
Novo Parlamento sírio elege presidente em primeira sessão; processo indireto gera críticas
Com 210 deputados, a assembleia terá a tarefa de redigir uma nova Constituição e legislar durante a transição de cinco anos, sob questionamentos sobre a legitimidade do processo eleitoral indireto.
O novo Parlamento de transição da Síria reuniu-se neste domingo (12) em Damasco para a sua primeira sessão, a primeira desde a queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024. Na presença do presidente interino Ahmad al-Sharaa, os 210 deputados prestaram juramento constitucional e elegeram Abdul Hamid Akil al-Awak, um jurista e académico de 60 anos, como presidente da assembleia, com 99 votos. Al-Awak, que integrava a lista de 70 membros nomeados diretamente por al-Sharaa no início de julho, terá a responsabilidade de orientar a elaboração de uma nova Constituição e aprovar leis durante um mandato de 30 meses, prorrogável.
No seu discurso de abertura, al-Sharaa descreveu a sessão como a escrita de “uma nova história” para a Síria, apelando ao diálogo e à construção de instituições. O presidente da Comissão Suprema para as Eleições classificou o momento como “histórico”, sublinhando o sangue dos mártires como base da legitimidade renovada. Para o governo de transição, a instalação do Parlamento representa um passo na reconstrução do Estado. Contudo, diplomatas ocidentais e organizações de direitos humanos apontam que o método de escolha dos deputados — dois terços eleitos indiretamente por colégios eleitorais nomeados pelo presidente, e um terço designado diretamente por al-Sharaa — enfraquece a representatividade. Analistas árabes equilibram esse ceticismo, reconhecendo a necessidade de preencher o vácuo institucional, mas notando a fraca presença feminina (pouco mais de 10%) e a ausência de eleições diretas.
A composição da câmara reflete a diversidade étnica e confessional do país, com representantes curdos, cristãos, alauitas e drusos, embora três lugares reservados à província de maioria drusa de Sweida permaneçam vagos devido à violência setorial. A assembleia tem poderes limitados: pode propor e aprovar leis, mas não é obrigada a conceder confiança ao governo. A declaração constitucional de 2025 confere ao presidente a prerrogativa de substituir um terço dos membros e influenciar a composição do Tribunal Constitucional, o que, na perspetiva de analistas russos, alimenta críticas de que o modelo reproduz formas de autoritarismo. O novo presidente do Parlamento, al-Awak, anunciou que a primeira tarefa será formar uma comissão para redigir o regimento interno, a ser votado em 26 de julho, e posteriormente uma comissão para a nova Constituição.
A comunidade internacional acompanha o processo com prudência. O enviado adjunto das Nações Unidas para a Síria saudou a sessão como um marco da transição política, mas instou o governo a intensificar esforços para que as instituições espelhem a diversidade do país. Observadores em Lisboa e Brasília, embora sem posições oficiais até o momento, notam que o sucesso da transição síria interessa à estabilidade do Mediterrâneo e pode influenciar os fluxos migratórios. O Parlamento deverá iniciar os trabalhos legislativos regulares nas próximas semanas, enquanto se aguarda a definição do calendário para a redação constitucional.
| Imprensa do Golfo árabe | +0.80 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
| Imprensa iraniana e afins | −0.30 | critical |
We hail the first session of the transitional parliament as the dawn of a new era. President Sharaa is right: Syria writes a glorious history.
Amplifies the leader's words uncritically, creating an aura of unanimous consensus around the new course.
Omits the parliament's limited powers and transition challenges, such as lack of independence and public trust.
The parliament has met, but its powers are limited. The transition is a still-fragile process to be observed with caution.
Frames the event in institutional terms, balancing the positive fact with reservations about the new body's limits.
Omits both the triumphant rhetoric of the regime and substantive criticisms about lack of independence.
The new assembly must prove its independence and ability to gain public trust. Structural challenges remain enormous.
Adopts an analytical perspective focused on institutional shortcomings, presenting the event as a test for the new system's credibility.
Omits Sharaa's triumphant statements and the Arab press consensus on the transition's success.
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