
Atentado suicide no Paquistão mata 15 e reacende tensão na fronteira afegã
O grupo Tehreek-e-Taliban Pakistan reivindicou o ataque com veículo-bomba contra um posto de segurança em Tank, Khyber Pakhtunkhwa, elevando o número de vítimas entre as forças paquistanesas.
Pelo menos 15 pessoas morreram, incluindo 12 militares, dois agentes da polícia e um antigo funcionário do departamento florestal, quando um veículo carregado de explosivos colidiu com um posto de controlo conjunto do exército e da polícia no distrito de Tank, na província paquistanesa de Khyber Pakhtunkhwa. O ataque, ocorrido na madrugada de sexta-feira, foi reivindicado pelo Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP), que afirmou ter utilizado quatro bombistas suicidas. As forças de segurança paquistanesas responderam com uma operação de retaliação que, segundo o comunicado militar, resultou na morte de 12 militantes.
Na perspetiva de Islamabad, o atentado insere-se numa vaga de violência insurgente que tem assolado as zonas fronteiriças com o Afeganistão. A ala de comunicação das forças armadas (ISPR) descreveu que os atacantes tentaram forçar a entrada no posto e, ao serem repelidos, lançaram o veículo contra o muro perimetral, causando danos estruturais graves. Observadores regionais notam que o distrito de Tank, historicamente utilizado como base por grupos islamitas, tem registado um aumento de ações armadas contra alvos estatais, o que pressiona o governo a intensificar as operações de contraterrorismo no âmbito da campanha “Azm-i-Istehkam”.
A reivindicação do TTP sublinha a persistência da ameaça representada por este grupo, que desde 2007 procura derrubar o governo paquistanês e impor uma interpretação estrita da lei islâmica. O comunicado militar omite o número total de feridos, mas fontes locais citadas pela imprensa apontam para cerca de 30 pessoas hospitalizadas. A discrepância entre os números avançados pelas autoridades (15 vítimas mortais) e os divulgados pelo TTP (40 soldados mortos) é habitual neste tipo de incidentes, mas a confirmação oficial do sacrifício de “filhos da nação” acentua a comoção num país confrontado com um ciclo de atentados nos últimos meses.
A dimensão regional do conflito manifesta-se nas acusações cruzadas entre Paquistão e Afeganistão. Enquanto Islamabad insiste que os militantes se refugiam e planeiam ações a partir de território afegão, Cabul nega envolvimento e classifica a militância como um problema doméstico paquistanês. Esta troca de responsabilidades agravou-se após os ataques aéreos paquistaneses de junho no leste do Afeganistão, que, segundo o governo taleban e as Nações Unidas, causaram dezenas de vítimas civis. Para analistas em Lisboa, a deterioração da segurança na Cintura Pashtun ecoa os desafios de estabilização que a NATO enfrentou durante duas décadas e recorda à comunidade internacional, incluindo os países lusófonos com interesses no Índico, a necessidade de mecanismos multilaterais de prevenção. As forças paquistanesas prosseguem as operações de busca e saneamento na área, enquanto o governo não indicou se haverá alterações na estratégia de segurança numa zona onde a linha dura militar coexiste com um processo de diálogo intermitente com as tribos locais.
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