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A saída de cena: por que atores abandonam o estrelato e outros hesitam em entrar

De Bollywood ao cinema kannada, passando pela Indonésia, artistas revelam os custos pessoais e as pressões que os afastam das telas.

Numa reunião familiar em Mumbai, uma jovem de família iraniana foi notada por um coordenador de modelos. O encontro fortuito rendeu-lhe um anúncio da Fair & Lovely e, pouco depois, um papel ao lado de Om Puri no filme “Bollywood Calling”. Perizaad Zorabian tinha então um MBA por Nova Iorque, formação no Lee Strasberg Theatre Institute e um plano de vida que apontava para os negócios da família — a Zorabian Chicken, uma empresa avícola que mais tarde atingiria 1200 milhões de rupias de faturação. A atriz, que contracenaria com Amitabh Bachchan e Shabana Azmi, descreveria a sua entrada no cinema como “acidental”. Anos mais tarde, o casamento com o empresário Boman Irani e a vontade de se dedicar à maternidade levaram-na a recusar papéis em produções de Subhash Ghai e Nikkhil Advani e a regressar em definitivo à gestão da empresa familiar.

A história de Zorabian ecoa outras saídas mais abruptas. Nos anos 80, quando a popularidade de Kamal Haasan em Bollywood atingia o auge com filmes como “Ek Duuje Ke Liye” e “Sadma”, o ator tomou a decisão de se afastar de Mumbai. Em entrevistas posteriores, Haasan afirmou que se sentia um “parente pobre” do cinema hindi, desconfortável com a lógica industrial que levava os atores a acumular cinco ou seis projetos em simultâneo. Mas o motivo mais profundo era outro: a infiltração do submundo do crime e do dinheiro não declarado na produção cinematográfica. “Havia demasiada ligação ao submundo. Não queria ficar ali — nem para lutar contra eles, nem para baixar a cabeça”, disse. O regresso ao cinema tamil foi, na sua perspetiva, uma forma de preservar a independência artística e a transparência financeira.

Em Bengaluru, a crise é de outra natureza. A indústria kannada enfrenta uma escassez de novas estrelas capazes de mobilizar o público local, cada vez mais recetivo a produções de estados vizinhos. O filme “Mango Pachcha”, estreia de Sanchith Sanjeev, sobrinho da superestrela Kichcha Sudeep, foi elogiado pela crítica, mas teve um desempenho comercial fraco. Na mesma semana, “Peddi”, do telugu Ram Charan, enchia salas na cidade, apesar das críticas mistas e da polémica em torno da objetificação da atriz Jahnvi Kapoor. O realizador Tharun Sudhir compara a desconfiança do público kannada à fábula de Tenali Raman e o gato: depois de anos a receber “leite a escaldar” — conteúdos de fraca qualidade —, o espectador foge mal vê um cartaz. A atriz e política Ramya tem apontado outra falha: a escassez de narrativas protagonizadas por mulheres, substituídas por “heróis machistas” que dominam o ecrã.

A questão do olhar sobre o corpo feminino atravessa também o cinema do sul da Índia. A atriz Tamannaah Bhatia, que construiu carreira em tamil e telugu, descreveu recentemente o desconforto de ser observada de “forma anormal” nos sets de filmagem. “As pessoas fitam-nos de uma maneira que não é natural”, afirmou, atribuindo o comportamento a estruturas patriarcais enraizadas e à socialização limitada entre géneros. Sublinhou, no entanto, que a nova geração de realizadores e técnicos se mostra mais sensível, e que a discussão pública destas experiências representa um avanço.

A milhares de quilómetros dali, em Jacarta, o cantor e ator tailandês Jirayut hesitava perante o convite para protagonizar a comédia de terror indonésia “Cek Khodam”. A pouca experiência em representação gerava insegurança. Foi a mãe quem o demoveu da dúvida, com um pedido simples: “Quero ver o teu rosto no grande ecrã. Normalmente vejo caras de outras pessoas, agora quero ver a tua.” Jirayut aceitou. A frase materna, desprovida de qualquer cálculo de bilheteira, devolve a uma indústria globalizada a escala humana que muitas vezes lhe escapa — a de um filho que sobe ao palco para que a mãe o veja.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa indiana e sul-asiáticaImprensa do Golfo árabe
Imprensa indiana e sul-asiática
PragmatismoIndignaçãoCeticismo

A mídia indiana destaca as diversas razões pelas quais os atores abandonam as telas: do sucesso empresarial de Perizaad Zorabian com seu império avícola à fuga de Kamal Haasan das ameaças do submundo, e as queixas das atrizes sobre olhares sexistas. Os problemas estruturais da indústria, incluindo a escassez de projetos protagonizados por mulheres no cinema kannada, estão sob análise.

Imprensa do Golfo árabe
TriunfoPragmatismo

A imprensa do Golfo celebra a transformação de Perizaad Zorabian de uma fama passageira em Bollywood para um negócio avícola de 1,2 bilhão de rúpias, enquadrando sua saída como um movimento inteligente e não planejado rumo ao empreendedorismo. A matéria destaca a escala financeira e o legado do negócio familiar.

