
Burnham promete mais sanções a Israel e admite atraso do Reino Unido em pedir cessar-fogo
Provável novo primeiro-ministro britânico critica gestão de Starmer e anuncia medidas contra colonatos ilegais e violência em Gaza.
Andy Burnham, dado como certo para suceder a Keir Starmer na chefia do governo britânico ainda este mês, afirmou que o Reino Unido deve aumentar a pressão sobre Israel, incluindo novas sanções e a proibição do comércio de bens com colonatos considerados ilegais. Em entrevista ao diário The Guardian, citada pela imprensa britânica, o atual deputado trabalhista criticou a resposta inicial de Starmer à ofensiva militar israelita em Gaza, em outubro de 2023, e reconheceu que Londres foi “demasiado lenta a apelar a um cessar-fogo”. A declaração sinaliza uma inflexão na política externa do Partido Trabalhista, que sob Starmer impôs sanções a ministros da ala direita israelita e reconheceu formalmente o Estado palestiniano, mas que, na leitura de Burnham, ficou aquém do necessário.
A tomada de posição ocorre num momento de transição interna. Starmer anunciou a 22 de junho a sua saída, e Burnham é o único candidato à liderança do partido, o que torna praticamente certa a sua nomeação. De acordo com a imprensa britânica, o futuro primeiro-ministro pediu desculpa pela atuação inicial dos trabalhistas, admitindo que o partido “não acertou”, e procura reconquistar eleitores descontentes com a posição anterior. Em paralelo, condenou o antissemitismo e os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023, equilibrando o discurso.
Na perspetiva de fontes israelitas, o governo de Benjamin Netanyahu mantém operações militares em Gaza, justificando-as com ameaças ou fogo do Hamas, apesar do cessar-fogo alcançado em 2025 que pôs fim a dois anos de guerra. Já a imprensa russa, como o Lenta.ru, destaca que Burnham acusou Israel de violar o acordo de trégua, de permitir um “surto de violência dos colonos” na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental e de expandir colonatos ilegais, minando a solução de dois Estados. Observadores no Médio Oriente, citados pelo diário libanês An-Nahar, sublinham o compromisso de Burnham em reforçar a pressão, ecoando a frustração regional com a lentidão ocidental.
A agenda anunciada por Burnham poderá aproximar Londres de parceiros europeus mais críticos de Israel e reconfigurar as relações comerciais bilaterais. O futuro primeiro-ministro indicou ainda que avaliará a proibição de novas vendas de armas, embora sem classificar as ações em Gaza como genocídio, notando, porém, indícios crescentes de crimes de guerra. A nomeação formal está prevista para as próximas semanas, altura em que se espera uma revisão das orientações diplomáticas. O dossiê permanece em aberto, com a continuidade das hostilidades a testar os limites do cessar-fogo.
| Imprensa israelense | −0.50 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
| Imprensa russa e CEI | +0.20 | neutral |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | +0.50 | aligned |
Israel denuncia o anúncio de Burnham como um ato hostil e injustificado que ignora o contexto de segurança do ataque do Hamas.
Enfatiza o contexto de segurança do ataque do Hamas para justificar sua posição e deslegitimar as sanções.
Omite o contexto das violações do direito internacional por Israel, como a expansão dos assentamentos, que justificariam as sanções.
O Reino Unido está considerando uma mudança de política em relação a Israel, com Burnham prometendo mais pressão.
Relata fatos sem julgamento, deixando a avaliação ao leitor.
A Rússia apoia a pressão sobre Israel, destacando as violações israelenses como causa das sanções.
Atribui a responsabilidade das sanções às ações israelenses, invertendo a narrativa de autodefesa.
Omite o ataque do Hamas em 7 de outubro como gatilho do conflito, apresentando Israel como o único agressor.
O mundo árabe acolhe a decisão de Burnham de sancionar Israel, vista como um passo em direção à justiça para os palestinos.
Apresenta a pressão sobre Israel como um dever moral e legal, baseado no direito internacional.
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