Entrar
Edição das 06:00 CETquinta-feira, 23 de julho de 2026
311 veículos · 17 idiomas342 briefing hoje
Última hora
Caça cooperativa de baleias e orcas é documentada; interações humanas na água expõem riscosSérie de ataques armados deixa ao menos nove civis mortos na Indonésia, Nigéria e QuéniaMitos sobre peso persistem: obesidade infantil não é saúde, e magreza não afasta hipertensãoInterpol detém 5.811 em megaoperação e acha delegacia falsa da PF; África reforça combate ao tráfico digitalSuárez brilha com dois gols, e Inter Miami vence Chicago Fire na estreia de LewandowskiPassaporte de Singapura mantém liderança global, mas fosso de mobilidade atinge recordeAdolescente retira ação contra Meta às vésperas de julgamento sobre dependência digitalPequenos incidentes, grandes consequências: a vaga de litígios e ruturas pessoais nos EUACaça cooperativa de baleias e orcas é documentada; interações humanas na água expõem riscosSérie de ataques armados deixa ao menos nove civis mortos na Indonésia, Nigéria e QuéniaMitos sobre peso persistem: obesidade infantil não é saúde, e magreza não afasta hipertensãoInterpol detém 5.811 em megaoperação e acha delegacia falsa da PF; África reforça combate ao tráfico digitalSuárez brilha com dois gols, e Inter Miami vence Chicago Fire na estreia de LewandowskiPassaporte de Singapura mantém liderança global, mas fosso de mobilidade atinge recordeAdolescente retira ação contra Meta às vésperas de julgamento sobre dependência digitalPequenos incidentes, grandes consequências: a vaga de litígios e ruturas pessoais nos EUA
Sociedade & Culturaquarta-feira, 22 de julho de 2026

Utøya, 15 anos: a memória de uma menina e o avanço da extrema-direita

Enquanto a Noruega recorda as 77 vítimas do massacre, o ideário do terrorista Anders Breivik encontra terreno fértil em discursos políticos e na radicalização online, alertam analistas.

Jørn Øverby ainda vê a menina a boiar de bruços nas águas frias do Tyrifjorden. Na camisola, o desenho do Mickey Mouse denunciava a pouca idade. “Tinha um buraco do tamanho de um punho nas costas”, recorda. Na tarde de 22 de julho de 2011, Øverby foi um dos primeiros a chegar à ilha de Utøya com o seu barco, enquanto os tiros ainda ecoavam. Resgatou cerca de trinta jovens, mas a imagem daquela menina — e dos corpos abandonados na escuridão, com telemóveis a piscar na floresta — persegue-o todas as noites, quinze anos depois.

O massacre perpetrado por Anders Behring Breivik matou 77 pessoas, a maioria adolescentes que participavam no acampamento de verão da juventude trabalhista norueguesa. Antes de disparar, Breivik fez explodir uma bomba no centro de Oslo. No seu manifesto de 1500 páginas, defendia a “remigração” forçada de muçulmanos e um “raskrig” para salvar a Europa. Hoje, observadores italianos notam que a ideia de deportação em massa, então considerada um delírio extremista, foi normalizada em programas de governos ocidentais. A administração Trump, por exemplo, ofereceu incentivos financeiros para a “remigração voluntária”, ecoando a proposta de Breivik de dar um quilo de ouro a cada família que partisse.

Na Suécia, o partido de extrema-direita Democratas Suecos, que em 2011 era um pária parlamentar, dita hoje políticas migratórias restritivas a partir de um gabinete de coordenação no governo. Em Berlim, a Alternativa para a Alemanha (AfD) aproxima-se dos 30% nas sondagens. A Europol e os serviços de segurança noruegueses (PST) alertam que o extremismo de direita representa um perigo maior agora do que há quinze anos. Nas redes sociais, jovens sem memória direta do atentado encontram em fóruns online uma mistura de violência grotesca, humor e referências de videojogos que, segundo o PST, funciona como “autoestrada para a radicalização”. No Brasil, investigadores do Observatório da Extrema Direita apontam a ressonância desse discurso em comunidades digitais lusófonas, onde o culto a Breivik é detetado em fóruns fechados.

A Noruega tenta conter a ameaça sem abdicar dos seus princípios. Breivik cumpre pena num complexo prisional com cozinha equipada, sala de jogos e três periquitos, uma tentativa de mitigar os efeitos do isolamento total. A opinião pública debate-se entre a repulsa e a defesa do Estado de direito. Em Oslo, foi inaugurado um novo memorial — uma estrutura de aço azul que sustenta um mosaico de uma ave pernalta, composto por mais de 300 mil pedras talhadas por sobreviventes. A mãe da vítima mais nova, de 14 anos, abandonou a pré-inauguração ao ver exposta a farda policial usada pelo assassino. “A reação foi intensa”, disse. A memória de Utøya permanece um território de dor, mas também um alerta que, para muitos, se tornou incómodo.

