Entrar
Edição das 20:00 CETterça-feira, 23 de junho de 2026
307 veículos · 17 idiomas1260 briefing hoje
Última hora
Portugal e Inglaterra buscam afirmação na segunda rodada do MundialTrump entregará troféu na final da Copa do Mundo ao lado de InfantinoCristiano Ronaldo faz história ao marcar em seis Mundiais e isola-se como goleador máximo de PortugalPresidente iraniano chega ao Paquistão para agradecer mediação, mas divergências persistem nas conversações com WashingtonMbappé comanda vitória francesa em jogo interrompido por tempestade e França garante vaga na próxima faseIene atinge mínimos de quatro décadas e Tóquio sinaliza intervenção cambial coordenada com WashingtonRubio inicia giro no Golfo para acalmar receios dos aliados sobre acordo com IrãoONU inicia evacuação de 11 mil marinheiros retidos no Estreito de Ormuz após cessar-fogo provisórioPortugal e Inglaterra buscam afirmação na segunda rodada do MundialTrump entregará troféu na final da Copa do Mundo ao lado de InfantinoCristiano Ronaldo faz história ao marcar em seis Mundiais e isola-se como goleador máximo de PortugalPresidente iraniano chega ao Paquistão para agradecer mediação, mas divergências persistem nas conversações com WashingtonMbappé comanda vitória francesa em jogo interrompido por tempestade e França garante vaga na próxima faseIene atinge mínimos de quatro décadas e Tóquio sinaliza intervenção cambial coordenada com WashingtonRubio inicia giro no Golfo para acalmar receios dos aliados sobre acordo com IrãoONU inicia evacuação de 11 mil marinheiros retidos no Estreito de Ormuz após cessar-fogo provisório
Sociedade & Culturasegunda-feira, 22 de junho de 2026

A frase que ecoou no Mundial: 'jogadores negros não têm concentração', e a recusa em recuar

Rade Bogdanovic, antigo avançado do Atlético de Madrid, atribuiu a expulsão de um defesa belga à cor da pele e, confrontado em direto, reiterou o estereótipo perante o silêncio da televisão pública sérvia.

O relvado do BC Place, em Vancouver, ainda retinha o eco do apito quando o estádio se dissolveu num silêncio incrédulo. Nathan Ngoy, defesa belga de origem congolesa, acabava de ver o cartão vermelho direto aos 67 minutos, depois de um recuo desastrado que ofereceu a bola a Mehdi Taremi e o obrigou a uma falta derradeira. O gesto desajeitado do jogador do Standard de Liège, porém, foi apenas o estopim. A milhares de quilómetros dali, num estúdio da televisão pública sérvia RTS, o comentador Rade Bogdanovic, antigo internacional jugoslavo, agarrou o microfone e disparou: “A este nível, falhar uma bola parada e acabar expulso… eu sempre disse, e não sou racista, mas os jogadores negros não têm a concentração necessária para aguentar mais de 60 a 80 minutos”.

Bogdanovic, de 56 anos, não era um rosto anónimo. Avançado de clubes como o Atlético de Madrid e o Werder Bremen, construíra uma carreira sólida nos relvados europeus antes de se tornar uma voz polémica nos ecrãs. A sua intervenção, durante a transmissão do empate sem golos entre a Bélgica e o Irão, no Grupo G do Mundial de 2026, não foi um lapso isolado. O apresentador do programa, visivelmente desconfortável, convidou-o a rever as palavras. Bogdanovic recusou. “Eu joguei com eles”, insistiu, como se a experiência de balneário lhe conferisse autoridade para sentenciar. “Às vezes tínhamos de vigiar os nossos próprios jogadores para não cometerem erros.” E rematou, sem recuo: “Evidentemente, não generalizo, mas a maioria carece de concentração e depois acontecem situações destas”.

O episódio reacendeu um debate que o futebol europeu conhece bem. Em 2019, o mesmo Bogdanovic já atribuíra a queda de rendimento do Borussia Dortmund à decisão do treinador de alinhar “quatro negros na defesa” no final da Bundesliga. Agora, a repetição do estereótipo em plena transmissão de um Campeonato do Mundo expôs a naturalização de um discurso que associa desempenho atlético a características raciais. Na Sérvia, a RTS manteve-se em silêncio, sem emitir qualquer comunicado. Na Bélgica, a imprensa reagiu com indignação, classificando o comentário como “nojento”, enquanto a federação de futebol do país também não se pronunciou publicamente. O vazio institucional contrastou com a rapidez com que o vídeo da declaração correu as redes sociais, partilhado em francês, inglês, espanhol e português.

