
EUA mobilizam mais de 900 militares na Venezuela para ajuda humanitária após sismos
Operação de socorro marca viragem nas relações bilaterais, meses após incursão para capturar Nicolás Maduro, e inclui drones de vigilância e coordenação logística com Caracas.
Os Estados Unidos mobilizaram mais de 900 militares para o interior da Venezuela e cerca de 800 para bases de apoio em Porto Rico e Curaçau, no Caribe, no âmbito de uma operação humanitária de grande escala após os dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5 que devastaram o país na semana passada. A informação foi confirmada pelo general Francis Donovan, comandante do Comando Sul dos EUA (Southcom), em declarações à agência Reuters.
Segundo Donovan, as forças norte-americanas — incluindo uma unidade logística do Corpo de Fuzileiros Navais com camiões militares, veículos todo-o-terreno e ambulâncias — participaram em operações de busca e salvamento, ajudaram a reabrir o principal aeroporto e mobilizaram meios aéreos e navais para fazer chegar ajuda humanitária. O Pentágono destacou ainda pelo menos quatro ou cinco drones MQ-9 Reaper, cujas imagens são processadas por uma célula de fusão de informações em Miami, para fornecer às autoridades venezuelanas uma avaliação dos danos e identificar rotas de acesso. O general sublinhou que a missão é estritamente humanitária e que os militares não se preparam para uma presença prolongada no terreno.
A operação representa uma reviravolta nas relações entre Washington e Caracas. A 3 de janeiro, forças especiais norte-americanas realizaram uma incursão para capturar o então presidente Nicolás Maduro e transferi-lo para Nova Iorque, onde enfrentaria acusações de narcotráfico. Agora, o mesmo comando militar coordena diretamente com as autoridades venezuelanas. Donovan recordou que, no último mês, uma ação conjunta culminou na morte do líder do grupo criminoso Tren de Aragua. “Não passou muito tempo desde 3 de janeiro. Pensem apenas na evolução desta relação”, afirmou o general, citado pela Reuters, manifestando a esperança de que a cooperação humanitária possa alicerçar laços militares mais fortes no futuro.
Os sismos, ocorridos com menos de um minuto de intervalo, provocaram quase dois mil mortos, destruíram centenas de edifícios e danificaram hospitais e infraestruturas. Relatos da imprensa local e de equipas de resgate internacionais indicam que a resposta inicial do governo de Caracas foi lenta, deixando a população a escavar os escombros com as próprias mãos nos primeiros dias. A chegada de brigadas estrangeiras, incluindo uma equipa de Fairfax, na Virgínia, que resgatou uma mãe e o seu bebé de nove meses, ajudou a colmatar as falhas. O general Donovan recusou antecipar a duração da missão, remetendo a decisão para o Departamento de Estado, mas garantiu que as forças se retirarão assim que o trabalho de socorro estiver concluído.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O envio de mais de 900 soldados dos EUA para a Venezuela marca uma virada acentuada do recente ataque contra Maduro para uma missão humanitária em grande escala. As forças americanas lideram as buscas e salvamentos, reabrem o aeroporto e usam drones para coordenar a entrega de ajuda. Essa guinada ressalta a capacidade de Washington de projetar poder duro e brando na região.
Mais de 900 soldados dos EUA estão agora em solo venezuelano, ostensivamente para ajuda humanitária após o terremoto, mas o envio ocorre após um recente ataque americano contra Maduro. A enorme pegada militar, incluindo drones e bases no Caribe, levanta suspeitas sobre as verdadeiras intenções de Washington. Os EUA estariam usando o desastre para consolidar sua presença em um país que há muito procuram desestabilizar.
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