
AfD reelege cúpula e prepara assalto a governos estaduais em congresso sob protestos
Manifestações violentas, impasse orçamental e ameaça de cortes na troca de informações classificadas marcam o avanço da direita radical alemã às vésperas de eleições decisivas no leste do país.
O congresso federal do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), realizado em Erfurt nos dias 4 e 5 de julho, reconduziu os copresidentes Alice Weidel e Tino Chrupalla e elegeu como vice o estratega Stefan Möller, aliado do líder radical Björn Höcke. A reeleição ocorreu com apoios distintos — 81,3% para Weidel e 71% para Chrupalla —, refletindo, segundo a imprensa alemã, a correlação de forças entre a ala moderada-atlantista e a corrente etnonacionalista. A escolha da data, centenário do congresso do NSDAP em Weimar, foi interpretada por críticos como provocação deliberada, enquanto a direção da AfD nega qualquer simbolismo.
Do lado governamental, o ministro da Defesa, Boris Pistorius (SPD), afirmou que seria “muito preocupante” uma vitória absoluta da AfD nas eleições de setembro na Saxónia-Anhalt e advertiu que o governo federal poderá recusar o acesso de futuros ministros estaduais do partido a informações confidenciais. Em entrevista ao Bild am Sonntag, justificou a medida citando “a proximidade inegável com Putin” e suspeitas de financiamento russo — avaliação que ecoa investigações dos serviços secretos internos, os quais já classificaram os ramos regionais da AfD como “extremismo de direita comprovado”. Bruxelas observa essa evolução com apreensão, enquanto analistas em Lisboa e Brasília sublinham o risco de normalização de discursos eurocéticos e anti-imigração que ecoam retóricas do bolsonarismo e de movimentos como o Chega, em Portugal.
No palco do congresso, a direção da AfD pintou um quadro de “ruína económica” e “falência de facto do Estado”, atacando o recém-apresentado projeto de orçamento do ministro das Finanças, Lars Klingbeil (SPD). O documento, que será votado pelo gabinete nesta segunda-feira, projeta um endividamento líquido de 118,7 mil milhões de euros, com gastos militares de quase 110 mil milhões e um crescimento acelerado dos juros da dívida — de 4 mil milhões em 2021 para 42 mil milhões em 2027 e 80,7 mil milhões em 2030. A oposição liberal do FDP critica a falta de consolidação e pede o corte de subsídios e a extinção de 100 agências federais. A AfD aproveitou essa insatisfação para prometer cortes radicais em ajudas sociais a imigrantes e ucranianos na Alemanha, descrevendo o cenário como “um legado de cacos” deixado pelos partidos tradicionais.
As manifestações contra o congresso mobilizaram cerca de 31 mil pessoas, segundo a polícia, e foram marcadas por episódios de violência contra jornalistas, acusados pela aliança “Widersetzen” de serem “fascistas com crachá de imprensa”. Foram registados 48 crimes, incluindo suspeita de grave perturbação da ordem pública. Apesar do alvoroço, a AfD lidera sondagens na Turíngia (40%), na Saxónia-Anhalt (41%) e no Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental (35%), e a nível nacional ronda os 29%, oito pontos à frente da CDU/CSU. As eleições estaduais de setembro devem testar a resistência da “Brandmauer” — o cordão sanitário mantido pelas restantes forças contra a ultradireita — enquanto o governo prepara-se para travar o acesso do partido a segredos de Estado, caso assuma o poder regional.
| Imprensa europeia continental | −0.80 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.70 | critical |
| Imprensa chinesa | −0.30 | critical |
The AfD tries to whitewash its image but remains a far-right party with neo-Nazi ties and an ethno-nationalist agenda.
The constant juxtaposition of electoral promises with judicial facts (Höcke's conviction) makes the moderate turn implausible.
The AfD's policy proposals that might appeal to voters beyond immigration are omitted, focusing solely on extremism.
The AfD congress falls on the centenary of a Nazi rally, a provocation that shows the continuity of the far-right.
The temporal coincidence is presented as proof of ideological continuity, appealing to historical memory to delegitimize the party.
It omits that the date choice might be coincidental or not officially acknowledged by the AfD.
The German government may withhold classified information from states won by the AfD, reflecting national security concerns.
The news is framed as a necessary security measure, emphasizing ties to Moscow to justify distrust of the party.
It omits that the AfD's popularity also stems from genuine voter discontent with mainstream parties.
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