
Eliminado pela França, Marrocos renova com Ouahbi e foca no Mundial 2030
Após derrota por 2 a 0 para a França nas quartas de final, federação marroquina confirma técnico Mohamed Ouahbi e acelera preparativos para o torneio que organizará com Espanha e Portugal.
A trajetória de Marrocos no Mundial de 2026 terminou de forma abrupta nas quartas de final, com uma derrota por 2 a 0 diante da França de Kylian Mbappé. Depois de superar os Países Baixos nos oitavos, a seleção norte-africana não conseguiu repetir o brilho da campanha de 2022, quando alcançou as semifinais no Catar. A atuação frente aos franceses gerou uma onda de críticas na imprensa e nas redes sociais marroquinas, centradas sobretudo no lateral Achraf Hakimi, a quem se cobrava maior impacto ofensivo. Ainda assim, a eliminação não apagou o segundo melhor desempenho da história do país em Copas do Mundo, um feito que a federação local fez questão de sublinhar.
Reunido a 16 de julho em Rabat, o comité diretor da Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF) decidiu, por unanimidade, renovar a confiança no selecionador Mohamed Ouahbi, que assumira o cargo em março. O balanço da participação foi classificado como “positivo e honroso”, com os dirigentes a recordarem a escalada da equipa no ranking da FIFA — do 84.º ao 6.º lugar — e a sublinharem que o Marrocos enfrentou adversários do top 10 mundial. O presidente Fouzi Lekjaa saiu em defesa do grupo, lamentou as “notícias falsas e rumores maliciosos” que circularam após o jogo com a França e pediu que se protegesse a seleção de “cálculos estreitos”. O próprio Ouahbi, em declarações apaixonadas, contrapôs as críticas a Hakimi, lembrando que a missão primordial de um defensor é defender e que as expectativas sobre o jogador se tornaram desproporcionadas.
A reunião serviu também para lançar a mobilização geral em torno do Mundial de 2030, que Marrocos organizará em conjunto com Espanha e Portugal. Lekjaa descreveu o evento como um “projeto estratégico” alinhado com a visão do rei Mohammed VI e anunciou que a Fundação Marrocos 2030 assumirá a organização em parceria com a FRMF. O dirigente advertiu que, assim que terminar a edição de 2026, as atenções da FIFA se voltarão para os três países anfitriões, exigindo uma aceleração imediata dos preparativos. Nesse sentido, apelou às ligas nacionais que modernizem o seu funcionamento e abandonem uma “postura de observador” para uma “participação efetiva”, de modo a elevar o nível do futebol marroquino nas esferas continental e internacional.
Para o mundo lusófono, a inclusão de Portugal como coanfitrião confere ao torneio uma dimensão especial. Observadores em Lisboa notam que a parceria ibérico-magrebina abre uma frente de cooperação inédita no desporto de alto rendimento, com potencial para estreitar laços entre as federações e projetar a língua portuguesa num evento de audiência global. A preparação conjunta, que vai muito além das infraestruturas, deverá intensificar-se nos próximos meses, com a FRMF a insistir na necessidade de uma governação modernizada e de uma coordenação estreita entre todas as entidades envolvidas.
Com o ciclo de 2026 encerrado, o foco imediato da seleção marroquina recai sobre as próximas competições continentais, enquanto o horizonte de 2030 se impõe como o grande objetivo geracional. A continuidade de Ouahbi no comando técnico sinaliza a aposta num projeto de longo prazo, ancorado na progressão constante que o país exibe desde 2018 e que agora se projeta para o maior palco do futebol mundial, em casa.
| Imprensa latino-americana | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | +0.80 | aligned |
O relato latino-americano registra a decisão da FRMF com distanciamento, destacando as críticas recebidas pelo treinador e a ausência de um projeto de longo prazo.
O relato se apresenta como observador externo, evidenciando as críticas sem tomar posição, mas implicitamente questionando a decisão.
O artigo latino-americano não menciona os preparativos para a Copa do Mundo de 2030, que são centrais na narrativa do bloco magrebino.
A FRMF e seu presidente Lekjaa blindam o projeto técnico e lançam uma mobilização geral para a Copa do Mundo de 2030, apresentando a confirmação de Ouahbi como parte de uma visão de longo prazo.
A narrativa desloca a atenção da eliminação imediata para os preparativos de 2030, transformando uma potencial derrota em um trampolim para o sucesso futuro.
O bloco magrebino omite críticas detalhadas e o descontentamento dos torcedores, concentrando-se exclusivamente na renovação da confiança e nos planos para 2030.
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