
Ataque russo a Kiev ocorre horas após visita de Von der Leyen e acordo de drones
Ofensiva com mísseis balísticos atinge a capital ucraniana enquanto UE e Kiev firmam parceria industrial e estendem proteção a refugiados; combates no mar Negro afetam exportações de cereais.
A capital ucraniana foi atingida na madrugada desta quinta-feira por uma série de explosões após um alerta de mísseis balísticos, horas depois de a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ter visitado Kiev para assinar um acordo de produção conjunta de drones. O presidente da Câmara de Kiev, Vitali Klitschko, reportou danos num armazém e a queda de destroços em edifícios não residenciais, enquanto a cidade de Kharkiv foi alvo de drones de ataque. Em paralelo, o ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, apresentou a demissão, num momento de remodelação governamental.
Moscovo afirmou, através do Ministério da Defesa, que os ataques visaram centros logísticos e armazéns de drones de longo alcance, além de navios de abastecimento militar nos portos de Odessa e Yuzhny. Kiev, por sua vez, intensificou os ataques com drones a embarcações russas no mar Negro e no mar de Azov — o comandante das forças não tripuladas, Robert Brovdi, contabilizou 20 navios atingidos na quarta-feira, incluindo petroleiros e um rebocador. A União Europeia, na perspetiva de Bruxelas, procura combinar a inovação ucraniana testada em combate com a capacidade industrial europeia, tendo von der Leyen anunciado que 6 mil milhões de euros de um empréstimo de 90 mil milhões já estão a ser canalizados para a produção de drones.
A escalada de ataques a infraestruturas portuárias está a reduzir a capacidade de exportação de cereais da Ucrânia. A principal associação agrícola do país estima que cerca de um terço da capacidade do mar Negro foi perdida, com as exportações mensais a caírem de seis para quatro milhões de toneladas. Para países africanos lusófonos dependentes de importações, como Moçambique e Angola, a perturbação das rotas de cereais do mar Negro representa um fator adicional de pressão sobre os preços alimentares, notam analistas em Lisboa. A Ucrânia enfrenta ainda uma escassez de mísseis PAC-3 para os sistemas Patriot, essenciais para intercetar projéteis balísticos, e o Presidente Volodymyr Zelensky afirmou que a produção nacional desses mísseis, com licenças americanas, poderá arrancar até ao final de 2026.
O mês de junho de 2026 foi o mais letal para civis na Ucrânia desde abril de 2022, segundo as Nações Unidas, e os ataques de quarta-feira causaram pelo menos 13 mortos e 50 feridos em várias regiões. No plano diplomático, os Estados-membros da UE acordaram prolongar a proteção temporária a cerca de 4,4 milhões de refugiados ucranianos até março de 2028, excluindo, porém, os homens recém-chegados em idade de serviço militar, uma medida solicitada por Kiev para apoiar o recrutamento. O dossiê da defesa aérea continua dependente do ritmo de produção de mísseis Patriot, enquanto a cooperação industrial com a Europa avança, mas sem alterar, por ora, a dinâmica de desgaste no terreno.
| Imprensa europeia continental | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.50 | critical |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | 0.00 | neutral |
A União Europeia condena o ataque como uma retaliação russa após a visita de von der Leyen, reiterando a necessidade de fortalecer a defesa ucraniana.
Ao ligar temporalmente o ataque à visita, cria-se uma conexão causal implícita que legitima o aumento da ajuda militar.
Omite as vítimas civis e o custo humano do ataque, presentes nos relatos latino-americanos.
A comunidade internacional deve tomar conhecimento do massacre de civis na Ucrânia e agir para parar a agressão russa.
Ao citar dados da ONU e o número de vítimas, constrói-se um quadro de sofrimento que exige uma resposta moral e política.
Omite a visita de von der Leyen e a escassez de Patriot, elementos centrais no relato europeu.
A guerra na Ucrânia continua com sua rotina de ataques, sem surpresas.
Ao apresentar o ataque como um evento ordinário e recorrente, normaliza-se o conflito e reduz-se a urgência percebida.
Omite a visita de von der Leyen, a escassez de Patriot e o contexto político europeu.
Amplie o olhar
Autarca de Nova Iorque pondera deter Netanyahu com base em mandado do TPI
11 idiomas · 42 veículos
De Economy & MarketsEUA impõem tarifa de 25% a produtos brasileiros; Brasil aciona lei de reciprocidade
2 idiomas · 14 veículos
De TechnologyÍndia lança primeiro foguete orbital privado e entra para grupo restrito de potências espaciais
6 idiomas · 11 veículos