
Ataque com drones ao Bahrein eleva tensão no Golfo e põe em xeque trégua entre Irã e EUA
Ofensiva iraniana contra navio mercante no Estreito de Ormuz desencadeou retaliação americana e ataque a território bareinita, enquanto países árabes condenam Teerã e defendem direito de autodefesa.
O Bahrein anunciou, na madrugada de sábado (27 de junho), que o seu território foi alvo de “vários drones iranianos”, num ataque que classificou como violação flagrante da sua soberania e das convenções internacionais que proíbem atingir infraestruturas civis. A denúncia de Manama surgiu horas depois de os Estados Unidos terem bombardeado posições de mísseis, drones e radares ao longo da costa iraniana, em retaliação pelo ataque com drones da Guarda Revolucionária a um navio mercante de bandeira de Singapura no Estreito de Ormuz. O Irão, por sua vez, afirmou ter respondido aos ataques americanos atingindo “posições associadas às forças dos EUA na região”, num ciclo de ação e reação que coloca o frágil memorando de cessar-fogo assinado em 17 de junho sob pressão máxima.
A condenação ao ataque ao Bahrein foi imediata e alargada. O Conselho de Cooperação do Golfo, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Egito, a Jordânia, o Kuwait e o Qatar emitiram comunicados em que classificam a ofensiva como ameaça à segurança regional e violação do direito internacional. O Bahrein, que acolhe a Quinta Frota da Marinha dos EUA, reservou o seu “direito pleno e legítimo” de autodefesa e pediu ao Conselho de Segurança da ONU que responsabilize o autor do ataque. Na perspetiva de Manama e dos seus aliados, a continuidade das ações iranianas, em paralelo com os esforços diplomáticos para reduzir a tensão, atribui a Teerão a responsabilidade por enfraquecer o processo de paz e desestabilizar a região. O Irão, em contrapartida, acusou Washington de ter violado o memorando de entendimento e a Carta das Nações Unidas, e ameaçou, por meio do conselheiro militar Mohsen Rezai, com uma resposta “rápida e esmagadora” a qualquer nova violação.
A escalada expõe a fragilidade do acordo alcançado em meados de junho, que previa a cessação permanente das operações militares e o respeito pela soberania dos Estados da região. O vice-presidente americano, J.D. Vance, afirmou que os EUA honraram o cessar-fogo e que, se Teerão tiver divergências sobre a aplicação do memorando, “pode pegar no telefone”, mas advertiu que “a violência será respondida com violência”. O presidente Donald Trump qualificou o ataque ao navio como uma “violação estúpida” da trégua. Apesar da troca de golpes, fontes americanas indicaram que os grupos de trabalho técnicos dos dois lados continuam a discutir os temas centrais e que uma nova ronda de negociações está prevista para a semana seguinte na Suíça, sinal de que o canal diplomático, embora sob tensão extrema, não foi formalmente encerrado.
O Estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito do mundo antes do início da guerra, permanece no centro do contencioso. O Irão insiste no seu direito de gerir a passagem de navios e exige que as embarcações sigam rotas por si determinadas, enquanto os EUA e o Conselho de Cooperação do Golfo reivindicam uma navegação “livre, incondicional e sem restrições”. Para economias lusófonas como o Brasil e Portugal, importadores de petróleo e gás cujos mercados são sensíveis a choques de oferta, a instabilidade na via marítima é observada com preocupação, ainda que sem envolvimento direto. O dossiê entra agora numa fase em que a credibilidade do memorando dependerá da capacidade de conter novas ações militares e de retomar as conversações técnicas, enquanto o Bahrein e os seus parceiros regionais procuram garantir que a dissuasão coletiva não seja posta em causa por ataques unilaterais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A imprensa iraniana relata o ataque dos EUA a locais militares iranianos como resposta a um suposto ataque de drones iranianos a um navio comercial. No entanto, a narrativa enfatiza que a ação dos EUA é uma agressão injustificada e uma violação do cessar-fogo, enquanto minimiza o ataque iraniano inicial. O Irã é apresentado como vítima da agressão americana.
A mídia atlântica em língua persa relata que o Irã cancelou as conversas técnicas devido aos recentes confrontos e que os cartazes de Khamenei foram removidos no Líbano. A narrativa apresenta o Irã como isolado e sob pressão, tanto externa quanto internamente. A ação dos EUA é apresentada como uma resposta medida às violações iranianas.
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