
Ofensiva dos EUA contra o TPI coincide com crise de liderança e mandados sobre Gaza
Washington lança campanha para desmantelar o tribunal, enquanto a destituição do procurador-geral é votada a 24 de julho, num contexto de pressão sobre a justiça internacional.
O governo dos Estados Unidos iniciou uma campanha formal para enfraquecer o Tribunal Penal Internacional (TPI), anunciando sanções contra juízes e procuradores, a revogação de vistos de funcionários e pressão diplomática para que Estados-membros abandonem a instituição. Segundo o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, o TPI representa uma ameaça à soberania dos EUA e a todos os aspetos do seu sistema político e jurídico, visando em particular a possibilidade de processos contra cidadãos americanos, desde agentes de fronteira a militares. A administração Trump, que nunca ratificou o Estatuto de Roma, sustenta que o tribunal é um “braço armado de uma burocracia mundialista” e promete desmantelá-lo “tijolo por tijolo”, recorrendo a todos os instrumentos disponíveis e à cooperação de aliados.
A presidente do TPI, a juíza japonesa Tomoko Akane, reagiu sublinhando que os tribunais internacionais devem permanecer independentes e livres de influência política e coação. Em comunicado divulgado no Dia da Justiça Penal Internacional, Akane reconheceu que o direito internacional tem estado sob pressão crescente, mas afirmou que o TPI se manterá firme na sua missão de levar justiça às vítimas dos crimes mais graves. Na perspetiva de observadores em Bruxelas, a declaração surge como uma resposta indireta à ofensiva de Washington, num momento em que a União Europeia é acusada de não defender adequadamente o tribunal, apesar de todos os seus Estados-membros serem partes no Estatuto de Roma.
A pressão externa coincide com uma crise interna sem precedentes. O procurador-geral, Karim Khan, enfrenta um processo disciplinar por alegações de assédio sexual a uma colaboradora, num caso que envolve investigações internas e o órgão executivo do TPI, composto por 21 Estados, incluindo a Suíça. A votação sobre a sua destituição está marcada para 24 de julho, na sede da ONU em Nova Iorque. Fontes diplomáticas europeias indicam que, independentemente do desfecho, o procedimento já expôs fragilidades institucionais e é explorado por críticos do tribunal, incluindo Israel, que tem repetido que os mandados de detenção contra o seu primeiro-ministro e antigo ministro da Defesa não passam de uma manobra para desviar a atenção dos problemas do procurador.
A campanha norte-americana e a crise do procurador inserem-se num contexto mais amplo de contestação aos mandados de detenção emitidos pelo TPI contra Benjamin Netanyahu e Yoav Gallant por crimes contra a humanidade em Gaza. Na perspetiva de organizações da sociedade civil na Ásia, como o Aqsa Working Group, a ofensiva de Washington é indissociável da tentativa de proteger Israel de responsabilização jurídica, constituindo uma interferência política que ameaça a luta contra a impunidade. Na Europa, analistas notam que a Itália e outros Estados não executaram os mandados, enfraquecendo a credibilidade do tribunal. O Brasil e Portugal, ambos Estados-partes, não se pronunciaram publicamente sobre a campanha dos EUA, mas a pressão sobre os membros do TPI deverá intensificar-se nas próximas semanas, com Washington a ameaçar reforçar a vigilância sobre países que não colaborem com a sua estratégia.
| Imprensa do Sudeste Asiático | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.30 | critical |
| Imprensa latino-americana | −0.50 | critical |
Southeast Asia accuses Washington of protecting genocide perpetrators in Gaza, defending the International Criminal Court as a bulwark against impunity.
The narrative uses the term 'genocide' to moralize the US position, turning the attack on the Court into complicity in atrocious crimes.
The bloc omits the internal crises of the Court, such as the harassment allegations against prosecutor Khan, and the failure of some states, including Italy, to execute orders.
Continental Europe warns against US pressure and the Court's internal fragilities, calling for defense of judicial independence while acknowledging institutional cracks.
The discourse alternates denunciation of the external attack with analysis of internal crises, creating a critical balance that legitimizes concern without falling into uncritical defense.
The European bloc omits the specific denunciation from Southeast Asian organizations accusing the US of protecting genocide perpetrators.
Latin America denounces Marco Rubio's campaign to dismantle the Court, interpreting it as an attack on international legal sovereignty.
The narrative relies on direct quotation of the Secretary of State's words to highlight the threat, without delving into US reasons, creating an immediate alarm effect.
The bloc omits the arrest warrants against Netanyahu and Gallant and the internal crises of the Court, focusing solely on the US campaign.
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