
Cessar-fogo no Líbano entra em vigor sob pressão dos EUA, mas violações persistem
Acordo mediado por Washington visa facilitar negociações nucleares com o Irão, mas Telavive condiciona retirada ao desarmamento do Hezbollah e incidentes armados já ameaçam a pausa.
Um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah entrou em vigor na sexta-feira, 26 de junho, após intensa pressão do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre Telavive. O acordo, mediado pelos Estados Unidos com o apoio do Qatar e do Irão, segundo fontes diplomáticas em Washington, visa conter a escalada no sul do Líbano e criar condições para as negociações entre Washington e Teerão sobre o programa nuclear iraniano. Contudo, as primeiras horas da trégua foram marcadas por ataques aéreos israelitas e pela morte de civis e combatentes, ilustrando a fragilidade do entendimento.
De acordo com responsáveis israelitas, as Forças de Defesa de Israel manterão as suas tropas no sul do Líbano enquanto o Hezbollah não for desarmado e a região não for desmilitarizada. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa, Israel Katz, reiteraram que a liberdade de ação militar permanece total, rejeitando qualquer calendário de retirada. O Hezbollah, por sua vez, acusou Israel de uma violação “flagrante” do cessar-fogo, após um ataque com drone que matou três civis, e afirmou que se trata da terceira transgressão israelita desde o início da pausa. O exército israelita confirmou ter abatido militantes do Hezbollah que representavam uma ameaça, enquanto o Ministério da Saúde libanês reportou pelo menos sete mortos em incidentes esta semana.
Na perspetiva de Washington, o cessar-fogo no Líbano é um elemento tático de uma estratégia mais ampla: destravar as conversações com o Irão, que incluem um memorando de entendimento com uma janela de 60 dias para negociar sanções, inspeções nucleares e segurança regional. O vice-presidente JD Vance classificou o acordo como uma “base sólida” para um entendimento final, e o enviado especial Steve Witkoff já se encontra a caminho da Suíça para a primeira ronda de conversações. A administração Trump, segundo analistas em Washington, procura reabrir o Estreito de Ormuz e obter o regresso dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica, ao mesmo tempo que enfrenta resistências internas em Israel, onde vários ministros criticaram abertamente o memorando com o Irão e rejeitaram o que consideram ser uma imposição norte-americana.
A situação permanece volátil. Enquanto decorrem em Washington discussões entre representantes libaneses e israelitas sobre uma retirada faseada das tropas, o Hezbollah condiciona a sua contenção ao fim das operações militares israelitas. Em Brasília, a diplomacia acompanha os desdobramentos com atenção, dado o potencial impacto nos preços do petróleo e nas cadeias energéticas globais. O dossier está longe de encerrado: a próxima ronda de conversações entre Washington e Teerão está prevista para as próximas semanas, e a consolidação da trégua dependerá da capacidade de conter as violações no terreno e de alinhar as exigências de segurança israelitas com o calendário negocial norte-americano.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Analistas de segurança israelitas questionam a linha dura de Netanyahu, vendo a recusa em retirar-se do Líbano como uma aposta que se desfaz sob pressão americana. O cessar-fogo é frágil e a insistência de Israel arrisca isolá-lo, enquanto Washington dá prioridade aos seus próprios interesses estratégicos.
Israel viola flagrantemente o cessar-fogo ao matar civis e recusar-se a retirar. O Hezbollah denuncia a agressão e alerta para consequências, retratando o Estado judaico como um ocupante que desrespeita acordos. O acordo mediado pelos EUA já parece um fracasso.
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