
Emirados Árabes Unidos planeiam novo porto para contornar bloqueio do Estreito de Ormuz
Operadora DP World negoceia terminal em Fujairah, no Golfo de Omã, para reduzir dependência do Jebel Ali e assegurar rotas comerciais alternativas face à crise no estreito.
A operadora portuária DP World, sediada no Dubai, planeia construir um novo porto polivalente e um terminal de contentores na costa oriental dos Emirados Árabes Unidos, em Fujairah, com o objetivo de criar uma rota comercial que contorne o Estreito de Ormuz. Segundo fontes citadas pelo Financial Times, a decisão surge depois de a atividade no porto emblemático de Jebel Ali ter caído entre 90% e 95% na sequência do encerramento do estreito pelo Irão, no final de fevereiro de 2026, em retaliação por ataques norte-americanos e israelitas. A nova infraestrutura permitiria descarregar mercadorias no Golfo de Omã e transportá-las por via terrestre até ao Dubai, Abu Dhabi e outros mercados do Golfo, evitando a passagem pelo ponto de estrangulamento.
Responsáveis da DP World, citados pela imprensa internacional, sublinham que o projeto não visa substituir Jebel Ali — que continuará a ser o principal centro logístico da região —, mas sim diversificar as opções de transporte num contexto de disrupção prolongada. “Temos planos em curso para diversificar e ultrapassar esta crise”, afirmou um porta-voz da empresa, que se escusou a confirmar pormenores. A iniciativa insere-se numa estratégia mais ampla dos EAU para reforçar a resiliência económica: o vizinho porto de Khor Fakkan, operado pela Gulftainer, anunciou recentemente um investimento de dois mil milhões de dólares para aumentar a capacidade, e Abu Dhabi já utiliza Fujairah para exportar parte do seu petróleo bruto, reduzindo a dependência do estreito.
O Estreito de Ormuz, por onde transitavam cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo e 30% das exportações de gás natural liquefeito, permanece sob tensão. O encerramento imposto por Teerão, acompanhado do lançamento de cerca de três mil drones e mísseis contra os EAU, segundo registos de segurança, paralisou a navegação comercial e fez disparar os custos dos seguros. Apesar de uma reabertura parcial para navios de países aliados e de uma trégua temporária, as grandes companhias marítimas mantêm uma postura de espera, receando novos incidentes. Observadores em Lisboa e em Brasília notam que a instabilidade no Golfo Pérsico tem impacto direto nos preços globais da energia, com consequências para economias importadoras como a portuguesa e a brasileira.
A construção do porto em Fujairah, cujas negociações sobre o termo de acordo e o financiamento ainda decorrem, poderá estar concluída no prazo de dezoito meses, de acordo com um alto responsável da DP World. A iniciativa é vista por analistas do Médio Oriente como parte de uma tendência regional para criar corredores logísticos alternativos — a Arábia Saudita, por exemplo, já desenvolve oleodutos para o Mar Vermelho — que diminuam a alavanca geopolítica do Irão sobre o tráfego marítimo. Para já, o projeto encontra-se na fase de discussão da estrutura financeira, sem data anunciada para o início das obras, enquanto os EAU procuram acelerar a diversificação de rotas num momento em que a segurança do estreito continua incerta.
| Imprensa iraniana e afins | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa israelense | +0.30 | aligned |
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
O Irã denuncia o projeto como um movimento hostil que contorna sua soberania sobre o Golfo Pérsico.
Ao atribuir a decisão à guerra EUA-Irã, o regime iraniano se apresenta como vítima de agressão externa, legitimando sua posição.
O relato iraniano omite a queda de 90-95% na atividade em Jebel Ali, que teria destacado a vulnerabilidade econômica dos Emirados e a real necessidade do projeto.
Israel apoia a medida dos Emirados como uma legítima autodefesa contra a ameaça iraniana de fechar o Estreito de Ormuz.
Ao apresentar o fechamento iraniano como um fato consumado, cria-se uma urgência que justifica a construção do porto como uma contramedida necessária.
O relato israelense omite o contexto da guerra EUA-Irã, que poderia ter diminuído a responsabilidade do Irã.
A análise atlântica enquadra o projeto como uma consequência estratégica da guerra EUA-Irã, sem tomar partido.
Ao usar o termo 'major shift' e colocar o projeto após a guerra, normaliza-se a ideia de que o conflito é o motor da mudança.
O relato atlântico omite os dados econômicos precisos sobre o declínio de Jebel Ali, que teriam adicionado uma dimensão comercial à narrativa.
A Rússia descreve o projeto como uma iniciativa comercial normal da DP World, despolitizando o assunto.
Ao relatar apenas fatos técnicos e omitir todas as referências geopolíticas, a decisão é apresentada como puramente econômica.
O relato russo omite tanto o contexto da guerra quanto o impacto em Jebel Ali, removendo toda tensão da narrativa.
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