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Justiça & Direitoquarta-feira, 8 de julho de 2026

Cortes supremas da América Latina consolidam penas severas, mas revisão de feminicídio argentino gera protesto

Decisões recentes na Argentina, Brasil e Colômbia reafirmam condenações por homicídio e abuso sexual, enquanto recurso processual reabre caso de Talía Recabarren e provoca greve de fome da mãe da vítima.

A Corte Suprema de Justiça da Argentina ordenou a revisão da condenação de Ángel Morales, sentenciado a 16 anos de prisão pelo feminicídio da adolescente Talía Recabarren em 2016, na província de San Juan. O tribunal considerou que o agravamento da pena — inicialmente fixada em 10 anos pelo juiz de menores e depois elevada pela Sala II da Corte provincial — não foi submetido ao duplo grau de jurisdição, conhecido como “doble conforme”. A decisão, assinada pelos ministros Horacio Rosatti, Juan Carlos Maqueda e Ricardo Lorenzetti, não anula a sentença nem liberta o condenado, mas determina que uma nova composição da corte local reexamine exclusivamente o aumento da punição. A mãe da vítima, Anabella Recabarren, anunciou que iniciará uma greve de fome e se acorrentará em casa até que a Justiça mantenha a pena, afirmando que “se para ele vai haver justiça, para a minha filha também tem de haver”.

Na mesma semana, a própria Corte Suprema argentina rejeitou recursos da defesa e tornou definitivas duas outras condenações: a de Piero Michel Lucero Rodríguez, a nove anos de prisão pelo homicídio da mulher trans Priscila Ponce Nieto na Villa Zavaleta, e a de Jorge Eduardo Dubiau, a 12 anos e 10 meses por abuso sexual reiterado da própria filha em Carlos Casares. Em ambos os casos, os juízes Rosatti, Carlos Rosenkrantz e Lorenzetti aplicaram o artigo 280 do Código Processual Civil e Comercial para declarar inadmissíveis os pedidos, sem reexame de mérito. Na perspetiva de analistas jurídicos em Buenos Aires, a sequência de decisões revela um tribunal que, ao mesmo tempo, blinda condenações baseadas em provas robustas e exige o cumprimento estrito de garantias processuais quando há alteração de pena, mesmo em crimes de grande comoção social.

No Brasil, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a pena de 83 anos de prisão imposta a César Francisco Moranza Júnior pelo assassinato da ex-namorada e do filho dela em Hortolândia (SP). O ministro Messod Azulay Neto rejeitou o habeas corpus que alegava excesso na punição por ocultação de cadáver e reconhecimento indevido de maus antecedentes, considerando que a sentença respeitou critérios legais e se baseou em planejamento prévio e crueldade. Na Colômbia, a Sala de Casación Penal da Corte Suprema deixou firme a condenação de 41 anos do major reformado Oscar Iván Hernández Bermúdez pelo homicídio da esposa e tentativa de homicídio da ex-sogra, em Barrancabermeja, rejeitando a alegação de que acordos probatórios teriam violado a presunção de inocência. Observadores em Brasília e Bogotá notam que os tribunais superiores de ambos os países têm reiterado a validade de penas elevadas quando fundamentadas em elementos concretos, sinalizando pouca margem para revisões baseadas em questionamentos formais.

Fora da América Latina, o Supremo Tribunal do Ohio, nos Estados Unidos, analisa um recurso da defesa de Mackenzie Shirilla, condenada a duas penas perpétuas com possibilidade de liberdade condicional após 15 anos por provocar deliberadamente um acidente de carro que matou o namorado e um amigo. A petição foi rejeitada por ter sido apresentada um dia após o prazo, mas os advogados atribuem o atraso a um erro de cálculo relacionado a um ano bissexto e a atrasos em transcrições de um tribunal de menores. Na Rússia, um homem libertado em março após cumprir pena por crimes sexuais contra menores foi condenado a 17 anos de prisão por novo abuso contra uma menina de nove anos em Sevastopol, evidenciando, segundo fontes do Comité de Investigação russo, a reincidência como fator de agravamento. A nova sala da Corte de San Juan deve ouvir os argumentos da defesa de Morales em agosto, enquanto a família de Talía Recabarren mantém a pressão pública para que a pena não seja reduzida.

Divergência — quem conta como
29%Média
3 blocos · posições de −0.80 a −0.10
CríticoFavorável
LATRUSATL
Divergência entre blocos de imprensa
Imprensa latino-americana−0.10neutral
Imprensa russa e CEI−0.80critical
Imprensa atlântica / anglosfera−0.30critical
Imprensa latino-americana−0.10
Voz

Latin American courts balance guarantees and victims, but the right to double review remains inviolable.

Mecanismogiudizializzazione

Emphasizes legal complexity, presenting each decision as a balancing act between opposing principles, without taking a clear stance.

CeticismoPragmatismoDistanciamentoVozes divididas
Imprensa russa e CEI−0.80
Voz

Russia demands certain sentences and no leniency for repeat offenders: parole is an unacceptable risk.

