
Bélgica goleia EUA e provoca Trump após polêmica com cartão vermelho
Com direito a dancinha e ironia nas redes, belgas eliminam anfitriões em meio a escândalo de interferência política na Copa do Mundo de 2026.
A Bélgica atropelou os Estados Unidos por 4 a 1 em Seattle e carimbou a vaga nas quartas de final com uma atuação que ecoou muito além do placar. Charles De Ketelaere abriu o placar aos nove minutos, Malik Tillman empatou para os anfitriões, mas o próprio De Ketelaere recolocou os belgas à frente ainda no primeiro tempo. Na etapa final, Hans Vanaken ampliou e Romelu Lukaku, já nos acréscimos, fechou a goleada. Folarin Balogun, pivô da maior controvérsia do torneio, passou quase invisível: tocou na bola apenas dez vezes no primeiro tempo e foi substituído aos 47 do segundo, sem conseguir finalizar com perigo.
A partida foi disputada sob o peso de uma intervenção inédita. O atacante americano havia sido expulso contra a Bósnia e Herzegovina, mas a Fifa suspendeu a suspensão automática após um telefonema do presidente Donald Trump a Gianni Infantino. A entidade invocou o artigo 27 do código disciplinar para converter o gancho em pena condicional, decisão que a própria Uefa classificou como “cruzar uma linha vermelha”. A federação belga protestou formalmente, sem sucesso, e o técnico Rudi Garcia admitiu que o episódio serviu de motivação extra. “Sempre há justiça em algum lugar”, resumiu o meio-campista Nicolas Raskin.
A resposta belga veio em forma de futebol e de ironia. Após o quarto gol, os jogadores imitaram a dança característica de Trump, gesto repetido no vestiário e transformado em provocação oficial: a conta da seleção publicou uma foto da comemoração com a legenda “Overturn this” (“Anula isto”). A mídia europeia leu o recado como uma vingança simbólica; veículos espanhóis estamparam que “nem Trump pôde evitar” a eliminação. Nos Estados Unidos, a derrota expôs divisões: enquanto torcedores lamentavam a atuação apática, vozes críticas ao presidente celebraram o fracasso da “interferência política”. Comentaristas da Fox Sports, como Alexi Lalas e Thierry Henry, travaram um debate tenso sobre a legalidade e a moralidade da virada disciplinar.
A crise extravasou o gramado. Cinquenta eurodeputados pediram uma investigação do Comitê de Ética da Fifa sobre a conduta de Infantino, citando também a entrega do “Prêmio Fifa da Paz” a Trump meses antes. Na Ásia, internautas ironizaram a eliminação americana com memes e críticas ao uso do termo “soccer”. O primeiro-ministro belga, Bart De Wever, prometeu não provocar Trump durante a cúpula da Otan, mas reconheceu que o resultado dominou as conversas com colegas. Mauricio Pochettino, técnico dos EUA, disse-se “decepcionado com quem colocou política e manipulação acima da ética”, mas isentou o episódio da responsabilidade pela goleada.
Com a queda dos três anfitriões — Canadá, México e agora os EUA — todos eliminados nas oitavas, a Bélgica avança para enfrentar a Espanha em Los Angeles. O duelo, marcado para sexta-feira, coloca frente a frente uma seleção que transformou indignação em combustível e uma das favoritas ao título, em um torneio cuja integridade segue sob os holofotes do mundo.
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Os torcedores belgas e os críticos de Trump se alegram: a vitória também é uma lição política.
O bloco liga diretamente o resultado esportivo à interferência política de Trump, usando a dança como símbolo de desafio e transformando a partida em uma vingança política.
Omite a perspectiva dos jogadores americanos e o fato de que a comemoração poderia ser considerada antidesportiva; também ignora que a decisão do cartão vermelho foi tomada pela FIFA, não diretamente por Trump.
O futebol recupera sua pureza contra a interferência política.
O bloco enquadra a vitória como uma reabilitação do esporte, implicando que as ações de Trump contaminaram o jogo, e apresenta o resultado como uma restauração da ordem moral.
Omite o aspecto de zombaria direta na comemoração belga; a dança é interpretada como um gesto de reabilitação em vez de escárnio.
Os observadores registram um episódio curioso sem tomar partido.
O bloco relata o evento como um fato, usando linguagem neutra e evitando interpretação política, o que faz a comemoração parecer uma brincadeira inofensiva.
Omite o forte contexto político e a raiva dos apoiadores de Trump; o episódio é apresentado como um momento leve sem reconhecer a controvérsia mais profunda.
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