
Polícia irlandesa interceta carro-bomba “sofisticado” com explosivos de grau militar na fronteira com o Norte
Duas pessoas foram detidas durante operação dos serviços de informação; dispositivo seria usado num atentado na Irlanda do Norte, atribuído a dissidentes republicanos.
A polícia da República da Irlanda intercetou, em 22 de julho, uma viatura que transportava um engenho explosivo “altamente sofisticado” e pronto a usar na N2, perto de Carrickmacross, condado de Monaghan, a cerca de dez quilómetros da fronteira com a Irlanda do Norte. A condutora, na casa dos vinte anos, foi detida no local; um segundo suspeito, na casa dos quarenta, foi preso horas depois e permanece sob custódia. O dispositivo continha explosivos de grau militar, um detonador e uma unidade de energia, e, segundo fontes policiais citadas pela emissora pública irlandesa RTÉ, seria colocado debaixo de um automóvel num ataque do outro lado da fronteira.
O comissário da Garda, Justin Kelly, classificou a apreensão como “extremamente significativa” e sublinhou que o engenho “não eram apenas componentes”, mas um artefacto completo capaz de causar danos severos. Na perspetiva de Dublin, a operação ilustra a ameaça persistente de uma “pequena minoria de republicanos dissidentes” que rejeita o Acordo de Sexta-Feira Santa, não entregou armas nem concluiu o processo de desarmamento. A ministra da Justiça, Jim O’Callaghan, considerou o episódio “muito preocupante”, mas elogiou a cooperação transfronteiriça com o Serviço de Polícia da Irlanda do Norte (PSNI), que permitiu neutralizar o risco. Do lado britânico, o secretário de Estado para a Irlanda do Norte, Chris Bryant, agradeceu a “ação rápida e decisiva” da Garda e afirmou que a interceptação “salvou vidas” em ambas as jurisdições, enquanto o chefe-adjunto do PSNI, Davy Beck, saudou as detenções e reiterou o empenho conjunto no combate à ameaça de grupos violentos.
A região fronteiriça tem um historial de contrabando de armamento durante os trinta anos do conflito na Irlanda do Norte. O achado reaviva a memória de atentados como o de abril passado, em Dunmurry, quando um cilindro de gás foi colocado num carro de entregas e explodiu junto a uma esquadra sem provocar vítimas. Observadores em Belfast notam que o incidente foi qualificado como “arrepiante” pelo líder do Partido Unionista Democrático, Gavin Robinson, que questionou se o governo irlandês deveria redobrar a atenção aos dissidentes. Já o representante do Sinn Féin na Assembleia da Irlanda do Norte, Gerry Kelly, descreveu os responsáveis como “imprudentes” e sublinhou que “não representam ninguém” e que devem abandonar “ações fúteis” que atrasam a consolidação da paz.
A mulher detida foi acusada e compareceu numa sessão especial do Tribunal Distrital de Trim, no condado de Meath, na tarde de 24 de julho. O homem continua sob interrogatório numa esquadra da área de Dublin. As autoridades não revelaram o alvo concreto do ataque planeado. Analistas de segurança em Dublin assinalam que a sofisticação do explosivo sugere a persistência de acesso a materiais e conhecimentos técnicos de nível militar por parte dos grupos dissidentes. A investigação prossegue, sustentada na colaboração entre os serviços de informações de ambos os lados da fronteira.
Amplie o olhar
Protestos na Índia escalam para crise política e levam Modi a prometer tribunais rápidos contra fugas de exames
11 idiomas · 28 veículos
De Economy & MarketsCalotes batem recorde na Argentina e no Brasil enquanto juros elevados redefinem poupança global
3 idiomas · 7 veículos
De TechnologyMusk confessa envolvimento político excessivo, mas mantém defesa do DOGE
3 idiomas · 5 veículos