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Crime e Desastresquarta-feira, 15 de julho de 2026

El Niño ganha força e põe em risco safras e abastecimento na América do Sul

Fenómeno climático declarado em junho deve atingir intensidade comparável à dos eventos de 1982-83 e 1997-98, com impactos já previstos para a agricultura e a inflação de alimentos.

O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC) confirmou em junho a formação do El Niño e elevou para 81% a probabilidade de o fenómeno atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro deste ano. A Organização Meteorológica Mundial compara o episódio aos grandes eventos de 1982-83, 1997-98 e 2015-16, os mais destrutivos da era moderna. Em comunicado, o CPC estima em 97% a probabilidade de que as condições se mantenham até à primavera de 2027 no hemisfério norte, com o pico de intensidade previsto para o período entre novembro e janeiro.

Na América do Sul, os efeitos já começam a ser sentidos. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alertas de tempestade para o Rio Grande do Sul a partir desta quinta-feira, com acumulados que podem chegar a 400 milímetros em dez dias e ventos de até 100 km/h, segundo a Climatempo. A Defesa Civil gaúcha advertiu para risco de alagamentos, elevação de rios e transtornos no fornecimento de energia. Em Santa Catarina e no Paraná, a influência da frente fria associada ao fenómeno deve provocar temporais isolados, mas com menor intensidade. Na Argentina, meteorologistas preveem episódios de chuva de até 300 milímetros em 24 horas nas regiões centro e norte a partir de agosto, com possibilidade de granizo e rajadas de vento, enquanto as temperaturas podem ficar até 22 °C acima da média no norte do país.

A agricultura, principal motor das exportações de vários países da região, está entre os setores mais vulneráveis. Na Colômbia, a Associação Nacional de Comércio Exterior (Analdex) alertou que oito dos dez principais produtos de exportação não mineiro-energéticos — entre eles café, banana, flores, abacate e açúcar — estão sob risco devido às anomalias climáticas. O Ideam, instituto meteorológico colombiano, confirmou a consolidação do El Niño e prevê um rápido fortalecimento. No Brasil, o Inmet projeta impactos sobre as lavouras de grãos e a pecuária, com dificuldades no manejo, na aplicação de defensivos e no transporte da produção. Dados do USDA indicam que os preços dos alimentos nos Estados Unidos podem subir até 4,7% em 2026, com altas de até 8,4% para produtos derivados de açúcar e cacau, culturas particularmente expostas às secas associadas ao fenómeno.

Analistas de instituições financeiras e agências governamentais observam que o episódio ocorre num momento de stress hídrico elevado e de pressões inflacionárias ainda presentes em várias economias. Na perspetiva de Brasília, o fenómeno pode agravar a volatilidade dos preços dos alimentos e pressionar a inflação, num contexto em que o país já enfrenta desafios logísticos e de abastecimento. Em Lisboa, observadores notam que os efeitos indiretos sobre os mercados globais de matérias-primas podem refletir-se nos preços ao consumidor na Europa, embora o impacto direto sobre o clima ibérico seja menos previsível. O Departamento de Agricultura dos EUA reviu em 512% a previsão de importações de açúcar mexicano para o ciclo 2026-2027, uma meta que terá de ser cumprida justamente durante o período de maior risco climático.

Apesar da convergência dos modelos, os meteorologistas mantêm cautela. “Dado o tempo de antecipação, continuamos muito cautelosos porque as condições podem desacelerar ou acelerar nos próximos meses”, afirmou Emma Sanig, analista do setor. Ainda não é possível determinar com precisão a distribuição das chuvas e das secas, mas as projeções indicam um cenário de perturbação generalizada. As autoridades de defesa civil e os governos estaduais da região Sul do Brasil e das províncias argentinas já iniciaram a coordenação de respostas, com a criação de fundos de emergência e a mobilização de equipas de monitorização.

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quarta-feira, 15 de julho de 2026

El Niño ganha força e põe em risco safras e abastecimento na América do Sul

Fenómeno climático declarado em junho deve atingir intensidade comparável à dos eventos de 1982-83 e 1997-98, com impactos já previstos para a agricultura e a inflação de alimentos.

O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC) confirmou em junho a formação do El Niño e elevou para 81% a probabilidade de o fenómeno atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro deste ano. A Organização Meteorológica Mundial compara o episódio aos grandes eventos de 1982-83, 1997-98 e 2015-16, os mais destrutivos da era moderna. Em comunicado, o CPC estima em 97% a probabilidade de que as condições se mantenham até à primavera de 2027 no hemisfério norte, com o pico de intensidade previsto para o período entre novembro e janeiro.

Na América do Sul, os efeitos já começam a ser sentidos. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alertas de tempestade para o Rio Grande do Sul a partir desta quinta-feira, com acumulados que podem chegar a 400 milímetros em dez dias e ventos de até 100 km/h, segundo a Climatempo. A Defesa Civil gaúcha advertiu para risco de alagamentos, elevação de rios e transtornos no fornecimento de energia. Em Santa Catarina e no Paraná, a influência da frente fria associada ao fenómeno deve provocar temporais isolados, mas com menor intensidade. Na Argentina, meteorologistas preveem episódios de chuva de até 300 milímetros em 24 horas nas regiões centro e norte a partir de agosto, com possibilidade de granizo e rajadas de vento, enquanto as temperaturas podem ficar até 22 °C acima da média no norte do país.

A agricultura, principal motor das exportações de vários países da região, está entre os setores mais vulneráveis. Na Colômbia, a Associação Nacional de Comércio Exterior (Analdex) alertou que oito dos dez principais produtos de exportação não mineiro-energéticos — entre eles café, banana, flores, abacate e açúcar — estão sob risco devido às anomalias climáticas. O Ideam, instituto meteorológico colombiano, confirmou a consolidação do El Niño e prevê um rápido fortalecimento. No Brasil, o Inmet projeta impactos sobre as lavouras de grãos e a pecuária, com dificuldades no manejo, na aplicação de defensivos e no transporte da produção. Dados do USDA indicam que os preços dos alimentos nos Estados Unidos podem subir até 4,7% em 2026, com altas de até 8,4% para produtos derivados de açúcar e cacau, culturas particularmente expostas às secas associadas ao fenómeno.

Analistas de instituições financeiras e agências governamentais observam que o episódio ocorre num momento de stress hídrico elevado e de pressões inflacionárias ainda presentes em várias economias. Na perspetiva de Brasília, o fenómeno pode agravar a volatilidade dos preços dos alimentos e pressionar a inflação, num contexto em que o país já enfrenta desafios logísticos e de abastecimento. Em Lisboa, observadores notam que os efeitos indiretos sobre os mercados globais de matérias-primas podem refletir-se nos preços ao consumidor na Europa, embora o impacto direto sobre o clima ibérico seja menos previsível. O Departamento de Agricultura dos EUA reviu em 512% a previsão de importações de açúcar mexicano para o ciclo 2026-2027, uma meta que terá de ser cumprida justamente durante o período de maior risco climático.

Apesar da convergência dos modelos, os meteorologistas mantêm cautela. “Dado o tempo de antecipação, continuamos muito cautelosos porque as condições podem desacelerar ou acelerar nos próximos meses”, afirmou Emma Sanig, analista do setor. Ainda não é possível determinar com precisão a distribuição das chuvas e das secas, mas as projeções indicam um cenário de perturbação generalizada. As autoridades de defesa civil e os governos estaduais da região Sul do Brasil e das províncias argentinas já iniciaram a coordenação de respostas, com a criação de fundos de emergência e a mobilização de equipas de monitorização.

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