
Irã vê vitória escapar por milímetros e denuncia “Copa desastrosa”
Após empate com o Egito, o Irã depende de combinação de resultados para avançar; capitão Taremi critica a Fifa e as restrições de viagem impostas pelos Estados Unidos.
O grito de classificação ficou preso na garganta. Aos 48 minutos do segundo tempo, o zagueiro Shoja Khalilzadeh empurrou a bola para as redes e correu para a linha lateral, arrancou a camisa, pôs óculos escuros e posou para a foto que parecia selar a vitória por 2 a 1 sobre o Egito. O banco iraniano invadiu o gramado do Lumen Field, em Seattle. Mas a euforia durou menos de um minuto: o árbitro polonês Szymon Marciniak foi chamado pelo VAR e anulou o lance por impedimento milimétrico — a ponta do pé direito do defensor estava à frente do último adversário. Minutos depois, Saeid Ezatolahi ainda acertou o travessão. O empate em 1 a 1 deixou o Irã na terceira posição do Grupo G, com três pontos, à espera de uma improvável combinação de resultados para seguir como um dos oito melhores terceiros colocados.
O jogo havia começado com um ritmo vertiginoso. Logo aos cinco minutos, o egípcio Mahmoud Saber aproveitou rebote do goleiro Alireza Beiranvand após finalização de Mohamed Salah e abriu o placar. A resposta iraniana veio em sequência: Mehdi Taremi sofreu pênalti, mas cobrou mal e viu o goleiro Mostafa Shobeir defender. Aos 14, porém, Ramin Rezaeian empatou com um chute de ângulo quase impossível, após nova defesa de Shobeir. O restante da partida alternou tentativas de controle egípcio e lampejos iranianos, até o desfecho dramático. O Egito, já classificado, terminou em segundo lugar no grupo, atrás da Bélgica — que goleou a Nova Zelândia por 5 a 1 —, e enfrentará a Austrália nas oitavas de final.
Na zona mista, o capitão Taremi não poupou palavras. “Esta é uma Copa do Mundo desastrosa. Um desastre”, disparou. O atacante do Olympiacos denunciou as condições logísticas impostas à delegação: por restrições migratórias dos Estados Unidos, o time não pode permanecer em território americano entre as partidas e é obrigado a retornar a Tijuana, no México, enfrentando horas de controles fronteiriços a cada deslocamento. “Como jogadores profissionais, numa competição profissional, isto não é justo. Se para a Fifa é justo, ótimo para eles. Mas não é justo. Quem quer nos ajudar? Ninguém”, afirmou. Taremi revelou ainda que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, visitou o vestiário após a estreia contra a Nova Zelândia e prometeu resolver os problemas, mas “não fez nada”. Questionado se a organização desejava a eliminação iraniana, respondeu: “Fizeram tudo o possível para nos eliminar. Da nossa perspetiva, sim, acredito que nos querem fora”.
O desabafo ecoou um mal-estar que transcende o campo. A imprensa do Oriente Médio e analistas europeus notaram que o Irã precisou transferir seu centro de treinamento de Tucson, no Arizona, para Tijuana, depois que 15 integrantes da comitiva, incluindo membros da comissão técnica e pessoal de apoio, tiveram vistos negados. O técnico Amir Ghalenoei classificou o tratamento como “terrível” e “injusto”. No vestiário, a seleção deixou uma carta manuscrita agradecendo a hospitalidade de Seattle e invocando o fair play: “Talvez se possam ganhar pontos de muitas formas, mas o respeito não se ganha. Uma equipa pode classificar-se, mas só com integridade e honra se permanece de pé perante a história”. O texto trazia o número 168, referência às vítimas de um ataque aéreo a uma escola em Minab, em fevereiro, que elevou a tensão entre Washington e Teerã.
Com três empates em três jogos, o Irã jamais perdeu nesta Copa, mas também jamais venceu. Agora, precisa torcer por tropeços de Croácia, Argélia ou República Democrática do Congo neste sábado para herdar uma vaga. A expectativa é angustiante: se os resultados não ajudarem, a seleção persa dará adeus ao torneio sem ter sido derrotada, mas carregando a sensação de que a batalha foi travada em duas frentes — e em ambas, os centímetros lhe foram adversários.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O capitão iraniano acusa abertamente a FIFA e os Estados Unidos de um complô para eliminar sua equipe da Copa do Mundo. As restrições de viagem e o gol anulado são lidos como peças de uma manobra geopolítica mais ampla, transformando o campo em um ringue de resistência contra a injustiça imperial.
O capitão do Irã ataca a FIFA depois que uma intervenção cruel do VAR privou sua equipe da classificação direta. A fúria pelo gol anulado se mistura à denúncia de uma Copa desastrosa, mas a narrativa permanece ancorada na crônica esportiva e em suas controvérsias técnicas.
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