
Eliminação precoce do Brasil na Copa gera crise de imagem e críticas de Lula à seleção
Presidente ironiza o regresso solitário de Danilo no voo oficial e a CBF enfrenta reação negativa a vídeo motivacional após derrota para a Noruega nas oitavas de final.
A campanha brasileira no Mundial de 2026 terminou nas oitavas de final, travada por uma Noruega que impôs um 2-1 com a assinatura de Erling Haaland, autor dos dois golos. O desfecho, consumado em território norte-americano, marcou a eliminação mais precoce da seleção em 36 anos e prolongou um jejum de títulos que já dura 24 anos, desde a conquista na Coreia-Japão em 2002. O revés tático da equipa comandada por Carlo Ancelotti foi agravado por uma dispersão logística que se tornou o centro do debate público: dos 26 convocados, apenas o lateral-direito Danilo, do Flamengo, regressou ao Brasil no voo fretado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), enquanto os restantes atletas seguiram diretamente para férias na Europa ou para os seus clubes.
A reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu a dimensão do mal-estar em Brasília. Durante uma visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul, Lula classificou a situação como “vergonha” e recorreu à ironia para sublinhar o contraste de atitudes: “Se tivesse ganho, tava todo mundo dançando aqui”. O presidente revelou ainda ter enviado uma mensagem a Ancelotti, sugerindo, em tom de brincadeira, a contratação de um robô desenvolvido por um estudante da instituição, que, segundo descreveu, “bate que nem o Haaland”. A declaração expôs a perceção, no Planalto, de que o compromisso coletivo se diluiu com o insucesso, deixando a comissão técnica a regressar praticamente sozinha.
A crise de imagem estendeu-se ao plano institucional. A CBF divulgou um vídeo com o slogan “Pode acreditar”, apelando à resiliência do torcedor e projetando a redenção para o Mundial de 2030. A peça, que admitia que “esse túnel parece não ter fim” e que “esse hexa não sai”, foi recebida com críticas nas redes sociais. O ex-governador Romeu Zema, pré-candidato à Presidência, comentou que a entidade deveria “acabar com essa politicagem” e com a “farra suja”, ecoando um sentimento de distanciamento entre a cúpula da confederação e o público. Observadores em Lisboa notam que o episódio reacendeu comparações com a gestão de crises de outras federações lusófonas, onde a comunicação após eliminações costuma ser mais contida.
A estratégia de marketing da CBF já vinha a ser questionada desde a convocação para o torneio, transformada num megaevento no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, com espetáculos musicais e a presença de mais de mil convidados. A opção pelo aparato contrastou com a tradição de listas lidas pelo treinador e, na perspetiva de analistas brasileiros, contribuiu para amplificar a frustração quando o desempenho em campo não correspondeu à narrativa de superação. A campanha “Bate no Peito”, lançada meses antes, tentara reatar o vínculo emocional com o torcedor, mas o desfecho frente à Noruega esvaziou esse discurso.
O próximo ciclo competitivo da seleção brasileira começa sob o peso de um distanciamento que vai além dos resultados. A equipa terá de reconstruir a relação com o público enquanto prepara as eliminatórias para o Mundial de 2030, num ambiente em que a cobrança por títulos se mistura com a exigência de uma conduta coletiva que, aos olhos da presidência e de parte da torcida, não se verificou no regresso a casa.
| Imprensa iraniana e afins | −0.80 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.50 | critical |
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
Iran mocks the Brazilian team's failure and its coach, implicitly siding with the critics.
It uses Lula's quote to ridicule the entire delegation, amplifying the contrast between the large arrival and the solitary return.
It omits that Lula criticized the entire team, not just the coach, and that his comment was directed at the players who did not return.
President Lula condemns the seleção's attitude, siding with outraged fans and using his authority to legitimize the criticism.
It reports Lula's words with emphasis, using his presidential authority to create an opposition between patriotic duty and players' individualism.
It omits any justification from the players or CBF, presenting the criticism as unanimous.
Russia reports the facts dispassionately, taking no side, merely citing Lula's criticism and the historical elimination data.
It uses a chronicle tone and statistical data (first quarterfinal elimination in 36 years) to objectify the news, avoiding judgments.
It omits the domestic Brazilian political context and fan reactions, focusing only on the bare fact of the defeat and presidential criticism.
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