
Alemanha lança pacote de 34 reformas para reativar economia e travar avanço da extrema-direita
Alívio fiscal de 10 mil milhões de euros, flexibilização de contratos e exigência de atestado médico desde o primeiro dia de baixa estão entre as medidas anunciadas pela coligação de Friedrich Merz.
O governo de coligação alemão, liderado pelo chanceler Friedrich Merz, anunciou a 2 de julho um conjunto de 34 medidas destinadas a estimular o crescimento económico e o emprego. O pacote, negociado entre a União Democrata-Cristã (CDU/CSU) e o Partido Social-Democrata (SPD), inclui um alívio fiscal de 10 mil milhões de euros anuais, centrado nas famílias de rendimentos baixos e médios, uma reforma do sistema de pensões que elevará gradualmente a idade da reforma para além dos 67 anos, e alterações nas regras laborais, como a possibilidade de contratos a termo até 48 meses e a obrigatoriedade de apresentar atestado médico a partir do primeiro dia de ausência por doença.
Na perspetiva do executivo, as reformas representam um “grande passo em frente” para “pôr a Alemanha de novo em movimento”, nas palavras de Merz. O vice-chanceler e ministro das Finanças, Lars Klingbeil, sublinhou que os mais ricos assumirão uma fatia maior da carga fiscal, com a criação de duas novas taxas marginais de 45% para rendimentos tributáveis a partir de 250 mil euros e de 47% a partir de 280 mil euros. Contudo, economistas de institutos alemães manifestaram ceticismo. O presidente do Ifo, Clemens Fuest, afirmou que o efeito no crescimento será “positivo, mas pequeno”, lamentando a ausência de medidas de redução da despesa pública. Já o presidente do Instituto Kiel para a Economia Mundial, Moritz Schularick, considerou que o impacto “se aproxima de zero” sem um corte profundo na burocracia, enquanto Marcel Fratzscher, do DIW, classificou o pacote como “simbólico”.
Do lado empresarial, a confederação patronal BDA saudou uma “correção de rumo”, e o presidente do Deutsche Bank, Christian Sewing, elogiou o “impulso bem-sucedido”. Em contrapartida, o sindicato IG Metall denunciou as medidas laborais como “um ataque aos direitos dos trabalhadores”. A reforma das baixas médicas, que elimina a possibilidade de notificação telefónica, foi justificada pelo governo com a necessidade de reduzir o absentismo, que na Alemanha atinge uma média de 18 dias por ano, o dobro da média sueca, segundo dados europeus. A medida gerou críticas da classe médica, que alerta para a sobrecarga dos consultórios.
O anúncio surge num momento de fragilidade política e económica. A economia alemã, a maior da Europa, registou dois anos consecutivos de contração antes de um crescimento modesto em 2025, e as previsões oficiais apontam para apenas 0,5% em 2026, pressionada pelos custos energéticos, pela concorrência chinesa e pelas tensões comerciais com os EUA. A coligação, no poder desde maio de 2025, enfrenta níveis recorde de impopularidade e a ascensão do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que lidera as sondagens nacionais e poderá vencer as eleições regionais de setembro nos estados do leste. Na leitura de analistas em Berlim, o pacote visa também recuperar a confiança dos eleitores que se afastaram dos partidos do centro.
O governo pretende aprovar os principais elementos do pacote no parlamento até ao final de 2026. As medidas fiscais, cujo impacto pleno está previsto para 2028, representam, segundo o Ministério das Finanças, um alívio anual superior a 600 euros para uma família trabalhadora com dois filhos e um rendimento coletável de 60 mil euros. A coligação comprometeu-se ainda a pressionar por regras mais duras a nível europeu contra a concorrência desleal e a reforçar o controlo do investimento estrangeiro em setores estratégicos, numa referência implícita à China.
| Imprensa russa e CEI | −0.40 | critical |
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| Imprensa indiana e sul-asiática | 0.00 | neutral |
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