
Corrida pela IA inflaciona memória e põe em risco os smartphones baratos
Custo dos chips de memória já representa mais de 60% do valor de um smartphone de entrada, levando fabricantes a subir preços e consumidores a buscar usados.
O custo dos módulos de memória RAM e NAND tornou-se o principal fator de pressão sobre o mercado global de smartphones, sobretudo no segmento de entrada. Uma análise da consultora Omdia revela que, para aparelhos abaixo dos 400 dólares, as memórias já absorvem entre 59% e 64% do custo total dos componentes — uma proporção que duplicou em poucos trimestres. A dinâmica está a encolher as margens dos fabricantes e a provocar uma vaga de aumentos de preços que, na Índia, levou a Samsung a rever em alta as tabelas de modelos como o Galaxy A06 e A07 pela sétima vez este ano, com acréscimos sucessivos de cerca de mil rupias.
A raiz da escassez está na expansão acelerada da infraestrutura de inteligência artificial. A construção de centros de dados para treinar e operar modelos de IA generativa está a sugar a oferta global de DRAM e NAND, as mesmas memórias que equipam telemóveis, computadores e consolas. Em consequência, a Apple advertiu que os custos se tornaram “inevitáveis” e aumentou os preços de MacBooks e iPads em até 300 dólares; a Microsoft fará o mesmo com a Xbox em agosto. No segmento dos smartphones, a Counterpoint Research estima que o iPhone 18 Pro Max terá um custo de componentes quase 300 dólares superior ao do antecessor, com a fatia das memórias a saltar de 10-15% para mais de 20% do total.
A pressão nos preços está a reconfigurar o comportamento dos consumidores. Nos Estados Unidos, plataformas de equipamentos recondicionados como a Back Market registaram um salto de 62% nas vendas de MacBooks no dia seguinte ao anúncio da Apple, enquanto as remessas de smartphones usados deverão crescer 13% no primeiro semestre de 2026, de acordo com a Counterpoint. Em contraste, as expedições de aparelhos novos abaixo dos 400 dólares podem cair 22% este ano, segundo a Omdia, e há fabricantes chineses como Oppo, Vivo e Xiaomi que admitem abandonar por completo o segmento de entrada se a subida dos custos de memória persistir. Em São Francisco, o efeito colateral da bolha da IA é visível no imobiliário: mais de 140 casas foram vendidas por um milhão de dólares acima do preço pedido no primeiro semestre, impulsionadas pela expectativa de novas fortunas com as IPO da OpenAI e da Anthropic.
Apesar da contração de 12% projetada para o mercado global de smartphones em 2026, analistas apontam que a crise de abastecimento de memória poderá começar a aliviar no outono de 2027 ou no início de 2028, à medida que a construção de infraestrutura de IA desacelere e a produção de RAM aumente. Até lá, a indústria eletrónica de consumo deverá conviver com preços mais altos e uma procura crescente por equipamentos recondicionados, num movimento que, segundo observadores em Lisboa, também se começa a notar nos mercados europeus de usados, onde o valor percebido se sobrepõe à novidade.
| Imprensa russa e CEI | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa do Sudeste Asiático | −0.50 | critical |
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
Os aumentos de preços da Samsung e da Apple atingem os consumidores russos, mas o mercado absorve os aumentos.
O bloco russo apresenta os aumentos de preços como fatos inevitáveis do mercado sem investigar as causas profundas relacionadas à IA.
O bloco russo omite o papel da demanda de memória impulsionada pela IA como causa raiz e não menciona o boom das vendas de usados.
A escassez de telefones baratos atinge os consumidores do Sudeste Asiático, enquanto a IA devora a memória.
O bloco do Sudeste Asiático amplifica a previsão de uma queda de 22% para criar um senso de urgência e escassez iminente.
O bloco do Sudeste Asiático omite o crescimento do mercado de usados como resposta do consumidor e não cobre o mercado de PC nem a resiliência da Apple.
Os consumidores atlânticos respondem aos aumentos de preços com produtos usados, enquanto o mercado se reorganiza.
O bloco atlântico equilibra a narrativa de crise com histórias de adaptação do consumidor, criando uma imagem de resiliência.
O bloco atlântico omite a análise detalhada dos rebaixamentos de telefones de gama média (por exemplo, uso de telas mais antigas) e a desaceleração do mercado de PC.
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