
México anuncia ações penais nos EUA após morte de imigrante por agente do ICE em Houston
O governo mexicano decidiu ultrapassar a via diplomática e apresentar queixas-crime nos Estados Unidos, na sequência da morte a tiro de Lorenzo Salgado Araujo durante uma operação de imigração no Texas.
Um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) disparou e matou Lorenzo Salgado Araujo, cidadão mexicano de 52 anos, na manhã de 7 de julho, no bairro de Magnolia Park, em Houston. Salgado Araujo conduzia uma carrinha com três companheiros de trabalho quando foi interceptado por veículos sem identificação, num operativo que visava a sua detenção por permanência irregular no país. A família, que o descreve como um trabalhador da construção civil sem antecedentes criminais e residente nos EUA há 35 anos, afirma que a vítima estava perto de obter autorização legal de permanência.
O Departamento de Segurança Interna norte-americano sustenta que o mexicano ignorou ordens verbais e tentou atropelar um agente, que disparou em legítima defesa. A família contesta esta versão e, apoiada por organizações como a Liga de Cidadãos Latino-Americanos Unidos (LULAC), exige a divulgação das imagens das câmaras corporais e uma investigação independente. O procurador distrital do condado de Harris, Sean Teare, acusou as autoridades federais de bloquearem o acesso local à investigação, enquanto legisladores democratas deram 48 horas ao ICE para confirmar a preservação de todas as provas.
Na perspetiva da Cidade do México, a morte de Salgado Araujo elevou para 17 o número de mexicanos falecidos sob custódia ou em operações do ICE desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca. A presidente Claudia Sheinbaum anunciou que o seu governo irá “além da esfera diplomática”, solicitando o apoio da Procuradoria-Geral da República para apresentar denúncias penais junto das procuradorias estaduais e do Departamento de Justiça dos EUA. O executivo mexicano prepara ainda ações civis contra as empresas privadas que gerem centros de detenção, bem como novos apelos à Comissão Interamericana de Direitos Humanos e ao Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.
Observadores em Washington notam que o caso reacende o debate sobre a credibilidade das versões oficiais do ICE, depois de, em janeiro, vídeos terem contradito a tese de legítima defesa nas mortes de Renee Good e Alex Pretti, em Minneapolis. Até ao momento, não foram divulgadas imagens do tiroteio de Houston, e o FBI limita a sua investigação à “potencial agressão a um agente federal”. O corpo de Salgado Araujo permanece por entregar à família, enquanto os três detidos que o acompanhavam estarão a ser pressionados a aceitar a auto-deportação, segundo a LULAC.
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.70 | critical |
O agente do ICE agiu em legítima defesa depois que o homem armou seu veículo e tentou atropelá-lo.
Ao citar repetidamente a declaração oficial do ICE e usar termos como 'imigrante ilegal' e 'veículo armado', a narrativa enquadra a vítima como uma ameaça e o tiroteio como justificado.
Falta o relato da família da vítima de que ele estava procurando trabalho, bem como qualquer questionamento da falta de evidências em alguns relatos.
A vítima era um migrante mexicano que estava apenas procurando trabalho quando foi morto por um agente do ICE que usou força excessiva.
Ao colocar em destaque o relato do filho e usar termos como 'migrante' e 'operação de detenção', a narrativa humaniza a vítima e lança dúvidas sobre a justificativa oficial.
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