A repercussão atravessou continentes. Na América Latina, onde o futebol é território de paixões e de feridas raciais ainda abertas, a condenação foi imediata. Comentadores no Brasil e na Argentina sublinharam a reincidência do ex-jogador e a gravidade de uma televisão pública permitir que tais palavras fossem proferidas sem consequências em direto. Em Portugal, analistas recordaram episódios recentes de insultos racistas nos estádios lusos e a fragilidade dos mecanismos de punição. A ausência de um pedido de desculpas ou de uma retratação por parte de Bogdanovic — que, pelo contrário, reforçou a ideia de que “a maioria” dos atletas negros partilha daquela suposta limitação — transformou o caso num símbolo da resistência de velhos preconceitos no desporto.

No final da noite de domingo, a imagem que persistia não era a do erro de Ngoy, mas a da mão que segurava o microfone sem tremer. A frase ficou suspensa no ar da transmissão, como uma mancha que o silêncio oficial não conseguiu apagar. O relvado de Vancouver, entretanto, já recebia os jogadores para o aquecimento do jogo seguinte, indiferente ao ruído que, dali a pouco, voltaria a ecoar nas bancadas e nos ecrãs de todo o mundo.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 3 idiomas

0%
TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa latino-americanaImprensa europeia continental
Imprensa latino-americana
IndignaçãoAlarme

O ex-jogador provocou indignação com um comentário racista ao vivo durante a transmissão da Copa do Mundo. Ele afirmou que jogadores negros não têm concentração para aguentar mais de 80 minutos, ligando explicitamente a cor da pele ao desempenho. O incidente foi amplamente condenado como inaceitável pela mídia latino-americana.

Imprensa europeia continental
IndignaçãoAlarme

Comentários racistas chocantes na televisão sérvia durante a Copa do Mundo: um ex-atacante, agora comentarista, afirmou que jogadores negros não têm concentração para um jogo inteiro. O comentário gerou duras críticas em toda a Europa, e muitos questionaram a falha da emissora em intervir. O incidente reacendeu o debate sobre racismo nas transmissões esportivas.

Artigos relacionados

Ler mais
Últimas notícias
Portugal e Inglaterra buscam afirmação na segunda rodada do Mundial·Trump entregará troféu na final da Copa do Mundo ao lado de Infantino·Cristiano Ronaldo faz história ao marcar em seis Mundiais e isola-se como goleador máximo de Portugal·Presidente iraniano chega ao Paquistão para agradecer mediação, mas divergências persistem nas conversações com Washington·Mbappé comanda vitória francesa em jogo interrompido por tempestade e França garante vaga na próxima fase·Iene atinge mínimos de quatro décadas e Tóquio sinaliza intervenção cambial coordenada com Washington·Rubio inicia giro no Golfo para acalmar receios dos aliados sobre acordo com Irão·ONU inicia evacuação de 11 mil marinheiros retidos no Estreito de Ormuz após cessar-fogo provisório·Portugal e Inglaterra buscam afirmação na segunda rodada do Mundial·Trump entregará troféu na final da Copa do Mundo ao lado de Infantino·Cristiano Ronaldo faz história ao marcar em seis Mundiais e isola-se como goleador máximo de Portugal·Presidente iraniano chega ao Paquistão para agradecer mediação, mas divergências persistem nas conversações com Washington·Mbappé comanda vitória francesa em jogo interrompido por tempestade e França garante vaga na próxima fase·Iene atinge mínimos de quatro décadas e Tóquio sinaliza intervenção cambial coordenada com Washington·Rubio inicia giro no Golfo para acalmar receios dos aliados sobre acordo com Irão·ONU inicia evacuação de 11 mil marinheiros retidos no Estreito de Ormuz após cessar-fogo provisório·
Atualizado 21:133 idiomas · 4 veículos
AnteriorSociedade & CulturaPróximo
4 veículos|3 idiomas|3 min de leitura
segunda-feira, 22 de junho de 2026

A frase que ecoou no Mundial: 'jogadores negros não têm concentração', e a recusa em recuar

Rade Bogdanovic, antigo avançado do Atlético de Madrid, atribuiu a expulsão de um defesa belga à cor da pele e, confrontado em direto, reiterou o estereótipo perante o silêncio da televisão pública sérvia.

O relvado do BC Place, em Vancouver, ainda retinha o eco do apito quando o estádio se dissolveu num silêncio incrédulo. Nathan Ngoy, defesa belga de origem congolesa, acabava de ver o cartão vermelho direto aos 67 minutos, depois de um recuo desastrado que ofereceu a bola a Mehdi Taremi e o obrigou a uma falta derradeira. O gesto desajeitado do jogador do Standard de Liège, porém, foi apenas o estopim. A milhares de quilómetros dali, num estúdio da televisão pública sérvia RTS, o comentador Rade Bogdanovic, antigo internacional jugoslavo, agarrou o microfone e disparou: “A este nível, falhar uma bola parada e acabar expulso… eu sempre disse, e não sou racista, mas os jogadores negros não têm a concentração necessária para aguentar mais de 60 a 80 minutos”.

