
De Camp Rock a Moana: o regresso das franquias que marcaram uma geração
Com novas sequelas e adaptações, Disney e Netflix apostam na nostalgia para conquistar públicos antigos e novos, enquanto os Jonas Brothers e Dwayne Johnson lideram o movimento.
Num programa de televisão em agosto de 2025, Joe Jonas folheava as notas do telemóvel quando deixou escapar em voz alta: “Ler ‘Camp Rock 3’”. Olhou para a câmara e, entre o riso e o embaraço, pediu desculpa à Disney. O lapso, captado pelas câmaras, transformou-se no primeiro sinal público de que o acampamento musical mais famoso do Disney Channel estava prestes a reabrir as portas.
Quase um ano depois, o primeiro trailer oficial confirmou o regresso. A estreia está marcada para 13 de agosto no Disney Channel e, no dia seguinte, no Disney+, plataforma onde já é possível rever os dois primeiros filmes. A história retoma os irmãos Shane, Nate e Jason Gray — os Connect 3 — que, ao perderem o artista de abertura da sua digressão de reencontro, regressam ao Camp Rock em busca de novos talentos. Joe, Nick e Kevin Jonas reassumem as personagens e acumulam funções de produção executiva, ao lado de Demi Lovato, que não aparecerá em cena mas deixa a sua marca nos bastidores. O elenco juvenil é inteiramente renovado, com Liamani Segura, Malachi Barton e Lumi Pollack entre os campistas que disputam um lugar no palco.
O anúncio insere-se numa estratégia mais ampla de revisitação de propriedades intelectuais que definiram a infância e a adolescência de milhões de espectadores. Na mesma semana, Dwayne Johnson confirmou, a partir do Rio de Janeiro, que a Disney Animation já desenvolve “Moana 3”, com Jared Bush e Dana Ledoux Miller a escrever o argumento. A revelação surgiu durante a promoção da versão com atores reais de “Moana”, que estreia nos cinemas brasileiros a 8 de julho e em Portugal na mesma janela. Johnson retoma o semideus Maui, agora em carne e osso, ao lado da estreante Catherine Laga’aia. A primeira longa-metragem animada, de 2016, arrecadou 680 milhões de dólares; a sequela de 2024 ultrapassou os mil milhões, números que, segundo analistas em Lisboa, justificam a confiança do estúdio em prolongar a saga.
A vaga nostálgica não se limita à Disney. A Netflix concluiu na África do Sul as filmagens da terceira temporada da adaptação live-action de “One Piece”, com estreia prevista para 2027. O elenco principal — Iñaki Godoy, Emily Rudd, Mackenyu — regressa, e Joe Manganiello junta-se como o vilão Sir Crocodile. Observadores no Brasil notam que a série beneficia de uma base de fãs consolidada desde os anos 2000, quando o manga e o anime conquistaram audiências na TV aberta e em canais por assinatura. Em comum, estes projetos partilham a aposta em narrativas que equilibram a familiaridade afetiva com a introdução de novos rostos, procurando cativar tanto o público que cresceu com as obras originais como uma geração mais jovem que as descobre agora nas plataformas de streaming.
No centro desta engrenagem de memória e mercado, um objeto singelo condensa a passagem do testemunho. O trailer de “Camp Rock 3” revela que, em determinado momento, surgirá em cena a velha caderneta onde Mitchie Torres escrevia as suas canções. Não é um adereço qualquer: é o caderno que, nos filmes de 2008 e 2010, simbolizava o sonho de uma adolescente que se tornou estrela pop. Agora, pousado entre instrumentos e partituras de uma nova geração, funciona como uma dedicatória silenciosa — um elo entre o que foi e o que está prestes a recomeçar.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O retorno dos mundos adolescentes da Disney e Netflix não tem cobertura nas notícias do Sudeste Asiático, onde o foco está em exercícios militares, astrologia e assuntos locais. A região prioriza questões concretas e superstições populares, ignorando a nostalgia global.
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