
Burnham inaugura escritório em Manchester para reequilibrar poder no Reino Unido
O primeiro-ministro britânico abriu o 'Number 10 North' e anunciou alívio fiscal para pubs, enquanto promete transferir decisões de Londres para as regiões.
O novo primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, inaugurou em Manchester um gabinete governamental descentralizado, apelidado de “Number 10 North”, com o objetivo de acelerar a devolução de poderes às autoridades locais. A partir de agora, Burnham trabalhará no local pelo menos um dia por semana, e a primeira reunião do Conselho Económico Nacional, presidida por ele, contou com a participação de presidentes de câmara regionais e ministros seniores. Segundo comunicado do governo, o espaço servirá como “sala de situação para o crescimento”, coordenando a política económica regional e a transferência de competências.
Na perspetiva de Downing Street, a abertura do gabinete representa “o maior reequilíbrio de poder que o país já viu”. Burnham declarou que, durante quatro décadas, recursos e decisões foram “sugados para o centro”, fazendo com que comunidades se sentissem esquecidas. O governo sustenta que a iniciativa porá “mais poder em cada código postal” e marca o fim da resistência de Whitehall à descentralização. Em artigo no jornal The Guardian, o primeiro-ministro afirmou que o novo polo coordenará a reindustrialização e removerá barreiras à regeneração, como a construção de habitação social e a expansão dos transportes públicos.
Paralelamente, Burnham anunciou um corte de 20% nas taxas comerciais (business rates) para pubs, clubes e salas de música, excetuando os maiores estabelecimentos, a vigorar a partir de abril de 2027. A medida, com custo estimado de 100 milhões de libras, será financiada pela revisão de isenções fiscais a negócios como lojas de vaporizadores, considerados pelo executivo como de contributo “não positivo” para as comunidades. Representantes do setor hoteleiro acolheram a iniciativa, mas alertaram que a poupança média anual de 1.100 libras por pub é insuficiente face à elevada carga fiscal, sobretudo do IVA, e ao encerramento de cerca de 860 estabelecimentos por ano, segundo um relatório setorial citado pela imprensa britânica. A exclusão dos grandes locais gera dúvidas que só serão esclarecidas no Orçamento de outono.
O foco no Norte suscitou questões sobre um possível desequilíbrio em relação a outras regiões, como o Leste de Inglaterra. Burnham respondeu que a descentralização beneficiará “todos os códigos postais”, incluindo cidades como Harlow. O gabinete londrino de Downing Street continuará a funcionar normalmente. Para países lusófonos como Portugal — onde a descentralização regional é debatida há décadas — e o Brasil, que já opera num modelo federativo, a experiência britânica oferece um novo capítulo de comparação sobre os efeitos de transferir poder para o nível local. As próximas reuniões do Conselho Económico poderão incluir líderes empresariais e sindicais, e o governo está sob pressão para detalhar o financiamento e o calendário das reformas.
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