
Falha no sistema de rádio paralisa todos os comboios na Alemanha durante a noite
Uma avaria no sistema digital GSM-R interrompeu o tráfego ferroviário em todo o país por cerca de duas horas, deixando milhares de passageiros retidos e reacendendo o debate sobre a resiliência da infraestrutura crítica.
Pouco depois das 22h20 de terça-feira, o tráfego ferroviário na Alemanha foi totalmente suspenso. A Deutsche Bahn (DB) ordenou a paragem imediata de todos os comboios — de longo curso, regionais, suburbanos e de mercadorias — após uma falha generalizada no sistema de comunicação digital GSM-R, que liga maquinistas e centros de controlo. A interrupção, que durou cerca de duas horas, afetou estações em todo o país, de Berlim a Estugarda, e deixou milhares de passageiros retidos nas composições ou nas plataformas.
Segundo a DB e a sua subsidiária DB InfraGo, a causa foi a substituição programada de um componente técnico no sistema de rádio, que resultou numa perturbação de alcance nacional. A empresa descartou, desde as primeiras horas, indícios de sabotagem ou ciberataque, hipótese corroborada por fontes dos serviços de segurança citadas pela imprensa alemã. A circulação começou a ser retomada por volta da meia-noite e, ao início da manhã de quarta-feira, decorria “praticamente sem atritos”, embora com atrasos residuais e supressões pontuais.
A dimensão da paralisação gerou uma vaga de críticas de responsáveis políticos e associações de utentes. O ministro dos Transportes da Renânia do Norte-Vestefália, Oliver Krischer, classificou o episódio como “um novo ponto baixo numa qualidade operacional já débil”. O seu homólogo da Baviera, Christian Bernreiter, considerou que “assim não se pode continuar” e exigiu um plano de emergência robusto. A associação Pro Bahn pediu mais redundância no sistema de comunicações e a distribuição de telemóveis de serviço aos maquinistas. Todos os governos regionais citados sublinharam a necessidade de uma investigação exaustiva e independente.
A falha expôs a vulnerabilidade de uma infraestrutura ferroviária que, segundo analistas, sofreu décadas de subinvestimento. O GSM-R, baseado na norma móvel 2G dos anos 1990, é um ponto único de falha cuja substituição pelo futuro sistema FRMCS (assente em 5G) está prevista apenas para 2035. Observadores na imprensa germanófona notam que o episódio transcende o setor dos transportes: revela a fragilidade de funções críticas do Estado perante uma simples atualização de software mal sucedida.
Na manhã seguinte, a DB assegurou que o serviço estava normalizado, mas admitiu a possibilidade de perturbações residuais. A empresa distribuiu vales de táxi e hotel aos passageiros retidos, embora tenham sido relatadas falhas de informação em estações como Berlim e Francoforte. A presidente da DB, Evelyn Palla, confirmou que a situação foi estabilizada com recurso a um sistema de emergência, enquanto a análise técnica da avaria prossegue com “máxima prioridade”.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Uma falha no sistema de rádio digital paralisou toda a rede ferroviária alemã por horas, deixando milhares de passageiros retidos. A explicação oficial chegou tarde, expondo um sistema frágil baseado em tecnologia 2G obsoleta. As críticas choveram sobre a falta de um plano de contingência, com políticos a classificarem a situação como inaceitável e a exigirem uma modernização urgente.
Os comboios alemães voltaram a circular após uma falha de comunicação que paralisou a rede, mas permanecem questões sobre o caos e a preparação da operadora. O incidente realça vulnerabilidades nas infraestruturas críticas, embora os serviços tenham sido largamente normalizados. As críticas são moderadas e centram-se na necessidade de respostas.
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