
São Paulo aplica multas via câmeras com IA enquanto outras cidades latinas testam tecnologias de trânsito
Iniciativas em São Paulo, Mendoza, Lima e Santa Monica mostram diferentes modelos de fiscalização eletrônica, entre inteligência artificial, denúncias cidadãs e desafios de implementação.
A partir de 3 de agosto, câmeras com inteligência artificial em dois pontos da rodovia Raposo Tavares, na capital paulista, passarão a gerar multas para motoristas flagrados usando celular ou sem cinto de segurança. A tecnologia, já testada em outras estradas do estado, detecta a possível infração e envia a imagem à Polícia Militar Rodoviária, que confirma a irregularidade antes da emissão da autuação. Em 28 dias de monitoramento no Rodoanel Sul e Leste, por exemplo, 4.879 veículos foram flagrados — 2.420 condutores sem cinto, 1.440 passageiros na mesma situação e 1.019 usando celular. As multas, de R$ 195,23 por falta de cinto (infração grave) e R$ 293,47 por manuseio de telefone (gravíssima), somam pontos na carteira.
O estado de São Paulo expande a fiscalização eletrônica com câmeras capazes de identificar, no futuro, outras condutas como tráfego no acostamento. No Rodoanel Mário Covas, está prevista a instalação de equipamentos com reconhecimento facial para combater assaltos. Fora do Brasil, a cidade de Santa Monica, na Califórnia, já aplica multas de US$ 93 a veículos parados em ciclovias, detectados por câmeras com IA instaladas em carros de fiscalização de estacionamento. Em média, são 150 autuações mensais, com o objetivo declarado de melhorar a segurança viária, não a arrecadação.
Na Argentina, a província de Mendoza adotou um caminho diferente: pelo programa Modo Testigo, cidadãos podem enviar fotos e vídeos de infrações via WhatsApp, mas, na primeira etapa, o material serve apenas para campanhas educativas, sem aplicação de multas. A Direção de Segurança Vial analisa os registros e pode divulgá-los, preservando a identidade dos envolvidos. Uma segunda fase, prevista para breve, integrará a ferramenta ao aplicativo Mendoza × Mí e adicionará validação automática de metadados, como localização e horário. A medida foi celebrada por autoridades locais como complemento ao trabalho dos órgãos de controle.
No Peru, a plataforma Lima Reporta, usada por inspetores municipais para documentar infrações com celulares, enfrentou resistência. Em San Miguel, cerca de 34 mil multas foram questionadas por suposta falta de sinalização adequada, levando a uma suspensão temporária e à formação de uma mesa técnica para revisão. Analistas ouvidos pela imprensa local alertam para a necessidade de notificação eletrônica válida e de sinalização clara nas vias fiscalizadas. A multiplicidade de modelos na região reflete a busca por mecanismos mais eficientes de controle, mas também evidencia os dilemas entre tecnologia, privacidade e justiça nas sanções de trânsito.
| Imprensa latino-americana | +0.30 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
Citizens become guardians of road safety, collaborating with the state to prevent accidents without immediate penalties.
The preventive and educational character is emphasized, presenting technology as an awareness tool that avoids direct confrontation with offenders.
The eventual imposition of fines in the long term, as well as costs and privacy issues, are omitted.
Santa Monica adopts an automated surveillance system that imposes immediate fines on those blocking bike lanes, justifying public expenditure with violation data.
The efficiency of the system and deterrence through economic penalties are highlighted, normalizing surveillance as a technical solution.
The context of other cities implementing similar systems with a preventive approach is omitted, and potential algorithmic bias or privacy invasion is not questioned.
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