
Democratas bloqueiam orçamento de defesa dos EUA em protesto contra guerra com Irão
Senado norte-americano rejeita início do debate da lei anual de política de defesa, num raro bloqueio partidário que condiciona o financiamento militar a limites à atuação de Trump no conflito e à revisão da ajuda a Israel.
O Senado dos Estados Unidos bloqueou na terça-feira o avanço da Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA), que estabelece as diretrizes orçamentais do Pentágono para o ano fiscal de 2027. A votação processual, que exigia 60 apoios, registou 50 votos a favor e 46 contra, com a totalidade dos senadores democratas presentes a opor-se. Segundo fontes do Congresso, a oposição condiciona qualquer progresso da legislação à inclusão de mecanismos que restrinjam a capacidade do presidente Donald Trump de prosseguir as operações militares contra o Irão sem autorização legislativa explícita. O líder da minoria democrata, Chuck Schumer, afirmou que aprovar um orçamento de 1,15 biliões de dólares sem essas salvaguardas equivaleria a dar à Casa Branca um “cheque em branco” para uma guerra que, na sua avaliação, carece de objetivos e de uma estratégia de saída definidos.
A resistência democrata articula-se em várias frentes legislativas. Além do bloqueio à NDAA, um grupo de senadores progressistas, entre os quais Chris Van Hollen, Bernie Sanders e Elizabeth Warren, exigiu que o texto impeça o aprofundamento da cooperação militar e de inteligência com Israel, país que consideram estar a conduzir operações com consequências humanitárias graves em Gaza e no Líbano. Na Câmara dos Representantes, os congressistas Greg Casar e Ro Khanna anunciaram apoio a uma emenda que cortaria cerca de 3,3 mil milhões de dólares em assistência militar a Israel. De acordo com a imprensa iraniana, os democratas procuram ainda utilizar a alçada orçamental para forçar o governo a prestar contas sobre ataques aéreos que atingiram uma escola no Irão no início do conflito, ameaçando congelar parte das verbas de deslocação do secretário da Defesa caso os relatórios solicitados não sejam entregues.
Na perspetiva de analistas em Brasília, o impasse revela uma erosão invulgar do consenso bipartidário que, durante 65 anos, garantiu a aprovação anual da lei de defesa. A votação ocorre num momento de escalada militar: a Casa Branca anunciou a retoma do bloqueio naval a portos iranianos e uma nova vaga de bombardeamentos, ao mesmo tempo que o presidente recuou da proposta de cobrar taxas a navios no Estreito de Ormuz. Observadores europeus notam que a administração Trump solicitou ao Congresso 67 mil milhões de dólares adicionais para cobrir os custos da guerra, valor que se soma ao pedido de aumento do orçamento militar para 1,5 biliões de dólares. A pressão económica interna também é invocada pelos democratas: estimativas do Comité Económico Conjunto do Congresso apontam para um custo adicional de 56,4 mil milhões de dólares em gasolina para os consumidores norte-americanos desde o início das hostilidades, com o preço médio do galão a subir de 2,98 para 3,85 dólares.
Paralelamente, a liderança republicana na Câmara dos Representantes tenta fazer avançar um quadro orçamental de 95 mil milhões de dólares que inclui 73 mil milhões para as forças armadas e serviços de informação, 12 mil milhões para agricultores afetados pela guerra comercial e 10 mil milhões para medidas de segurança eleitoral, como a exigência de prova de cidadania para o registo de voto. Contudo, a iniciativa enfrenta a oposição de conservadores fiscais do próprio partido, que exigem cortes compensatórios. O representante Warren Davidson classificou a proposta como “morta à chegada”. O líder da maioria republicana no Senado, John Thune, alterou o seu voto para “não” por razões regimentais, o que lhe permite solicitar uma nova votação da NDAA posteriormente. Não foi anunciada uma data para a reapreciação do texto, e o calendário legislativo é pressionado pela proximidade das eleições intercalares de novembro.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
| Imprensa latino-americana | −0.10 | neutral |
| Imprensa do Golfo árabe | −0.40 | critical |
Os democratas bloqueiam o projeto de lei de defesa porque a guerra no Irã se tornou um referendo, e os republicanos veem isso como um ataque à segurança nacional.
Apresenta o conflito como uma rara ruptura bipartidária, usando citações opostas para enfatizar a polarização.
Omite a duração do conflito (quinto mês) e a falta de uma estratégia de saída, elementos presentes no bloco do Golfo.
O bloqueio do orçamento de defesa é um fato político, relatado sem julgamento.
Relata fatos nus sem contexto para manter a neutralidade.
Omite qualquer contexto sobre a guerra no Irã ou as motivações dos democratas, ao contrário de outros blocos que fornecem análise.
Os democratas bloqueiam o orçamento porque a guerra é ilegítima, iniciada sem autorização do Congresso e sem estratégia de saída.
Enfatiza a falta de autorização do Congresso e de estratégia de saída para deslegitimar a ação de Trump.
Omite a perspectiva republicana e o fato de que o orçamento inclui aumentos salariais para os militares, presentes no bloco atlântico.
A guerra no Irã se arrasta sem fim, e o bloqueio do orçamento é um sinal de que até os EUA estão divididos. A região do Golfo exige uma solução.
Destaca a duração do conflito e a falta de uma estratégia de saída para criar urgência e legitimar a oposição democrata.
Omite as motivações internas dos republicanos e o fato de que o orçamento inclui aumentos para os militares, presentes no bloco atlântico.
Amplie o olhar
Apple desbanca Nvidia e reassume posto de empresa mais valiosa do mundo
9 idiomas · 22 veículos
De TechnologySpaceX aborta lançamento do Starship no último segundo e ações recuam abaixo do preço de estreia
9 idiomas · 16 veículos
De Science & HealthDecisão judicial colombiana redefine acesso a cirurgias plásticas reconstrutivas
3 idiomas · 6 veículos