Entrar
Edição das 10:00 CETterça-feira, 30 de junho de 2026
311 veículos · 17 idiomas738 briefing hoje
Tecnologiaterça-feira, 30 de junho de 2026

IA é mais usada como apoio emocional do que para produtividade, enquanto empresas recuam

Análise da Harvard Business Review revela que a principal utilização da inteligência artificial generativa já é a terapia e o suporte emocional, superando o uso profissional, num momento em que grandes grupos revêem as suas estratégias de automação.

O uso da inteligência artificial generativa para obter apoio emocional e psicológico duplicou em pouco tempo e tornou-se a principal aplicação da tecnologia, à frente da produtividade e do trabalho, segundo uma análise publicada pela Harvard Business Review em junho. A categoria “terapia e suporte emocional” passou de 5% para 11% do total de interações, um dado que altera a narrativa dominante de que a IA seria, acima de tudo, uma ferramenta de eficiência empresarial. Em paralelo, o entretenimento e as conversas sem objetivo prático surgem como o terceiro uso mais frequente, sinalizando que os utilizadores procuram nos chatbots uma companhia disponível 24 horas, sem julgamentos e com respostas articuladas.

Esta migração para o conforto digital é explicada, em parte, pelo declínio das redes de apoio tradicionais. Dados do Brookings Institution mostram que o número de adultos nos Estados Unidos com dez ou mais amigos próximos continua a diminuir, enquanto plataformas como o Character.ai registam utilizações médias superiores a uma hora e meia por dia. Observadores na Europa e na Indonésia notam que a tendência é global: em Itália, a revista L’Espresso descreve o fenómeno como “o divã do chatbot”, e na Indonésia, o jornal Republika relata que muitos jovens preferem desabafar com o ChatGPT a falar com familiares. Contudo, especialistas alertam para o risco de “thinkslop”, a papa mental que surge quando se delega à máquina não só a resposta, mas o próprio ato de pensar, enfraquecendo a capacidade de lidar com a complexidade das relações humanas.

No mercado de trabalho, o impacto da IA revela-se mais ambíguo do que o previsto. Apesar das projeções do Fórum Económico Mundial de que 39% das competências essenciais mudarão até 2030, os dados agregados de emprego e salários nos Estados Unidos ainda não mostram um efeito significativo da automação, como nota a Forbes. Ainda assim, recém-licenciados em tecnologia por universidades de prestígio enfrentam dificuldades inéditas: a taxa de desemprego entre diplomados de 22 a 27 anos subiu de 4% em 2022 para 5,6% em março de 2026, segundo o banco central de Nova Iorque. Ao mesmo tempo, empresas como a Ford, a Klarna e a McDonald’s recuaram em projetos de IA após resultados insatisfatórios. A Ford voltou a contratar 350 engenheiros seniores depois de verificar que os sistemas de inteligência artificial não atingiam a qualidade esperada no design de veículos, enquanto a Klarna reduziu os cortes de pessoal no atendimento ao cliente por falta de empatia dos chatbots.

A transformação atinge também profissões que exigem adaptação urgente. Na Indonésia, uma análise do Viva.co.id identifica designers gráficos, programadores, operadores de atendimento e analistas de dados como áreas em que a IA não elimina o emprego, mas obriga a uma reinvenção das funções, com maior ênfase na estratégia criativa, na supervisão técnica e na resolução de problemas complexos. Bill Gates, em várias intervenções, apontou que programadores, biólogos, especialistas em energia e atletas profissionais estarão entre os mais difíceis de substituir, não apenas pela competência técnica, mas porque envolvem julgamento humano, emoção e uma ligação social que a máquina não replica. No ensino superior, instituições como a Northeastern University, nos EUA, apostam em currículos que alternam períodos de estudo com trabalho remunerado em contexto real, preparando os alunos para colaborar com a IA em vez de competir com ela.