Mecanismoescalation simmetrica

Starts from a concrete case and generalizes it as proof of systemic failure, pushing for a punitive response without exceptions.

AlarmeIndignaçãoRevanchismo
Imprensa atlântica / anglosfera−0.30
Voz

Victims and their families demand that sentences be final and that appeals do not empty justice.

Mecanismopersonificazione della vittima

Gives voice to victims through messages and statements, creating empathy and pushing the reader to side against the perpetrators.

IndignaçãoPragmatismoCeticismoVozes divididas

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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Cortes supremas da América Latina consolidam penas severas, mas revisão de feminicídio argentino gera protesto

Decisões recentes na Argentina, Brasil e Colômbia reafirmam condenações por homicídio e abuso sexual, enquanto recurso processual reabre caso de Talía Recabarren e provoca greve de fome da mãe da vítima.

A Corte Suprema de Justiça da Argentina ordenou a revisão da condenação de Ángel Morales, sentenciado a 16 anos de prisão pelo feminicídio da adolescente Talía Recabarren em 2016, na província de San Juan. O tribunal considerou que o agravamento da pena — inicialmente fixada em 10 anos pelo juiz de menores e depois elevada pela Sala II da Corte provincial — não foi submetido ao duplo grau de jurisdição, conhecido como “doble conforme”. A decisão, assinada pelos ministros Horacio Rosatti, Juan Carlos Maqueda e Ricardo Lorenzetti, não anula a sentença nem liberta o condenado, mas determina que uma nova composição da corte local reexamine exclusivamente o aumento da punição. A mãe da vítima, Anabella Recabarren, anunciou que iniciará uma greve de fome e se acorrentará em casa até que a Justiça mantenha a pena, afirmando que “se para ele vai haver justiça, para a minha filha também tem de haver”.

Na mesma semana, a própria Corte Suprema argentina rejeitou recursos da defesa e tornou definitivas duas outras condenações: a de Piero Michel Lucero Rodríguez, a nove anos de prisão pelo homicídio da mulher trans Priscila Ponce Nieto na Villa Zavaleta, e a de Jorge Eduardo Dubiau, a 12 anos e 10 meses por abuso sexual reiterado da própria filha em Carlos Casares. Em ambos os casos, os juízes Rosatti, Carlos Rosenkrantz e Lorenzetti aplicaram o artigo 280 do Código Processual Civil e Comercial para declarar inadmissíveis os pedidos, sem reexame de mérito. Na perspetiva de analistas jurídicos em Buenos Aires, a sequência de decisões revela um tribunal que, ao mesmo tempo, blinda condenações baseadas em provas robustas e exige o cumprimento estrito de garantias processuais quando há alteração de pena, mesmo em crimes de grande comoção social.

No Brasil, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a pena de 83 anos de prisão imposta a César Francisco Moranza Júnior pelo assassinato da ex-namorada e do filho dela em Hortolândia (SP). O ministro Messod Azulay Neto rejeitou o habeas corpus que alegava excesso na punição por ocultação de cadáver e reconhecimento indevido de maus antecedentes, considerando que a sentença respeitou critérios legais e se baseou em planejamento prévio e crueldade. Na Colômbia, a Sala de Casación Penal da Corte Suprema deixou firme a condenação de 41 anos do major reformado Oscar Iván Hernández Bermúdez pelo homicídio da esposa e tentativa de homicídio da ex-sogra, em Barrancabermeja, rejeitando a alegação de que acordos probatórios teriam violado a presunção de inocência. Observadores em Brasília e Bogotá notam que os tribunais superiores de ambos os países têm reiterado a validade de penas elevadas quando fundamentadas em elementos concretos, sinalizando pouca margem para revisões baseadas em questionamentos formais.

Fora da América Latina, o Supremo Tribunal do Ohio, nos Estados Unidos, analisa um recurso da defesa de Mackenzie Shirilla, condenada a duas penas perpétuas com possibilidade de liberdade condicional após 15 anos por provocar deliberadamente um acidente de carro que matou o namorado e um amigo. A petição foi rejeitada por ter sido apresentada um dia após o prazo, mas os advogados atribuem o atraso a um erro de cálculo relacionado a um ano bissexto e a atrasos em transcrições de um tribunal de menores. Na Rússia, um homem libertado em março após cumprir pena por crimes sexuais contra menores foi condenado a 17 anos de prisão por novo abuso contra uma menina de nove anos em Sevastopol, evidenciando, segundo fontes do Comité de Investigação russo, a reincidência como fator de agravamento. A nova sala da Corte de San Juan deve ouvir os argumentos da defesa de Morales em agosto, enquanto a família de Talía Recabarren mantém a pressão pública para que a pena não seja reduzida.

Divergência — quem conta como
29%Média
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Emphasizes legal complexity, presenting each decision as a balancing act between opposing principles, without taking a clear stance.

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