
Boeing recupera autonomia de certificação enquanto testa tecnologias silenciosas e mercado chinês encomenda 95 Airbus
Decisão da FAA devolve à fabricante o controlo de qualidade final dos seus aviões, num momento de testes de inovações acústicas, encomendas bilionárias da China e transformações regulatórias no Brasil.
A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) anunciou que a Boeing retomará, a partir da próxima semana, a responsabilidade pela certificação final de segurança de todas as suas aeronaves 737 Max e 787 Dreamliner. A decisão encerra um período de supervisão direta que se seguiu aos acidentes com o 737 Max e a problemas de qualidade na produção do 787. A FAA concluiu que as inspeções da fabricante são agora equivalentes às governamentais, permitindo que os inspetores se concentrem na deteção precoce de defeitos na linha de montagem. Em paralelo, os limites mensais de produção do 737 Max foram gradualmente aumentados, devendo atingir 47 unidades por mês no verão boreal.
Enquanto o quadro regulatório se redefine, a Boeing avança com testes de tecnologias destinadas a reduzir o ruído e o consumo de combustível. Em colaboração com a Lufthansa e a Rolls-Royce, será iniciado até ao final do mês, em Glasgow (Montana), um programa de voos experimentais com um B787-9 Dreamliner equipado com o Next Generation Inlet, uma entrada de ar de nova geração que diminui o peso e a resistência aerodinâmica. Serão também validadas trajetórias de voo ‘Intelligent Operations’, geradas por algoritmos que cruzam múltiplas fontes de dados para minimizar o ruído percebido nas comunidades próximas de aeroportos. Os ensaios, que decorrem até meados de agosto, inserem-se na terceira fase do programa CLEEN da FAA e no projeto ecoDemonstrator, que já validou mais de 260 inovações desde 2012.
O mercado global de aeronaves comerciais mantém um ritmo de expansão que sustenta estas apostas tecnológicas. Duas companhias aéreas chinesas, a Air China e a Hainan Airlines, encomendaram em conjunto 95 aviões Airbus da família A320neo e A350, num negócio avaliado em cerca de 17,8 mil milhões de dólares, com entregas previstas entre 2028 e 2032. A Airbus planeia entregar 870 aparelhos em 2026, superando o recorde de 2019. A Boeing, por seu lado, projeta uma frota comercial mundial de 50 mil aviões em 2045, dos quais mais de 90% serão modelos de nova geração, 20% mais eficientes no consumo de combustível. O crescimento anual do tráfego aéreo é estimado em 4% nas próximas duas décadas, embora o conflito no Médio Oriente tenha provocado um abrandamento pontual no início de 2026.
No Brasil, o setor da aviação executiva vive forte expansão e transformação regulatória. A frota nacional ultrapassou 11.200 aeronaves, consolidando o país como segundo maior mercado mundial. A partir de janeiro de 2027, a reforma tributária permitirá a incidência do IPVA sobre aeronaves e a substituição parcial do IPI pelo Imposto Seletivo, alterando a equação fiscal. Em resposta, a ANAC simplificou a certificação do Táxi Aéreo Simples, reduzindo burocracia. O mercado de viagens corporativas deverá atingir 158 mil milhões de reais em 2026, impulsionado por uma lógica de gestão de pessoas e bem-estar, para além da contenção de custos. O próximo marco é a feira de Farnborough, em julho, onde se aferirão estas tendências, enquanto se aguardam os resultados do ecoDemonstrator e a entrada em vigor das novas regras fiscais.
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Europe develops green aviation technologies, demonstrating that technical innovation is the path to a sustainable future.
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