O próximo marco a observar será a evolução dos indicadores de produtividade e a capacidade das empresas de medir os ganhos de qualidade que a IA pode trazer, muitas vezes invisíveis nas estatísticas oficiais. Enquanto isso, a engenharia de ciclos contínuos (loop engineering) começa a ser aplicada a chatbots de saúde mental, com o objetivo de transformar interações pontuais em relações de aconselhamento prolongado, um desenvolvimento que exigirá atenção redobrada aos riscos de dependência e à ausência de responsabilidade clínica. A recomendação que atravessa todas as geografias é a mesma: tratar a IA como instrumento de apoio, não como substituto do pensamento crítico e dos vínculos humanos.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 4 idiomas

44%
TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa atlântica / anglosferaImprensa europeia continental
Imprensa atlântica / anglosfera/ Econômica
PragmatismoCeticismo

A Califórnia está a acelerar a integração da IA nas agências estatais através de uma parceria com desconto com a Anthropic, visando ganhos de eficiência. No entanto, a medida surge num contexto de restrições federais aos modelos de ponta e de crescente ansiedade económica entre os trabalhadores do setor tecnológico, que se sentem deixados para trás pelo boom da IA.

Imprensa europeia continental/ DACH+
AlarmeSchadenfreude

Os Estados Unidos estão a sabotar a sua própria liderança tecnológica ao forçar empresas como a Anthropic e a OpenAI a reter os seus modelos mais avançados, enquanto a China distribui livremente alternativas poderosas. Esta política autodestrutiva ameaça arruinar a reputação da América como nação tecnológica e oferece uma vitória estratégica a Pequim.

Amplie o olhar

Ler mais
Últimas notícias
Museus e arquivos revelam novas camadas da história, de fósseis antárticos a coleções coloniais·Paraguai elimina Alemanha nos pênaltis e faz história no Mundial 2026·Bre-B supera mil milhões de transações e acelera transformação dos pagos na Colômbia·Rússia admite escassez de combustível e negocia importações após ataques a refinarias·EUA chegam aos 250 anos sob disputa de memória e ofensiva simbólica de Trump·SAS encomenda até 40 aviões Airbus e ancora expansão em Copenhaga, com impacto assimétrico na Suécia·Alemanha cai nos pênaltis diante do Paraguai e repete fracasso precoce na Copa·Angelina Jolie e Cara Delevingne reabrem capítulos amorosos do passado·Museus e arquivos revelam novas camadas da história, de fósseis antárticos a coleções coloniais·Paraguai elimina Alemanha nos pênaltis e faz história no Mundial 2026·Bre-B supera mil milhões de transações e acelera transformação dos pagos na Colômbia·Rússia admite escassez de combustível e negocia importações após ataques a refinarias·EUA chegam aos 250 anos sob disputa de memória e ofensiva simbólica de Trump·SAS encomenda até 40 aviões Airbus e ancora expansão em Copenhaga, com impacto assimétrico na Suécia·Alemanha cai nos pênaltis diante do Paraguai e repete fracasso precoce na Copa·Angelina Jolie e Cara Delevingne reabrem capítulos amorosos do passado·
Atualizado 12:104 idiomas · 6 veículos
6 veículos|4 idiomas|4 min de leitura
terça-feira, 30 de junho de 2026

IA é mais usada como apoio emocional do que para produtividade, enquanto empresas recuam

Análise da Harvard Business Review revela que a principal utilização da inteligência artificial generativa já é a terapia e o suporte emocional, superando o uso profissional, num momento em que grandes grupos revêem as suas estratégias de automação.

O uso da inteligência artificial generativa para obter apoio emocional e psicológico duplicou em pouco tempo e tornou-se a principal aplicação da tecnologia, à frente da produtividade e do trabalho, segundo uma análise publicada pela Harvard Business Review em junho. A categoria “terapia e suporte emocional” passou de 5% para 11% do total de interações, um dado que altera a narrativa dominante de que a IA seria, acima de tudo, uma ferramenta de eficiência empresarial. Em paralelo, o entretenimento e as conversas sem objetivo prático surgem como o terceiro uso mais frequente, sinalizando que os utilizadores procuram nos chatbots uma companhia disponível 24 horas, sem julgamentos e com respostas articuladas.

Esta migração para o conforto digital é explicada, em parte, pelo declínio das redes de apoio tradicionais. Dados do Brookings Institution mostram que o número de adultos nos Estados Unidos com dez ou mais amigos próximos continua a diminuir, enquanto plataformas como o Character.ai registam utilizações médias superiores a uma hora e meia por dia. Observadores na Europa e na Indonésia notam que a tendência é global: em Itália, a revista L’Espresso descreve o fenómeno como “o divã do chatbot”, e na Indonésia, o jornal Republika relata que muitos jovens preferem desabafar com o ChatGPT a falar com familiares. Contudo, especialistas alertam para o risco de “thinkslop”, a papa mental que surge quando se delega à máquina não só a resposta, mas o próprio ato de pensar, enfraquecendo a capacidade de lidar com a complexidade das relações humanas.

