
EUA designam Cartel de Juárez e Los Viagras como organizações terroristas
Medida amplia sanções financeiras e ferramentas legais contra grupos mexicanos, elevando para oito o número de cartéis na lista negra de Washington.
O governo dos Estados Unidos oficializou, na quinta-feira, a designação do Cartel de Juárez e do grupo Los Viagras como organizações terroristas estrangeiras, elevando para oito o número de cartéis mexicanos incluídos na lista negra de Washington desde fevereiro. A decisão, anunciada pelo Departamento de Estado, implica o congelamento de bens sob jurisdição norte-americana, a proibição de transações financeiras com entidades e indivíduos ligados a esses grupos e a ampliação dos instrumentos legais à disposição das forças de segurança dos EUA. A medida abrange ainda a classificação paralela como Terroristas Globais Especialmente Designados, o que, segundo o Departamento do Tesouro, visa isolar as organizações do sistema financeiro internacional.
Na perspetiva de Washington, a designação responde ao caráter “narcoterrorista” dos dois grupos, citando em particular o massacre de novembro de 2019 em Sonora, no qual nove cidadãos norte-americanos — três mulheres e seis crianças de uma comunidade mórmon — foram assassinados por sicários de La Línea, a fação dominante do Cartel de Juárez. O embaixador dos EUA no México, Ronald Johnson, afirmou que a medida “reafirma o compromisso” do presidente Donald Trump de desmantelar estas redes e sublinhou que “junto com o México, estamos a desarticular o tráfico de drogas, armas e outras atividades ilícitas”. A administração Trump já designara, em fevereiro de 2025, o Cartel de Sinaloa, o Cartel Jalisco Nova Geração, o Cartel do Golfo, o Cartel do Nordeste, a Nova Família Michoacana e os Cartéis Unidos, no quadro de uma ofensiva mais ampla contra o crime organizado transnacional que também abrangeu grupos da Venezuela, Colômbia e Brasil.
A Cidade do México mantém uma posição de rejeição a qualquer ação unilateral dos EUA em território mexicano, defendendo que a cooperação bilateral em matéria de segurança deve respeitar a soberania nacional. O governo da presidente Claudia Sheinbaum tem reiterado este princípio, mesmo perante as crescentes pressões de Washington, que incluem ameaças de tarifas e a recente acusação formal de dez atuais e antigos funcionários do estado de Sinaloa por alegados vínculos com o Cartel de Sinaloa. Juristas e organizações internacionais, por seu lado, questionam a figura do “narcoterrorismo”, considerando que a fusão entre narcotráfico e terrorismo é juridicamente duvidosa e pode abrir caminho a operações militares extraterritoriais, como as que já resultaram em mais de duas centenas de mortos em ataques a embarcações suspeitas no Caribe e no Pacífico.
O Cartel de Juárez, uma das organizações criminosas mais antigas do México, controla um corredor estratégico na fronteira entre Ciudad Juárez e El Paso, Texas, e obtém receitas não apenas do tráfico de drogas sintéticas, como o fentanilo, mas também da cobrança de taxas a outros grupos pelo uso das suas rotas. Já Los Viagras, com base em Michoacán, emergiu das milícias de autodefesa que se levantaram contra os cartéis na década passada e consolidou o seu poder através da extorsão e da produção de drogas sintéticas. A designação ocorre num momento de tensão diplomática acrescida e, segundo analistas em Washington, confere às agências norte-americanas maior margem de manobra para ações de interdição e pressão financeira. O dossiê permanece em aberto, não estando previstas, para já, novas designações imediatas, embora a administração Trump tenha sinalizado que continuará a recorrer a este instrumento para “proteger a nação” e cortar as fontes de financiamento dos grupos classificados como narcoterroristas.
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
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| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
O embaixador dos EUA, Ronald Johnson, celebra a designação como um passo necessário para desmantelar o narcoterrorismo, afirmando que, juntamente com o México, estão desarticulando as redes criminosas.
Dar voz ao embaixador dos EUA como figura autoritária legitima a ação americana como um esforço cooperativo com o México, enquadrando-a como uma medida de segurança compartilhada.
O bloco omite qualquer reação do governo mexicano, que poderia expressar preocupação com a natureza unilateral da decisão dos EUA.
O governo dos EUA anuncia a designação como um fato consumado, enfatizando a ameaça à segurança nacional representada pelos cartéis na fronteira.
Apresentar a designação como um simples anúncio factual sem análise cria uma impressão de inevitabilidade e rotina administrativa.
O bloco omite qualquer contexto histórico ou detalhes operacionais sobre os cartéis, bem como reações das autoridades mexicanas.
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