impediu o capitão luso de decidir o jogo.
Nas redes sociais africanas, a promessa gerou reações divididas. Vários utilizadores questionaram por que razão o sacerdote não “trabalha” para que o Gana conquiste o troféu, enquanto outros recordaram o fracasso do feitiço de 2014 e ironizaram que Kane poderá assinar um hat-trick. A própria imprensa ganesa, em tom mais literário, descreve um país unido pela camisola negra, onde até os pastores trocam a batina pela jersey e rezam para que Deus seja “uma lâmpada aos pés dos nossos rapazes”.
Com três pontos cada, Gana e Inglaterra medem forças esta terça-feira no Gillette Stadium, em Foxborough, Massachusetts. Quem vencer ficará muito perto da qualificação para os oitavos de final, enquanto um empate manterá o grupo em aberto antes do último jogo frente a Croácia e Panamá. O desfecho, dentro ou fora do campo, ditará se o misticismo de Bonsam entrará para o anedotário ou para a mitologia do futebol africano.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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No Gana, o iminente confronto do Mundial contra a Inglaterra desencadeou um frenesim futebolístico nacional que chega às igrejas e aos santuários tradicionais. Um conhecido sacerdote tradicional anunciou que está a visar espiritualmente Harry Kane, prometendo fazer apenas o suficiente para parar o capitão inglês sem causar lesões graves. A alegação insere-se na tapeçaria mais ampla da paixão futebolística ganesa, acolhida com uma mistura de orgulho local e divertida ligeireza.
Um famoso bruxo ganês declarou estar a usar magia negra para neutralizar Harry Kane antes do confronto do Mundial, preparando uma poção para parar o avançado inglês. A história é apresentada como uma intrusão alarmante do vudu no torneio, com o sacerdote retratado como uma figura misteriosa e ameaçadora a operar fora do campo.
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