
Cardeal de Rabat afasta-se após acusações de abuso sexual por cinco mulheres
Cristóbal López Romero nega as acusações e anuncia retirada temporária das funções enquanto o Vaticano conduz uma investigação preliminar.
O cardeal Cristóbal López Romero, arcebispo de Rabat, anunciou nesta terça-feira o seu afastamento temporário das funções públicas, depois de pelo menos cinco mulheres o terem acusado de conduta sexual inapropriada. O religioso espanhol, de 74 anos, nega qualquer irregularidade e afirma cooperar com a investigação preliminar aberta pelo Vaticano, segundo um comunicado da arquidiocese marroquina.
De acordo com uma investigação da agência France-Presse, uma mulher reformada que colaborava ativamente com a Igreja relatou agressões sexuais repetidas, embora não tenha autorizado a divulgação dos pormenores. Outra queixosa apresentou um testemunho escrito à nunciatura apostólica em Rabat, descrevendo “abraços particularmente insistentes e prolongados” e uma tentativa de beijo da qual diz ter escapado com dificuldade. Uma fonte diocesana indicou que pelo menos outras três mulheres terão sido vítimas de atos semelhantes, alguns dos quais terão sido revelados em confissão, o que a AFP não conseguiu verificar de forma independente.
Na sua declaração, López Romero assegura que “não cometi qualquer agressão, violência ou assédio sexual” e que se coloca à disposição das autoridades eclesiásticas. “Durante este período de investigação, para não a obstruir, vou manter-me à margem, não presidindo a nenhuma celebração pública nem intervindo em qualquer atividade pastoral”, escreveu. A Santa Sé remeteu para o comunicado do cardeal e não fez comentários adicionais. O caso está a ser tratado pelo Dicastério para os Bispos, e não pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, uma vez que as denúncias envolvem adultos, segundo o diário espanhol El País.
Criado cardeal por Francisco em 2019, o salesiano foi apontado como um dos nomes com possibilidades de suceder ao papa no conclave de 2025, mas retirou a candidatura dias antes da votação. Observadores em Roma notam que o episódio testa a política de tolerância zero promovida pelo pontificado de Francisco, enquanto críticos apontam para a persistência de uma cultura de encobrimento. Em Marrocos, não foi apresentada qualquer queixa-crime, mas a advogada Nadia Debbache, especialista em violência sexual, afirmou à AFP que os atos descritos podem configurar “assédio sexual agravado e tentativa de agressão sexual agravada”, devido ao abuso de autoridade. A investigação canónica encontra-se na fase preliminar, sem prazo definido, e o cardeal permanece formalmente no cargo, embora afastado da vida pública.
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O Vaticano investiga, o cardeal nega: os fatos são apresentados sem comentários.
Ao citar múltiplas fontes e incluir a negação do cardeal, o relatório estabelece credibilidade através de um equilíbrio de fontes.
A potencial candidatura papal do cardeal torna este escândalo particularmente notável para a Igreja Católica global.
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O relatório não inclui citações diretas das acusadoras ou detalhes das alegações, concentrando-se na resposta institucional e no status do cardeal.
O cardeal é acusado, o Vaticano investiga, e o assunto é tratado através dos canais eclesiásticos apropriados.
Ao apresentar a história como uma investigação de rotina com a cooperação do cardeal, o relatório normaliza o escândalo e evita o sensacionalismo.
O relatório não menciona o status anterior do cardeal como potencial candidato papal, o que poderia ter adicionado uma camada de significado.
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