Bogdanovic, de 56 anos, não era um rosto anónimo. Avançado de clubes como o Atlético de Madrid e o Werder Bremen, construíra uma carreira sólida nos relvados europeus antes de se tornar uma voz polémica nos ecrãs. A sua intervenção, durante a transmissão do empate sem golos entre a Bélgica e o Irão, no Grupo G do Mundial de 2026, não foi um lapso isolado. O apresentador do programa, visivelmente desconfortável, convidou-o a rever as palavras. Bogdanovic recusou. “Eu joguei com eles”, insistiu, como se a experiência de balneário lhe conferisse autoridade para sentenciar. “Às vezes tínhamos de vigiar os nossos próprios jogadores para não cometerem erros.” E rematou, sem recuo: “Evidentemente, não generalizo, mas a maioria carece de concentração e depois acontecem situações destas”.

O episódio reacendeu um debate que o futebol europeu conhece bem. Em 2019, o mesmo Bogdanovic já atribuíra a queda de rendimento do Borussia Dortmund à decisão do treinador de alinhar “quatro negros na defesa” no final da Bundesliga. Agora, a repetição do estereótipo em plena transmissão de um Campeonato do Mundo expôs a naturalização de um discurso que associa desempenho atlético a características raciais. Na Sérvia, a RTS manteve-se em silêncio, sem emitir qualquer comunicado. Na Bélgica, a imprensa reagiu com indignação, classificando o comentário como “nojento”, enquanto a federação de futebol do país também não se pronunciou publicamente. O vazio institucional contrastou com a rapidez com que o vídeo da declaração correu as redes sociais, partilhado em francês, inglês, espanhol e português.

A repercussão atravessou continentes. Na América Latina, onde o futebol é território de paixões e de feridas raciais ainda abertas, a condenação foi imediata. Comentadores no Brasil e na Argentina sublinharam a reincidência do ex-jogador e a gravidade de uma televisão pública permitir que tais palavras fossem proferidas sem consequências em direto. Em Portugal, analistas recordaram episódios recentes de insultos racistas nos estádios lusos e a fragilidade dos mecanismos de punição. A ausência de um pedido de desculpas ou de uma retratação por parte de Bogdanovic — que, pelo contrário, reforçou a ideia de que “a maioria” dos atletas negros partilha daquela suposta limitação — transformou o caso num símbolo da resistência de velhos preconceitos no desporto.

No final da noite de domingo, a imagem que persistia não era a do erro de Ngoy, mas a da mão que segurava o microfone sem tremer. A frase ficou suspensa no ar da transmissão, como uma mancha que o silêncio oficial não conseguiu apagar. O relvado de Vancouver, entretanto, já recebia os jogadores para o aquecimento do jogo seguinte, indiferente ao ruído que, dali a pouco, voltaria a ecoar nas bancadas e nos ecrãs de todo o mundo.

Divergência das fontes

Sociedade & Cultura · 4 veículos · 3 idiomas

0%Baixa

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

Crítico100%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 3 idiomas

TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa latino-americanaImprensa europeia continental
Imprensa latino-americana
IndignaçãoAlarme

O ex-jogador provocou indignação com um comentário racista ao vivo durante a transmissão da Copa do Mundo. Ele afirmou que jogadores negros não têm concentração para aguentar mais de 80 minutos, ligando explicitamente a cor da pele ao desempenho. O incidente foi amplamente condenado como inaceitável pela mídia latino-americana.

Imprensa europeia continental
IndignaçãoAlarme

Comentários racistas chocantes na televisão sérvia durante a Copa do Mundo: um ex-atacante, agora comentarista, afirmou que jogadores negros não têm concentração para um jogo inteiro. O comentário gerou duras críticas em toda a Europa, e muitos questionaram a falha da emissora em intervir. O incidente reacendeu o debate sobre racismo nas transmissões esportivas.

Esta notícia apareceu em

4 veículos · 3 idiomas

Artigos relacionados

Esporte

Cristiano Ronaldo faz história ao marcar em seis Mundiais e isola-se como goleador máximo de Portugal

10 idiomas · 28 veículos

Esporte

Lazio oficializa Gennaro Gattuso como treinador após eliminação da Itália e crise interna

7 idiomas · 15 veículos

Economia e Mercados

Iene atinge mínimos de quatro décadas e Tóquio sinaliza intervenção cambial coordenada com Washington

4 idiomas · 15 veículos

Ler mais