
Irão exorta civis do Médio Oriente a manterem 500 metros de distância de militares dos EUA
A Guarda Revolucionária iraniana justifica o aviso com a deslocação de comandos norte-americanos para zonas urbanas e reivindica a destruição de infraestruturas de dados em apoio às operações militares dos EUA no Bahrein.
A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) do Irão emitiu esta sexta-feira um alerta dirigido às populações dos países do Médio Oriente que albergam forças norte-americanas, instando-as a manterem uma distância mínima de 500 metros de quaisquer edifícios utilizados como alojamento ou centro de comando encoberto por militares dos Estados Unidos. A declaração, divulgada através dos canais oficiais, surge no contexto de uma vaga de retaliação iraniana que incluiu, segundo Teerão, um novo ataque com mísseis e drones contra o que resta do centro de dados da Amazon no Bahrein, infraestrutura que o regime alega estar integrada no processamento de informações de inteligência para as operações norte-americanas na região.
De acordo com o comunicado do IRGC, numerosos oficiais e soldados norte-americanos abandonaram as suas bases principais, por receio de represálias, e transferiram os postos de comando para imóveis civis dispersos pelas cidades. Por essa razão, Teerão adverte que essas localizações se tornaram "alvos legítimos" e recomenda à população local que se mantenha afastada, sob pena de ser apanhada em futuros ataques. A força iraniana foi mais longe ao solicitar que eventuais deslocações ou novos esconderijos das tropas dos EUA sejam comunicados diretamente ao seu serviço de relações públicas através da aplicação Telegram, numa iniciativa que mescla operações militares com recolha de informações de fonte aberta.
O aviso invulgar e o ataque ao centro de dados da Amazon — o segundo em poucos dias, no âmbito da Operação Nasr-2 — inserem-se numa escalada sem precedentes desde que Washington bombardeou sete províncias iranianas, incluindo Sistão-Baluchistão, Khuzestão, Markazi, Yazd, Isfahan, Lorestan e Fars. Os ataques norte-americanos, ainda não comentados oficialmente pelo Pentágono, causaram 55 mortos e 645 feridos, segundo as autoridades de saúde iranianas. Em resposta, Teerão lançou drones contra várias instalações militares dos EUA no Bahrein, na Jordânia e no Kuwait, visando hangares, depósitos de combustível e alojamentos. Manama afirmou ter intercetado alguns engenhos aéreos, enquanto o Kuwait ativou os seus sistemas de defesa antiaérea.
Para observadores em Lisboa e Brasília, a expansão geográfica do conflito e a ameaça direta a civis no Médio Oriente introduzem um novo patamar de risco, com potenciais repercussões nos mercados energéticos de que dependem economias lusófonas como a brasileira e a angolana. Analistas europeus sublinham que o recurso a plataformas como o Telegram para denúncias de movimentações militares pode indiciar uma estratégia de guerra híbrida difícil de conter. Até ao momento, nem a Amazon nem as autoridades do Bahrein comentaram as alegações de destruição do seu centro de dados. O dossier permanece em aberto, com a perspetiva de novas ações de parte a parte, enquanto a comunidade internacional ainda não agendou qualquer reunião de emergência no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
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