
Alemanha formaliza acusação de crimes de guerra contra ucraniano pela sabotagem dos gasodutos Nord Stream
A Procuradoria-Geral alemã imputou a Serhii Kuznetsov a liderança do ataque com explosivos que destruiu três dos quatro gasodutos no Báltico em 2022, num processo que expõe tensões entre aliados.
A Procuradoria-Geral da Alemanha apresentou as primeiras acusações formais no caso da sabotagem dos gasodutos Nord Stream 1 e 2, imputando ao cidadão ucraniano Serhii Kuznetsov crimes de guerra, provocação de explosão e destruição de infraestruturas civis. O procurador-geral Jens Rommel sustenta que o arguido, atualmente em prisão preventiva em Hamburgo, coordenou a operação a partir do veleiro Andromeda, utilizado para colocar cargas explosivas nas condutas a 80 metros de profundidade, perto da ilha dinamarquesa de Bornholm. A acusação baseia-se em provas que a imprensa alemã classifica como “esmagadoras”, incluindo escutas telefónicas em que o próprio suspeito terá discutido o ataque enquanto aguardava a extradição a partir de Itália, onde foi detido em agosto de 2025.
A posição das autoridades alemãs contrasta com a reação de outros atores regionais. A defesa de Kuznetsov nega qualquer envolvimento e afirma confiar numa absolvição. Varsóvia, que recusou extraditar um segundo suspeito — o instrutor de mergulho Volodymyr Zhuravlev —, argumentou que, se a autoria ucraniana se confirmar, o ato poderia ser enquadrado como legítima defesa contra uma “guerra genocida”. Moscovo, por seu lado, qualificou a destruição dos gasodutos como ato de terrorismo internacional e manifestou disponibilidade para um diálogo substantivo com Berlim sobre a investigação. A empresa Nord Stream 2 AG, operadora do gasoduto nunca ativado, interpôs entretanto um recurso no Tribunal de Justiça da União Europeia contra a decisão comunitária de abandonar o gás russo.
O processo judicial, cujo início está previsto para o outono no Tribunal Regional Superior de Hamburgo, projeta implicações diplomáticas sensíveis. A Alemanha é o principal fornecedor europeu de ajuda militar à Ucrânia, e a acusação formal de crimes de guerra a um cidadão ucraniano introduz uma fricção inédita na relação bilateral. Analistas em Berlim sublinham que a Procuradoria-Geral trata o caso como um ataque à infraestrutura energética civil, juridicamente equiparável a um crime de guerra segundo o direito internacional humanitário, independentemente da nacionalidade dos autores. A investigação alemã identificou sete suspeitos, na sua maioria ucranianos, e sustenta que a operação foi executada por uma equipa que incluía mergulhadores de elite e um especialista em explosivos.
O ataque de 26 de setembro de 2022 destruiu três das quatro condutas submarinas que ligavam a Rússia à Alemanha, num momento em que o Nord Stream 1 já tinha o fornecimento suspenso e o Nord Stream 2 nunca chegara a entrar em funcionamento devido ao bloqueio político de Berlim após a invasão russa da Ucrânia. As explosões libertaram quantidades recorde de metano e desencadearam uma crise diplomática com acusações cruzadas. A Suécia e a Dinamarca encerraram os seus inquéritos em 2024 por falta de jurisdição, deixando a Alemanha como único país a prosseguir a via penal. A próxima etapa processual será a decisão do tribunal de Hamburgo sobre a admissão da acusação, enquanto permanece por esclarecer quem ordenou e financiou a operação.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Alemanha apresentou as primeiras acusações no caso de sabotagem do Nord Stream, mas trata-se de uma manobra política para culpar a Rússia sem provas. Moscou rejeita as acusações como infundadas e as considera uma tentativa de desviar a atenção dos verdadeiros responsáveis. O caso é visto como um ataque à soberania russa e uma tentativa de isolar ainda mais o país.
A Alemanha deu os primeiros passos judiciais no caso Nord Stream, sinalizando vontade de esclarecer os fatos. As investigações prosseguem de forma técnica, sem atribuições apressadas. O foco está no processo legal e na necessidade de evitar especulações políticas.
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