
Apple reacende receios inflacionistas e derruba bolsas globais; petróleo recua
Aumentos de preços da gigante tecnológica e adiamento da estreia em bolsa da OpenAI ampliam nervosismo sobre retorno dos investimentos em IA, enquanto o alívio na oferta pressiona o crude.
O anúncio de aumentos de preços pela Apple para os seus computadores e tablets, justificado pela subida dos custos dos chips de memória e armazenamento, desencadeou uma vaga de vendas nos mercados acionistas globais esta sexta-feira. As ações da empresa caíram 6% na véspera, eliminando cerca de 250 mil milhões de dólares em valor de mercado, e contaminaram o setor tecnológico, já sob escrutínio quanto ao retorno dos investimentos massivos em inteligência artificial. A notícia de que a OpenAI poderá adiar a sua oferta pública inicial para 2027 acentuou o pessimismo, toldando o entusiasmo gerado pelos resultados recorde da fabricante de chips Micron.
A correção foi particularmente severa na Ásia, onde o índice Kospi da Coreia do Sul chegou a cair 9% e acionou mecanismos de suspensão de negociações, enquanto o Nikkei japonês recuou mais de 3%. Na Europa, o setor tecnológico liderou as perdas, com o índice Euro Stoxx a ceder quase 1%. Observadores em Wall Street notam que, para além das preocupações inflacionistas, os fluxos de rebalanceamento de final de mês e de trimestre amplificaram a volatilidade num segmento que registou fortes ganhos ao longo do segundo trimestre. “A Apple diz-nos onde está a inflação”, resumiu um analista citado pela imprensa internacional, ecoando o receio de que a procura por componentes avançados esteja a abrir uma nova via de pressão sobre os preços.
O mercado petrolífero também cedeu terreno, com o Brent a recuar para a casa dos 74 dólares por barril, aproximando-se de mínimos de quatro meses. Apesar de um ataque a um navio perto de Omã ter provocado uma breve recuperação, o aumento da oferta — com mais petroleiros a deixar o Estreito de Ormuz sob escolta militar e a retoma dos carregamentos da Saudi Aramco no terminal de Ras Tanura — aliviou os receios de disrupção. Para os países lusófonos exportadores, como Angola e o Brasil, a trajetória descendente do crude representa um fator de contenção das receitas externas, ainda que possa aliviar pressões inflacionistas internas.
No mercado cambial, o iene permaneceu perto de mínimos de 40 anos face ao dólar, acima das 161 unidades, mantendo as autoridades japonesas em alerta. Dados divulgados nos Estados Unidos mostraram que o índice de preços PCE, a medida de inflação preferida da Reserva Federal, subiu 0,4% em maio, ligeiramente abaixo do esperado, o que levou os operadores a reduzir as apostas numa subida das taxas de juro em setembro. A economia norte-americana cresceu 2,1% no primeiro trimestre, mas o consumo privado quase estagnou, lançando dúvidas sobre a dinâmica do segundo trimestre. Os investidores aguardam agora a próxima reunião da Fed para avaliar a trajetória das taxas de juro, enquanto monitorizam a evolução das negociações de paz entre Washington e Teerão, que poderão ditar o rumo do mercado petrolífero.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os mercados globais caíram após os aumentos de preços da Apple alimentarem o nervosismo tecnológico. O petróleo deslizou para mínimas de quatro meses, apesar das tensões no Estreito de Ormuz. A retomada dos carregamentos pela Saudi Aramco aliviou os receios de abastecimento.
As ações asiáticas caíram, lideradas pelo setor de tecnologia após os aumentos de preços da Apple. O petróleo manteve-se estável após um breve pico devido a um ataque a um navio perto do Estreito de Ormuz. A liquidação sinaliza cautela sobre as avaliações de tecnologia e os retornos dos investimentos em IA.
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