
De Marselha a Madrid, a suspensão de líderes culturais por assédio sexual
Pierre-Olivier Costa, Juan Carlos Monedero e um assessor da Defensoria Pública de Mato Grosso enfrentam sanções após denúncias de conduta imprópria, ecoando em instituições da França, Espanha e Brasil.
Na tarde de 30 de junho, uma notícia percorreu os andares do Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo (Mucem), em Marselha: o presidente da instituição, Pierre-Olivier Costa, fora suspenso por quatro meses. Segundo o jornal Le Figaro, manifestações de alegria explodiram entre os funcionários, que há meses denunciavam um ambiente de gestão que os sindicatos classificavam como tóxico, com suspeitas de assédio sexual e moral.
Costa, nomeado em 2022 e próximo do casal presidencial Emmanuel e Brigitte Macron, já era alvo de um inquérito penal e de uma investigação administrativa. A sua recondução em novembro de 2025, apesar dos alertas sindicais, acentuou o mal-estar interno. A suspensão, decidida pelo Ministério da Cultura francês, surge como um ponto de viragem numa crise que se arrastava há meses. A partir de 1 de julho, a inspetora-geral Anne-Marie Le Guével assume a presidência interina, enquanto os representantes dos trabalhadores se dizem aliviados e vigilantes quanto a gastos públicos e favoritismo.
A decisão de Marselha ecoa um movimento mais amplo de responsabilização em instituições culturais e públicas. Em Madrid, a Universidade Complutense sancionou Juan Carlos Monedero, cofundador do partido espanhol Podemos, com um ano de suspensão por acoso sexual a uma aluna. O caso, que começou com uma denúncia em janeiro de 2025, foi arquivado pela Fiscalía espanhola por falta de elementos penais, mas o Ministério Público considerou a conduta “improcedente” e “moralmente reprovável”. A universidade, no entanto, prosseguiu com o processo administrativo, e Monedero já cumpriu seis meses de afastamento preventivo. Outras ex-alunas trouxeram a público relatos de comentários humilhantes e contactos físicos indesejados durante as aulas.
A figura de Monedero tem particular ressonância na América Latina. Em 2024, foi convidado pelo governo colombiano de Gustavo Petro para ser painelista num encontro de meios de comunicação alternativos, gerando polémica pela sua defesa do regime de Nicolás Maduro. Agora, a suspensão reaviva o debate sobre a presença de figuras controversas em eventos oficiais. Na Colômbia, a notícia foi recebida com um silêncio institucional, enquanto o próprio Monedero evitou comentar o caso nas redes sociais, preferindo publicar sobre política latino-americana e a tragédia do terremoto na Venezuela.
No Brasil, um caso distinto mas com contornos semelhantes abalou a Defensoria Pública de Mato Grosso. O assessor especial Bruno Proença foi exonerado em 26 de junho, após ser acusado de utilizar sistemas internos para advogar em favor do ex-subdefensor-geral Rogério Borges Freitas, este investigado por denúncias de assédio moral e sexual contra duas servidoras. Uma das vítimas relatou tentativas de beijo forçado e comentários sobre a sua aparência; outra descreveu humilhações ao longo de quase uma década. A exoneração de ambos foi publicada no Diário Oficial, mas as investigações continuam na Corregedoria-Geral e na Polícia Civil. Enquanto Anne-Marie Le Guével assume a presidência interina do Mucem, os corredores do museu respiram um alívio que contrasta com o silêncio de Monedero e a discrição das autoridades brasileiras, desenhando um mapa de tensões entre poder, proteção institucional e a voz de quem denuncia.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Na França, o presidente do Mucem foi suspenso após meses de queixas sindicais e uma investigação criminal por assédio sexual e moral. Na Espanha, a Universidade Complutense suspendeu por um ano o professor e cofundador do Podemos, Juan Carlos Monedero, acusado por uma aluna. As instituições culturais e acadêmicas europeias reagem com medidas disciplinares, ainda que tardias, a escândalos envolvendo figuras próximas ao poder.
A suspensão de Juan Carlos Monedero por assédio sexual em Madri repercute fortemente na América Latina, onde o cofundador do Podemos era celebrado como assessor do chavismo e painelista convidado pelo governo de Gustavo Petro. O caso expõe a hipocrisia de uma figura de esquerda que pregava justiça social enquanto enfrenta sanção por abuso contra uma aluna. A notícia alimenta o debate sobre assédio em círculos progressistas e o silêncio cúmplice de seus aliados políticos.
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