No mercado de trabalho, o impacto da IA revela-se mais ambíguo do que o previsto. Apesar das projeções do Fórum Económico Mundial de que 39% das competências essenciais mudarão até 2030, os dados agregados de emprego e salários nos Estados Unidos ainda não mostram um efeito significativo da automação, como nota a Forbes. Ainda assim, recém-licenciados em tecnologia por universidades de prestígio enfrentam dificuldades inéditas: a taxa de desemprego entre diplomados de 22 a 27 anos subiu de 4% em 2022 para 5,6% em março de 2026, segundo o banco central de Nova Iorque. Ao mesmo tempo, empresas como a Ford, a Klarna e a McDonald’s recuaram em projetos de IA após resultados insatisfatórios. A Ford voltou a contratar 350 engenheiros seniores depois de verificar que os sistemas de inteligência artificial não atingiam a qualidade esperada no design de veículos, enquanto a Klarna reduziu os cortes de pessoal no atendimento ao cliente por falta de empatia dos chatbots.

A transformação atinge também profissões que exigem adaptação urgente. Na Indonésia, uma análise do Viva.co.id identifica designers gráficos, programadores, operadores de atendimento e analistas de dados como áreas em que a IA não elimina o emprego, mas obriga a uma reinvenção das funções, com maior ênfase na estratégia criativa, na supervisão técnica e na resolução de problemas complexos. Bill Gates, em várias intervenções, apontou que programadores, biólogos, especialistas em energia e atletas profissionais estarão entre os mais difíceis de substituir, não apenas pela competência técnica, mas porque envolvem julgamento humano, emoção e uma ligação social que a máquina não replica. No ensino superior, instituições como a Northeastern University, nos EUA, apostam em currículos que alternam períodos de estudo com trabalho remunerado em contexto real, preparando os alunos para colaborar com a IA em vez de competir com ela.

O próximo marco a observar será a evolução dos indicadores de produtividade e a capacidade das empresas de medir os ganhos de qualidade que a IA pode trazer, muitas vezes invisíveis nas estatísticas oficiais. Enquanto isso, a engenharia de ciclos contínuos (loop engineering) começa a ser aplicada a chatbots de saúde mental, com o objetivo de transformar interações pontuais em relações de aconselhamento prolongado, um desenvolvimento que exigirá atenção redobrada aos riscos de dependência e à ausência de responsabilidade clínica. A recomendação que atravessa todas as geografias é a mesma: tratar a IA como instrumento de apoio, não como substituto do pensamento crítico e dos vínculos humanos.

Divergência das fontes

Tecnologia · 6 veículos · 4 idiomas

44%Média

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

Neutro33%
Crítico67%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 4 idiomas

TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa atlântica / anglosferaImprensa europeia continental
Imprensa atlântica / anglosfera/ Econômica
PragmatismoCeticismo

A Califórnia está a acelerar a integração da IA nas agências estatais através de uma parceria com desconto com a Anthropic, visando ganhos de eficiência. No entanto, a medida surge num contexto de restrições federais aos modelos de ponta e de crescente ansiedade económica entre os trabalhadores do setor tecnológico, que se sentem deixados para trás pelo boom da IA.

Imprensa europeia continental/ DACH+
AlarmeSchadenfreude

Os Estados Unidos estão a sabotar a sua própria liderança tecnológica ao forçar empresas como a Anthropic e a OpenAI a reter os seus modelos mais avançados, enquanto a China distribui livremente alternativas poderosas. Esta política autodestrutiva ameaça arruinar a reputação da América como nação tecnológica e oferece uma vitória estratégica a Pequim.

Esta notícia apareceu em

6 veículos · 4 idiomas

Amplie o olhar

De Geopolitics & Politics

Keiko Fujimori vence presidenciais no Peru com margem de 49.641 votos

9 idiomas · 29 veículos

De Economy & Markets

Rússia admite escassez de combustível e negocia importações após ataques a refinarias

7 idiomas · 18 veículos

De Science & Health

Ebola atinge quarta província congolesa e primeiro caso é confirmado na França

6 idiomas · 8 veículos

Ler mais