
Casa Branca pede US$ 88 bi ao Congresso para cobrir custos da guerra com o Irão
Pacote suplementar destina 67 mil milhões ao Pentágono e inclui verbas para desmantelamento nuclear iraniano, ajuda agrícola e combate ao Ébola, num contexto de forte resistência democrata e divisões republicanas.
A administração Trump submeteu ao Congresso um pedido de financiamento suplementar de 87,6 mil milhões de dólares, centrado nas despesas da operação “Epic Fury” contra o Irão. Do total, 67,1 mil milhões destinam-se ao Departamento de Defesa, dos quais 21 mil milhões se dirigem à reposição de munições, 17,3 mil milhões a custos operacionais e 12,1 mil milhões a programas classificados, segundo o documento enviado pelo diretor do Gabinete de Gestão e Orçamento, Russell Vought. O pacote inclui ainda 300 milhões para segurança de embaixadas no Médio Oriente e Sul da Ásia, 11 mil milhões para agricultores norte-americanos, 1,4 mil milhões para conter o surto de Ébola na África Central e 672 milhões para a remoção de materiais nucleares iranianos e atividades de verificação.
A iniciativa chega num momento de tensão entre o executivo e o Senado. Na véspera, uma resolução bipartidária que limitava os poderes de guerra do presidente fora aprovada com os votos de quatro republicanos, levando Trump a classificá-la como “inoportuna e inútil”. Horas depois, uma segunda resolução semelhante foi rejeitada por 50 votos contra 47, após o senador Bill Cassidy, um dos dissidentes, ter alterado o sentido de voto depois de uma reunião com o vice-presidente J.D. Vance. Na perspetiva de analistas em Washington, a manobra revela a capacidade da Casa Branca para inverter posições no seu próprio campo, mas também a fragilidade de um pedido orçamental que necessita de 60 votos no Senado, exigindo apoios democratas que, até agora, não se materializaram.
O financiamento para a vertente nuclear do dossiê iraniano introduz um novo elemento de fricção. De acordo com a proposta, os 672 milhões de dólares serviriam para remover hexafluoreto de urânio (UF6), urânio em várias formas e combustível de reator de investigação, além de apoiar inspeções da Agência Internacional de Energia Atómica e eventuais atividades de verificação dos EUA em território iraniano. Em Teerão, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi, afirmou que não há planos para inspeções às instalações danificadas de Fordo, Natanz e Isfahan enquanto não houver um “acordo final”. A contradição entre a exigência de verificação e a posição iraniana projeta incerteza sobre a implementação do memorando de entendimento que estabeleceu o cessar-fogo.
Observadores em Brasília e Lisboa notam que o pacote transcende a lógica estritamente militar. A inclusão de 1,4 mil milhões para o Ébola na África Central tem impacto potencial em países lusófonos como Angola e Moçambique, que partilham riscos sanitários transfronteiriços, enquanto a ajuda agrícola de 11 mil milhões pode gerar distorções comerciais com reflexos nos mercados globais de commodities. A líder democrata na Comissão de Apropriações, Patty Murray, resumiu a oposição ao afirmar que Trump “lançou uma guerra imprudente e agora pede aos contribuintes que paguem a conta”. O pedido segue agora para negociação nas duas câmaras, com votação ainda sem data marcada, mas sob a pressão de um Pentágono que, segundo o secretário da Defesa Pete Hegseth, necessita de fundos urgentes para recompor os arsenais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A administração dos EUA pediu ao Congresso bilhões adicionais para cobrir os custos da operação militar contra o Irã, com uma parte significativa destinada a repor munições e despesas operacionais. O pedido é apresentado como uma questão orçamentária de rotina, embora ressalte a escala do engajamento do Pentágono.
O pedido da Casa Branca de quase 88 mil milhões de dólares é visto como um desafio direto ao Congresso, surgindo um dia após uma resolução bipartidária que visava limitar os poderes de guerra do presidente. A medida é interpretada como um gesto desafiador de Trump, que classificou a resolução como inoportuna e inútil, intensificando o impasse político.
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