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A saída de cena: por que atores abandonam o estrelato e outros hesitam em entrar

De Bollywood ao cinema kannada, passando pela Indonésia, artistas revelam os custos pessoais e as pressões que os afastam das telas.

Numa reunião familiar em Mumbai, uma jovem de família iraniana foi notada por um coordenador de modelos. O encontro fortuito rendeu-lhe um anúncio da Fair & Lovely e, pouco depois, um papel ao lado de Om Puri no filme “Bollywood Calling”. Perizaad Zorabian tinha então um MBA por Nova Iorque, formação no Lee Strasberg Theatre Institute e um plano de vida que apontava para os negócios da família — a Zorabian Chicken, uma empresa avícola que mais tarde atingiria 1200 milhões de rupias de faturação. A atriz, que contracenaria com Amitabh Bachchan e Shabana Azmi, descreveria a sua entrada no cinema como “acidental”. Anos mais tarde, o casamento com o empresário Boman Irani e a vontade de se dedicar à maternidade levaram-na a recusar papéis em produções de Subhash Ghai e Nikkhil Advani e a regressar em definitivo à gestão da empresa familiar.

A história de Zorabian ecoa outras saídas mais abruptas. Nos anos 80, quando a popularidade de Kamal Haasan em Bollywood atingia o auge com filmes como “Ek Duuje Ke Liye” e “Sadma”, o ator tomou a decisão de se afastar de Mumbai. Em entrevistas posteriores, Haasan afirmou que se sentia um “parente pobre” do cinema hindi, desconfortável com a lógica industrial que levava os atores a acumular cinco ou seis projetos em simultâneo. Mas o motivo mais profundo era outro: a infiltração do submundo do crime e do dinheiro não declarado na produção cinematográfica. “Havia demasiada ligação ao submundo. Não queria ficar ali — nem para lutar contra eles, nem para baixar a cabeça”, disse. O regresso ao cinema tamil foi, na sua perspetiva, uma forma de preservar a independência artística e a transparência financeira.

Em Bengaluru, a crise é de outra natureza. A indústria kannada enfrenta uma escassez de novas estrelas capazes de mobilizar o público local, cada vez mais recetivo a produções de estados vizinhos. O filme “Mango Pachcha”, estreia de Sanchith Sanjeev, sobrinho da superestrela Kichcha Sudeep, foi elogiado pela crítica, mas teve um desempenho comercial fraco. Na mesma semana, “Peddi”, do telugu Ram Charan, enchia salas na cidade, apesar das críticas mistas e da polémica em torno da objetificação da atriz Jahnvi Kapoor. O realizador Tharun Sudhir compara a desconfiança do público kannada à fábula de Tenali Raman e o gato: depois de anos a receber “leite a escaldar” — conteúdos de fraca qualidade —, o espectador foge mal vê um cartaz. A atriz e política Ramya tem apontado outra falha: a escassez de narrativas protagonizadas por mulheres, substituídas por “heróis machistas” que dominam o ecrã.

A questão do olhar sobre o corpo feminino atravessa também o cinema do sul da Índia. A atriz Tamannaah Bhatia, que construiu carreira em tamil e telugu, descreveu recentemente o desconforto de ser observada de “forma anormal” nos sets de filmagem. “As pessoas fitam-nos de uma maneira que não é natural”, afirmou, atribuindo o comportamento a estruturas patriarcais enraizadas e à socialização limitada entre géneros. Sublinhou, no entanto, que a nova geração de realizadores e técnicos se mostra mais sensível, e que a discussão pública destas experiências representa um avanço.

A milhares de quilómetros dali, em Jacarta, o cantor e ator tailandês Jirayut hesitava perante o convite para protagonizar a comédia de terror indonésia “Cek Khodam”. A pouca experiência em representação gerava insegurança. Foi a mãe quem o demoveu da dúvida, com um pedido simples: “Quero ver o teu rosto no grande ecrã. Normalmente vejo caras de outras pessoas, agora quero ver a tua.” Jirayut aceitou. A frase materna, desprovida de qualquer cálculo de bilheteira, devolve a uma indústria globalizada a escala humana que muitas vezes lhe escapa — a de um filho que sobe ao palco para que a mãe o veja.

Divergência das fontes

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62%Alta

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Como se dividem

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Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa indiana e sul-asiáticaImprensa do Golfo árabe
Imprensa indiana e sul-asiática
PragmatismoIndignaçãoCeticismo

A mídia indiana destaca as diversas razões pelas quais os atores abandonam as telas: do sucesso empresarial de Perizaad Zorabian com seu império avícola à fuga de Kamal Haasan das ameaças do submundo, e as queixas das atrizes sobre olhares sexistas. Os problemas estruturais da indústria, incluindo a escassez de projetos protagonizados por mulheres no cinema kannada, estão sob análise.

Imprensa do Golfo árabe
TriunfoPragmatismo

A imprensa do Golfo celebra a transformação de Perizaad Zorabian de uma fama passageira em Bollywood para um negócio avícola de 1,2 bilhão de rúpias, enquadrando sua saída como um movimento inteligente e não planejado rumo ao empreendedorismo. A matéria destaca a escala financeira e o legado do negócio familiar.

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