
Calor extremo: o dilema entre saúde, consumo energético e tradições culturais
Especialistas de quatro continentes alertam para os riscos do calor e do ar condicionado, enquanto recomendam estratégias que vão da tecnologia à hidratação.
As ondas de calor que este verão castigam cidades da América do Norte ao Médio Oriente, com temperaturas a ultrapassar os 40°C em várias regiões, estão a reconfigurar a equação entre conforto térmico, saúde pública e gasto energético. No Brasil e em Portugal, onde os termómetros também têm batido recordes, o recurso massivo ao ar condicionado dispara o consumo de eletricidade, mas a fatura elevada não é o único custo: médicos no Reino Unido e no Irão documentam um conjunto de efeitos secundários que vão da desidratação da pele e das mucosas ao agravamento de doenças respiratórias, enquanto a medicina tradicional persa reavalia antigos conselhos sobre a ingestão de água gelada.
O corpo humano reage ao calor extremo com um mecanismo de termorregulação que, se não for apoiado, pode colapsar. A desidratação progressiva, a queda da pressão arterial por vasodilatação e, no limite, o golpe de calor — com temperatura central acima dos 40°C e alterações do estado de consciência — são riscos particularmente graves para idosos, crianças, grávidas e doentes cardíacos, renais ou pulmonares. Em paralelo, clínicos gerais britânicos descrevem como a exposição prolongada a ambientes climatizados resseca a pele, irrita os olhos e as vias aéreas superiores e, em unidades com manutenção deficiente, pode fazer circular poeiras e fungos que desencadeiam crises de asma. A recomendação de beber água fresca sem gelo, partilhada por especialistas iranianos das medicinas moderna e tradicional, ilustra a convergência entre a evidência científica e o saber popular: o importante é hidratar, e a temperatura da água é secundária.
Do ponto de vista da eficiência energética, a resposta norte-americana centra-se na tecnologia e na mudança de hábitos. Subir o termóstato dois ou três graus pode reduzir a fatura em 2% a 3%, enquanto os termóstatos inteligentes permitem programar o arrefecimento para os períodos de ocupação da casa, evitando o desperdício. A manutenção regular dos equipamentos e a substituição por modelos com certificação Energy Star são outras medidas com retorno rápido. Nos Emirados Árabes Unidos, onde muitos residentes vivem em apartamentos arrendados e não podem fazer alterações estruturais, ganham peso soluções portáteis como os climatizadores evaporativos — que funcionam melhor em espaços ventilados — e as cortinas térmicas de blackout, capazes de bloquear uma parte significativa do calor solar antes que este aqueça paredes e móveis.
A combinação de estratégias passivas e ativas é o denominador comum das orientações recolhidas em quatro continentes. Bloquear a luz solar direta, melhorar a circulação do ar e utilizar ventoinhas pessoais ou de pescoço reduz a sensação de calor sem exigir mais potência dos aparelhos de ar condicionado. Para mitigar os efeitos do ar seco sobre a pele e as vias respiratórias, os médicos britânicos aconselham a hidratação frequente, o uso de cremes com humectantes como a glicerina e a colocação de plantas de interior, que devolvem humidade ao ambiente. A próxima atualização dos critérios Energy Star pelo Departamento de Energia dos EUA, prevista para o final de 2025, deverá acelerar a adoção de equipamentos mais eficientes, num momento em que as agendas de saúde pública e de eficiência energética convergem de forma inédita.
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| Imprensa iraniana e afins | −0.20 | neutral |
| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
O consumidor informado adota medidas para reduzir custos e proteger a saúde.
Conselhos de especialistas são apresentados como soluções imediatas e neutras, normalizando o uso do ar condicionado.
Tradições culturais de resfriamento e riscos específicos para pacientes crônicos não são mencionados.
O médico adverte a população sobre os perigos do calor e das falsas crenças, impondo comportamentos protetores.
A autoridade médica e a tradição popular são usadas para criar um senso de urgência e obediência.
O consumo de energia e as soluções práticas para resfriar as casas não são abordados.
O residente do Golfo adota métodos tradicionais e modernos para um resfriamento eficiente.
Soluções simples e de baixo custo são apresentadas como óbvias e naturais, enraizadas na cultura local.
Riscos à saúde e custos do ar condicionado não são mencionados.
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