
Alemanha posiciona navios no Mar Vermelho para eventual missão em Ormuz
Berlim desloca dois navios para o Mar Vermelho enquanto Teerão insiste que a reabertura do estreito é responsabilidade exclusiva iraniana, dispensando intervenções externas.
A Alemanha confirmou esta quinta-feira o envio de dois navios de guerra para o Mar Vermelho, num movimento que prepara uma possível participação europeia na desminagem do Estreito de Ormuz. O caça-minas Fulda e o navio de apoio Mosel já atravessam o Canal de Suez, informou o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, à chegada a uma reunião da NATO em Bruxelas. A operação insere-se formalmente na missão europeia Aspides, o que dispensa um mandato parlamentar específico para o trânsito, mas qualquer intervenção direta de remoção de minas carecerá de autorização do Bundestag — e, sublinhou Pistorius, do consentimento prévio do Irão e de Omã.
O movimento ocorre horas depois de Washington e Teerão terem assinado um acordo para pôr fim a um conflito que perturbou gravemente o tráfego marítimo e o abastecimento energético global. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmara que aliados europeus se comprometeram a ajudar a garantir a segurança da passagem, sem especificar quais. A presença alemã no teatro de operações é, até agora, a manifestação mais concreta desse compromisso. O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, tornou-se o epicentro de tensões após a colocação de minas navais durante as hostilidades, e a sua desobstrução é considerada urgente por armadores e seguradoras internacionais.
A resposta de Teerão foi imediata e inequívoca. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, declarou à Al Jazeera que a reabertura do estreito «cabe exclusivamente ao Irão», nos termos do entendimento alcançado, e que «qualquer intervenção externa apenas complicará a situação». A posição iraniana sublinha a soberania sobre as suas águas territoriais e o controlo do processo de desminagem, ao mesmo tempo que testa os limites da cooperação internacional prometida pelos Estados Unidos. Observadores em Teerão interpretam a declaração como um aviso direto a Berlim e a outros potenciais contribuintes da NATO, deixando claro que a presença de navios estrangeiros não será bem-vinda sem um convite explícito.
Na perspetiva de Brasília e de Lisboa, o desenrolar da missão é seguido com atenção, dada a dependência das rotas atlânticas do petróleo do Médio Oriente. Uma desminagem rápida e coordenada poderia estabilizar os preços dos combustíveis e aliviar pressões inflacionistas que afetam tanto o consumidor brasileiro como o português. Contudo, analistas em Lisboa advertem que uma operação militar europeia no Golfo, mesmo que de carácter humanitário, arrisca reacender tensões caso Teerão a percecione como uma violação da sua soberania ou um pretexto para uma presença naval prolongada.
O impasse diplomático é evidente: a Alemanha quer mostrar prontidão e solidariedade transatlântica, mas condiciona qualquer ação à aprovação iraniana e ao progresso das conversações entre Teerão e Washington. A dinâmica coloca a União Europeia numa posição delicada — entre a pressão para garantir a liberdade de navegação numa via vital para o comércio global e o respeito pela letra de um acordo que atribui ao Irão a primazia na limpeza do estreito. Os próximos passos dependerão tanto da evolução das negociações como da capacidade de Omã, tradicional mediador na região, para facilitar um entendimento que evite uma escalada indesejada.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Teerã alerta que qualquer interferência militar externa no Estreito de Ormuz é desnecessária e só complicará a situação, reiterando que a reabertura da via marítima é de responsabilidade exclusiva do Irã, conforme o acordo.
Após o acordo de paz entre Washington e Teerã, a Alemanha está deslocando dois navios para o Mar Vermelho a fim de se preparar para uma possível missão de remoção de minas no Estreito de Ormuz, com Berlim enfatizando que qualquer operação depende da aprovação do Irã e de Omã.
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