
EUA lançam ofensiva para 'desmantelar' Tribunal Penal Internacional
Marco Rubio anuncia campanha diplomática e sanções para isolar a corte, acusada de ameaçar a soberania americana, e pressiona aliados a abandoná-la.
O governo dos Estados Unidos anunciou na segunda-feira uma campanha diplomática e coerciva para, nas palavras do secretário de Estado Marco Rubio, "desmantelar" o Tribunal Penal Internacional (TPI). A ofensiva, descrita pelo Departamento de Estado como uma "resposta de todo o governo", inclui a revogação de vistos, proibições de viagem, reforço de sanções contra funcionários e entidades ligadas ao tribunal e pressão sobre outros países para que se retirem do Estatuto de Roma. Rubio, em artigo no Wall Street Journal e em mensagem de vídeo, acusou o TPI de "travar uma guerra contra o nosso país" por meio de "estatutos, pactos e a força do chamado direito internacional" e afirmou que Washington usará todos os instrumentos disponíveis para desfazer a corte "tijolo por tijolo, se necessário".
Na argumentação de Washington, o TPI representa uma "ameaça intolerável" à soberania americana ao reivindicar jurisdição sobre militares e funcionários dos EUA, país que nunca ratificou o tratado fundador. O Departamento de Estado recorda que a corte abriu investigações sobre alegados crimes de guerra cometidos por forças americanas no Afeganistão e, mais recentemente, emitiu mandados de detenção contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o seu antigo ministro da Defesa. Rubio caracterizou o tribunal como um "árbitro global sem prestação de contas", apoiado por "uma rede poderosa de ONG de esquerda, globalistas arrogantes e governos hostis do Terceiro Mundo". A administração Trump já impusera sanções a magistrados e ao procurador do TPI; três juízes sancionados apresentaram em junho uma queixa contra o presidente e outros altos responsáveis americanos, alegando que as medidas são ilegais e visam exercer "pressão extrajudicial".
A iniciativa coloca em posição delicada os 123 Estados-membros do TPI, entre os quais se contam o Brasil, Portugal e todos os países africanos de língua oficial portuguesa. Observadores em Brasília e em Lisboa sublinham que o apoio ao tribunal é um pilar da política externa de ambos os países, ancorado no princípio da complementaridade — a corte só atua quando as jurisdições nacionais não querem ou não podem julgar os crimes mais graves. Em capitais africanas, onde persistem críticas de que o TPI tem concentrado processos no continente, a pressão americana pode reabrir debates sobre a equidade do sistema, mas uma retirada coordenada é considerada improvável. Washington avisou, contudo, que as nações que dependem da assistência de segurança americana ou acolhem presença militar dos EUA — caso de Moçambique, que recebe apoio no combate ao terrorismo em Cabo Delgado, ou de Cabo Verde, parceiro em exercícios navais — "provavelmente enfrentarão um escrutínio acrescido" se não rejeitarem a autoridade do TPI sobre cidadãos americanos.
A tensão entre os EUA e o TPI não é inédita: já em 2018, a administração Trump ameaçara sanções devido ao inquérito sobre o Afeganistão, e a administração Biden criticou a emissão dos mandados contra líderes israelitas, embora sem romper totalmente. A atual campanha, porém, representa uma escalada significativa ao mobilizar todo o aparelho diplomático para isolar a corte e condicionar relações bilaterais à rejeição da sua jurisdição. O Departamento de Estado indicou que Rubio, o subsecretário e embaixadores já estão a contactar governos estrangeiros para os exortar a abandonar o tribunal e a cortar qualquer financiamento. Até ao momento, o TPI não comentou a nova ofensiva, e não está prevista qualquer votação formal, mas a eficácia da campanha dependerá da resposta das capitais aliadas nas próximas semanas.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa iraniana e afins | −0.80 | critical |
| Imprensa europeia continental | −0.60 | critical |
| Imprensa chinesa | −0.30 | critical |
The Atlantic press acknowledges the legitimacy of American concerns over sovereignty, but does not hide that the ICC has long been opposed by Washington.
Factual reporting mixed with editorial cues like 'bête noire' suggests that US hostility toward the ICC is long-standing, framing the campaign as part of a pattern.
Voices supporting the ICC and the context of the court's investigations into US war crimes in Afghanistan are absent.
Iran denounces the US campaign as an act of aggression against international justice, siding with the ICC as a victim of US bullying.
The language of threat and war frames the US as a hostile power attacking international law, mobilizing sympathy for the ICC and opposition to US hegemony.
Justifications for US actions, such as the ICC's investigations of US personnel or the sovereignty argument, are omitted.
Europe denounces the US escalation against the ICC, defending international law and warning of the consequences of a systematic attack on the court.
Direct quotes of Rubio's war language highlight the aggressive stance, and US actions are framed as a threat to the rule of law, positioning Europe as a defender of international institutions.
The US perspective on sovereignty and the ICC's investigations of US officials, as well as the fact that the US has not ratified the Rome Statute, are omitted.
China observes the US campaign with detachment, noting the accusation of threat to sovereignty, but implicitly criticizes Washington's unilateralism.
The neutral reporting style highlights the US's own language of 'intolerable threat', allowing readers to infer US aggression without direct editorializing.
Discussions of the ICC's legitimacy or the US's historical opposition, as well as the perspective of ICC supporters, are absent.
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