
Drone ucraniano atinge terminal petrolífero em São Petersburgo e agrava crise de combustíveis na Rússia
Ataque com drones atinge terminal petrolífero de São Petersburgo e porto de Vysotsk, no quadro de uma campanha ucraniana que já causa escassez de combustível e filas em postos russos.
Na madrugada de sábado, a Ucrânia lançou um ataque massivo com drones contra a região de São Petersburgo, atingindo um terminal petrolífero no distrito de Kirovsky e, segundo o governador da região de Leningrado, o porto de Vysotsk, que movimenta petróleo, cereais, carvão e gás natural liquefeito. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, afirmou ainda que as forças de defesa do país atacaram com sucesso a base naval de Kronstadt, um alvo militar a mais de 850 quilómetros da fronteira ucraniana. Autoridades russas confirmaram o impacto na infraestrutura petrolífera, mas asseguraram não haver vítimas e que os danos foram contidos. “As forças de defesa aérea abateram 72 drones, um dos quais caiu em Peterhof”, declarou o governador de São Petersburgo, Alexander Beglov, em mensagem na rede Telegram.
O ataque insere-se numa escalada de operações ucranianas de longa distância contra a rede energética russa, que nas últimas semanas tem provocado uma crise de abastecimento de combustível em várias regiões do país. De acordo com Kiev, estas ações são “sanções de longo alcance” destinadas a privar Moscovo de receitas essenciais para o esforço de guerra. O Ministério da Defesa russo reportou ter intercetado um total de 389 drones em diversas regiões, incluindo a Crimeia anexada, e advertiu que “esta tentativa de danificar infraestruturas civis não ficará sem uma resposta adequada”. Analistas em Moscovo sublinham que a dimensão e a profundidade do ataque demonstram a crescente capacidade da Ucrânia de projetar poder ofensivo para lá das linhas da frente.
A campanha contra refinarias e terminais petrolíferos russos já levou à imposição de racionamento em pelo menos 15 regiões, à proibição temporária da exportação de gasolina e a filas quilométricas em postos de abastecimento, situação que o próprio Presidente Vladimir Putin reconheceu como um “problema” em encontro televisionado. Observadores em Lisboa notam que a perturbação das infraestruturas energéticas russas tem impacto nos mercados globais de petróleo, o que afeta diretamente economias lusófonas como Angola e Brasil, grandes produtores da commodity. Em paralelo, no plano militar, a Rússia reivindicou a captura da cidade de Kostyantynivka, no leste da Ucrânia, mas o Estado-Maior ucraniano desmentiu a alegação, classificando-a de “desinformação”. O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) confirma um alargamento da zona de infiltração russa, mas sem controlo total do município.
Estes desenvolvimentos ocorrem num momento em que a guerra entra no seu quinto ano e ambos os lados intensificam operações sobre alvos civis e infraestruturais. Na sexta-feira, um bombardeamento russo matou quatro pessoas em Sumy, dias depois de o ataque mais mortífero da guerra ter feito 30 mortos em Kiev. A Ucrânia tem simultaneamente acelerado a produção doméstica de armamento de alta tecnologia, com Zelenskyy a salientar que o investimento nessa capacidade “é investir em obrigar a Rússia à paz”. Enquanto Moscovo ameaça retaliar e mantém pressão sobre cidades do Donbass, a frente mantém-se relativamente estática e a crise energética russa aprofunda-se. O dossiê permanece em aberto, sem perspetiva imediata de negociações, e os analistas internacionais alertam para o risco de novas escaladas nas próximas semanas.
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