Amplie o olhar

Ler mais
Últimas notícias
Caça cooperativa de baleias e orcas é documentada; interações humanas na água expõem riscos·Série de ataques armados deixa ao menos nove civis mortos na Indonésia, Nigéria e Quénia·Mitos sobre peso persistem: obesidade infantil não é saúde, e magreza não afasta hipertensão·Interpol detém 5.811 em megaoperação e acha delegacia falsa da PF; África reforça combate ao tráfico digital·Suárez brilha com dois gols, e Inter Miami vence Chicago Fire na estreia de Lewandowski·Passaporte de Singapura mantém liderança global, mas fosso de mobilidade atinge recorde·Adolescente retira ação contra Meta às vésperas de julgamento sobre dependência digital·Pequenos incidentes, grandes consequências: a vaga de litígios e ruturas pessoais nos EUA·Caça cooperativa de baleias e orcas é documentada; interações humanas na água expõem riscos·Série de ataques armados deixa ao menos nove civis mortos na Indonésia, Nigéria e Quénia·Mitos sobre peso persistem: obesidade infantil não é saúde, e magreza não afasta hipertensão·Interpol detém 5.811 em megaoperação e acha delegacia falsa da PF; África reforça combate ao tráfico digital·Suárez brilha com dois gols, e Inter Miami vence Chicago Fire na estreia de Lewandowski·Passaporte de Singapura mantém liderança global, mas fosso de mobilidade atinge recorde·Adolescente retira ação contra Meta às vésperas de julgamento sobre dependência digital·Pequenos incidentes, grandes consequências: a vaga de litígios e ruturas pessoais nos EUA·
Atualizado 15:264 idiomas · 13 veículos
AnteriorSociedade & CulturaPróximo
13 veículos|4 idiomas|3 min de leitura
quarta-feira, 22 de julho de 2026

Utøya, 15 anos: a memória de uma menina e o avanço da extrema-direita

Enquanto a Noruega recorda as 77 vítimas do massacre, o ideário do terrorista Anders Breivik encontra terreno fértil em discursos políticos e na radicalização online, alertam analistas.

Jørn Øverby ainda vê a menina a boiar de bruços nas águas frias do Tyrifjorden. Na camisola, o desenho do Mickey Mouse denunciava a pouca idade. “Tinha um buraco do tamanho de um punho nas costas”, recorda. Na tarde de 22 de julho de 2011, Øverby foi um dos primeiros a chegar à ilha de Utøya com o seu barco, enquanto os tiros ainda ecoavam. Resgatou cerca de trinta jovens, mas a imagem daquela menina — e dos corpos abandonados na escuridão, com telemóveis a piscar na floresta — persegue-o todas as noites, quinze anos depois.

O massacre perpetrado por Anders Behring Breivik matou 77 pessoas, a maioria adolescentes que participavam no acampamento de verão da juventude trabalhista norueguesa. Antes de disparar, Breivik fez explodir uma bomba no centro de Oslo. No seu manifesto de 1500 páginas, defendia a “remigração” forçada de muçulmanos e um “raskrig” para salvar a Europa. Hoje, observadores italianos notam que a ideia de deportação em massa, então considerada um delírio extremista, foi normalizada em programas de governos ocidentais. A administração Trump, por exemplo, ofereceu incentivos financeiros para a “remigração voluntária”, ecoando a proposta de Breivik de dar um quilo de ouro a cada família que partisse.

Na Suécia, o partido de extrema-direita Democratas Suecos, que em 2011 era um pária parlamentar, dita hoje políticas migratórias restritivas a partir de um gabinete de coordenação no governo. Em Berlim, a Alternativa para a Alemanha (AfD) aproxima-se dos 30% nas sondagens. A Europol e os serviços de segurança noruegueses (PST) alertam que o extremismo de direita representa um perigo maior agora do que há quinze anos. Nas redes sociais, jovens sem memória direta do atentado encontram em fóruns online uma mistura de violência grotesca, humor e referências de videojogos que, segundo o PST, funciona como “autoestrada para a radicalização”. No Brasil, investigadores do Observatório da Extrema Direita apontam a ressonância desse discurso em comunidades digitais lusófonas, onde o culto a Breivik é detetado em fóruns fechados.

A Noruega tenta conter a ameaça sem abdicar dos seus princípios. Breivik cumpre pena num complexo prisional com cozinha equipada, sala de jogos e três periquitos, uma tentativa de mitigar os efeitos do isolamento total. A opinião pública debate-se entre a repulsa e a defesa do Estado de direito. Em Oslo, foi inaugurado um novo memorial — uma estrutura de aço azul que sustenta um mosaico de uma ave pernalta, composto por mais de 300 mil pedras talhadas por sobreviventes. A mãe da vítima mais nova, de 14 anos, abandonou a pré-inauguração ao ver exposta a farda policial usada pelo assassino. “A reação foi intensa”, disse. A memória de Utøya permanece um território de dor, mas também um alerta que, para muitos, se tornou incómodo.

Divergência das fontes

Sociedade & Cultura · 13 veículos · 4 idiomas

0%Baixa

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Esta notícia apareceu em

13 veículos · 4 idiomas

Amplie o olhar

De Geopolitics & Politics

Acordo nuclear EUA-Arábia Saudita permite enriquecimento de urânio sem protocolo adicional da AIEA

11 idiomas · 60 veículos

De Economy & Markets

Gastos com IA consomem caixa do Google e geram primeiro fluxo negativo desde o IPO

6 idiomas · 15 veículos

De Technology

Modelos de IA da OpenAI escapam de ambiente de teste e realizam ciberataque autónomo

7 idiomas · 40 veículos

Ler mais