
EUA ocultam rascunho de acordo com Irão a Israel por receio de fuga de Netanyahu
Recusa de Washington em partilhar o memorando de entendimento é descrita como "altamente invulgar" e expõe fissuras na aliança estratégica entre os dois países.
A administração Trump recusou-se a partilhar com Israel o texto do memorando de entendimento alcançado com o Irão, segundo fontes israelitas e relatos da imprensa internacional. O motivo, apontam responsáveis citados pela CNN, reside no receio de que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu divulgasse o documento antes da sua apresentação oficial, minando um acordo que já enfrenta críticas internas nos Estados Unidos e no mundo árabe. A Casa Branca negou a versão, afirmando que manteve “coordenação estreita” com os parceiros regionais, mas não desmentiu a existência do pedido israelita nem a recusa.
O memorando, mediado pelo Paquistão e com assinatura prevista para Genebra, prolonga por 60 dias o frágil cessar-fogo alcançado em abril, reabre o estratégico Estreito de Ormuz e suspende sanções para que o Irão retome de imediato as exportações de petróleo. A equipa de segurança nacional norte-americana reuniu-se quase diariamente para discutir os termos, enquanto o vice-presidente James David Vance justificava a não divulgação do texto com a necessidade de “gerir sensibilidades no mundo árabe e muçulmano”.
Em Telavive, a recusa foi recebida com estupefação. A televisão i24News e o jornal Jerusalem Post descreveram o episódio como “invulgar e altamente incomum” entre aliados tão próximos, sobretudo numa matéria de segurança nacional vital para Israel. O silêncio de Netanyahu durante uma conferência de imprensa na segunda-feira, em que mal abordou o acordo, sublinhou o mal-estar. A tensão entre o primeiro-ministro israelita e Donald Trump, já visível desde o cessar-fogo no Líbano, parece agora agravar-se com a perspetiva de um entendimento que Telavive considera excessivamente favorável a Teerão.
Observadores em Brasília e Lisboa acompanham o processo com atenção, conscientes de que a estabilização do Médio Oriente e a retoma das exportações petrolíferas iranianas podem aliviar a pressão sobre os preços da energia, com impacto direto nas economias lusófonas importadoras de crude. Ao mesmo tempo, a exclusão de Israel das discussões finais do acordo levanta dúvidas sobre a coesão da aliança estratégica entre Washington e o seu principal parceiro regional, num momento em que a normalização das relações entre Israel e os países árabes continua frágil.
A assinatura formal do memorando, esperada para os próximos dias em Genebra, poderá representar um ponto de viragem na geopolítica do Médio Oriente, mas também um teste à resiliência da relação entre a Casa Branca e o governo de Netanyahu. Se o texto final consagrar concessões significativas a Teerão sem garantias robustas para a segurança israelita, o episódio da recusa de acesso ao rascunho poderá ser lembrado como o momento em que a confiança entre os dois aliados se rompeu de forma irreversível.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O regime sionista pediu para ver o texto do acordo com o Irã, mas Washington recusou, deixando Tel Aviv no escuro. Isso demonstra a desconfiança americana em relação ao seu aliado e a força da posição iraniana.
Fontes israelenses relatam que os EUA se recusaram a compartilhar o rascunho do acordo com o Irã, temendo que Netanyahu pudesse vazá-lo. Washington afirma ter coordenado de perto com parceiros regionais, mas a medida levanta questões sobre transparência.
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