
A vida que não conta: os empregos invisíveis e os sonhos adiados de Teerão a Milão
Das ruas de Teerão às periferias de Buenos Aires, estatísticas oficiais mascaram um mundo de trabalho precário e projetos familiares abandonados.
Um jovem em Teerão transporta dois passageiros na garupa da sua mota, numa manhã de primavera. Para os institutos de estatística, está empregado. Basta uma hora de trabalho semanal para que um iraniano entre na coluna dos que têm ocupação, revela uma análise do Iran International. Assim, um país com apenas 24 milhões de postos de trabalho formais regista uma taxa de desemprego de 7,5%, enquanto 40 milhões de cidadãos em idade ativa — de um total de 66 milhões — são classificados como 'inativos', nem empregados nem à procura de emprego, e simplesmente desaparecem das contas.
A artimanha contabilística não é exclusiva do regime de Teerão. Em Milão, uma outra ilusão estatística esconde o vazio dos desejos não realizados. Investigadores da Universidade Bocconi, num inquérito a 108 mil pessoas em 73 países, descobriram que os jovens italianos de 38 anos gostariam de ter, em média, quase dois filhos — e não têm nenhum. 'Não é verdade que estes rapazes e raparigas sejam contra a família', explica Letizia Mencarini, professora de Demografia na Bocconi. 'Não dão o passo porque não o podem pagar.' A falta de habitação acessível e a precariedade laboral congelam projetos de vida numa geração que, nascida nos anos noventa, é já menos numerosa do que as anteriores, agravando a crise demográfica europeia.
Do outro lado do Atlântico, a fotografia do mercado laboral argentino também mente, se nos fixarmos apenas na taxa de desemprego (7,8% no primeiro trimestre de 2026). Um estudo do Observatorio de la Deuda Social Argentina analisou os microdados de quinze anos e concluiu que o emprego formal privado encolheu de 36,6% para 35% do total, enquanto o setor 'microinformal' — que inclui desde os trabalhadores por conta própria sem registo até aos assalariados sem contribuições — subiu de 46,4% para 48,3%. 'A estrutura social do trabalho transformou-se rapidamente', afirma o investigador Ramiro Robles. 'Cresce o autoemprego, mas em condições mais precárias e com maior risco de perda de rendimentos.' A mobilidade descendente tornou-se mais provável: quem estava desempregado passou a ter menos hipóteses de encontrar um emprego formal e mais possibilidades de cair na informalidade.
Esta realidade, que deita por terra o mito de que a baixa natalidade condena as economias à estagnação — um estudo liderado pelo Nobel Daron Acemoglu mostra que o PIB por trabalhador subiu 26,8% por cada ponto de queda na taxa de natalidade desde 1950, graças à tecnologia —, tem contornos especialmente dramáticos no Grande Buenos Aires. Ali, entre novembro de 2023 e março de 2026, evaporaram-se 85.299 empregos registados, um quarto do total destruído em toda a Argentina. O desemprego na região metropolitana atingiu 9,7%, e o poder de compra dos salários privados caiu 11,41% quando se considera o novo cabaz de consumo, que pesa mais serviços e tarifas. Enquanto os campos petrolíferos de Vaca Muerta batem recordes de produção, as fábricas do Conurbano fecham portas e as lojas de bairro veem o consumo definhar.
Em Portugal, onde a taxa de fecundidade é das mais baixas da Europa, e no Brasil, onde o trabalho informal atinge quase metade da mão de obra, os dilemas ecoam. A fragmentação do emprego e o adiamento da parentalidade surgem como marcas de uma geração global que, apesar de mais qualificada, enfrenta um mundo de promessas incumpridas. Em Teerão, o motociclista da manhã guarda a mota e regressa a casa sem saber que, para os números oficiais, já fez o suficiente. Em Milão, o quarto vazio aguarda um berço que talvez nunca chegue.
| Imprensa europeia continental | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.60 | critical |
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.50 | critical |
Young Europeans see their aspirations denied due to lack of housing and stable jobs, while global initiatives offer hope for the future.
Constructs a global narrative that ties the local problem to a perspective of universal empowerment, using the authority of UNFPA to legitimize optimism.
It does not mention hidden unemployment in Iran or structural labor precarity in Argentina, focusing instead on global data and Italian housing issues.
Economic policies fail to create decent work, hiding precarity behind deceptive official statistics.
Systematically contrasts official macroeconomic data with microeconomic indicators to expose the distortion of labor reality.
It does not address the global context of population aging or the Iranian situation, limiting itself to domestic Argentine critique.
The Iranian regime hides the true scale of unemployment through statistical manipulation, condemning youth to inactivity.
Dismantles official figures by revealing the very low activity rate, attributing the discrepancy to deliberate omission.
It does not consider global youth empowerment initiatives nor analyses on Latin American precarity.
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