
Cobertura vacinal global melhora ligeiramente, mas 13,5 milhões de crianças continuam sem qualquer dose
OMS e UNICEF alertam que progresso é frágil: conflitos, cortes na ajuda externa e desinformação mantêm milhões de menores desprotegidos, enquanto o Brasil se destaca na recuperação de coberturas.
O número de crianças que não receberam nenhuma vacina de rotina no primeiro ano de vida caiu para 13,5 milhões em 2025, uma redução de cerca de 750 mil face a 2024, segundo estimativas divulgadas pela Organização Mundial da Saúde e pela UNICEF. Apesar da melhoria, o valor permanece quase quatro milhões acima da meta necessária para se alcançar o objetivo de reduzir a metade as crianças não imunizadas até 2030. Mais de metade destas crianças “dose zero” concentra-se na África subsariana, com a Nigéria a registar o maior contingente global, seguida por República Democrática do Congo, Iémen, Etiópia e Angola — o único país lusófono entre os dez mais afetados.
A cobertura da primeira dose da vacina contra difteria, tétano e tosse convulsa (DTP1) subiu para 90% a nível mundial, e a da terceira dose (DTP3) para 85%, mas ambos os indicadores continuam um ponto percentual abaixo dos níveis pré-pandemia de 2019. O relatório revela um agravamento da taxa de abandono vacinal: 7,3 milhões de lactentes iniciaram o esquema DTP mas não receberam a primeira dose contra o sarampo, contribuindo para que 57 países reportassem surtos de grande dimensão em 2025. A cobertura global da primeira dose do sarampo estagnou nos 84%, longe dos 95% necessários para conter a transmissão. Na perspetiva de Genebra, a diretora de vacinas da OMS, Kate O’Brien, associou parte do abandono à desinformação sobre a vacina do sarampo, enquanto o UNICEF sublinhou que mais de metade das crianças não vacinadas vive em contextos de fragilidade e conflito, como Síria, Iémen, Sudão e Palestina.
O Brasil surge como um dos raros destaques positivos. O país registou o segundo maior aumento mundial na cobertura da DTP1, com uma subida de 19 pontos percentuais, e a terceira maior redução absoluta de crianças “dose zero”, menos 204 mil em relação a 2024. Na região das Américas, a queda foi a mais expressiva, fazendo o país descer da liderança do ranking em 2021 para a nona posição em 2025, com 50 mil crianças sem qualquer imunização. Observadores em Brasília atribuem a recuperação a campanhas de busca ativa e à retoma da confiança nas vacinas, mas alertam que a cobertura da DTP3 ainda se mantém nos 86%, abaixo da meta de 90%. Portugal, integrado na região europeia da OMS, vê a taxa de DTP1 estabilizada nos 94%, embora a região contabilize 566 mil crianças completamente não vacinadas, com Cazaquistão, Turquia, Reino Unido e Azerbaijão a concentrarem metade dos casos.
Os dados de 2025 ainda não refletem plenamente o impacto dos cortes na ajuda externa, nomeadamente dos Estados Unidos, porque a maioria dos programas já tinha financiamento assegurado para o ano. Contudo, a OMS e a Aliança Gavi para as Vacinas advertem que as lacunas de financiamento para o período 2026-2030 colocam em risco os progressos recentes. A Gavi estima que 600 mil vidas que poderiam ser salvas estão em causa. O próximo marco a observar será a mobilização de recursos para o novo ciclo estratégico da Gavi, de cujo desfecho depende a sustentação da imunização em dezenas de países de baixo rendimento, incluindo os africanos de língua oficial portuguesa.
| Imprensa latino-americana | −0.40 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa africana subsaariana | −0.60 | critical |
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
Latin America mobilizes to recover lost vaccinations, with governments and health authorities calling on families to complete the cycles.
The mechanism localizes the global problem into specific national contexts, turning the alarm into a call for immediate and concrete action, reinforcing the credibility of local institutions.
The global report shows that dropout increased worldwide, but Latin American coverage is among the lowest; the frame omits comparison with improving regions like Asia.
Sub-Saharan Africa denounces the failure of the global immunization system, pointing to inequalities and structural barriers that leave children behind.
The mechanism amplifies the scale of the problem through dramatic numbers and crisis language, creating a moral urgency that demands international action.
The frame does not mention progress in some African countries thanks to new vaccines, such as the malaria vaccine, which could mitigate the negative picture.
The Atlantic world tells the story of a mother overcoming obstacles to vaccinate her child, celebrating the progress of the malaria vaccine but warning about adherence difficulties.
The mechanism uses a personal story to humanize the problem, making the challenge of completing the vaccination cycle tangible, without alarmism but with realism.
The frame omits the global 12% dropout rate for DTP, focusing only on the malaria vaccine, which may obscure the broader vaccination crisis.
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