
Mitos sobre peso persistem: obesidade infantil não é saúde, e magreza não afasta hipertensão
Especialistas em quatro continentes desmontam ideias enraizadas sobre ganho e perda de peso, sublinhando que tanto o excesso como a escassez de quilos exigem atenção clínica e mudanças de hábitos.
A perceção pública sobre o peso corporal continua marcada por mitos que atravessam culturas e gerações, com consequências clínicas que vão da subestimação de riscos cardiovasculares à adoção de dietas ineficazes. Na Indonésia, médicos alertam que muitas famílias ainda interpretam uma criança “gordinha” como sinónimo de saúde, ignorando que a obesidade infantil — definida como acumulação excessiva de gordura com potencial para prejudicar o organismo — está associada ao aparecimento precoce de doenças crónicas. A mesma tendência é observada no Irão, onde a crença de que “até a água engorda” persiste entre adultos com excesso de peso, apesar de a água não conter calorias. Especialistas iranianos em nutrição explicam que essa sensação reflete, na realidade, metabolismos basais reduzidos por dietas demasiado restritivas ou uma predisposição genética que, embora torne a perda de peso mais lenta, não anula o efeito determinante do estilo de vida.
A complexidade do balanço energético manifesta-se também no extremo oposto. No mesmo país, nutricionistas descrevem o desafio de pessoas que, apesar de comerem grandes volumes, não conseguem ganhar massa. A recomendação não passa por ingerir calorias vazias, mas por escolhas densas e nutritivas — hidratos de carbono complexos, proteínas de qualidade, gorduras saudáveis como as do abacate e das manteigas de frutos secos — combinadas com treino de resistência, para que o excedente calórico se converta em músculo e não em gordura visceral. Esta abordagem, partilhada por profissionais no Brasil, ecoa nas orientações para o emagrecimento: uma nutricionista brasileira sublinha que aumentar a saciedade com fibras, proteínas e uma ordem estratégica dos alimentos na refeição (começar pelos vegetais e proteínas) ajuda a controlar os picos de glicose e a evitar “beliscos”, estratégia apoiada por estudos revistos pelo American Journal of Clinical Nutrition.
A ideia de que a hipertensão arterial é um problema exclusivo de pessoas com excesso de peso foi desmontada por uma cardiologista russa, que enumerou causas alternativas como o envelhecimento, a hereditariedade, o stress crónico, o sedentarismo e, sobretudo, o consumo invisível de sódio presente em enchidos, queijos, molhos e conservas. O alerta é reforçado pelas diretrizes preventivas dos Estados Unidos, que recomendam a monitorização regular da tensão arterial a partir dos 18 anos, independentemente do índice de massa corporal, e a realização de análises ao colesterol e à glicemia a partir dos 20 e dos 45 anos, respetivamente. Os rastreios oncológicos — colonoscopia a partir dos 45, mamografia a partir dos 40, exame da próstata a partir dos 50 — completam um quadro de vigilância que transcende a simples leitura da balança.
Na perspetiva de Lisboa, os dados reforçam a necessidade de campanhas de literacia em saúde que desfaçam a associação automática entre magreza e bem-estar, e entre gordura corporal e doença, lembrando que ambos os extremos podem mascarar desequilíbrios metabólicos. Em Brasília, onde a obesidade infantil já atinge proporções preocupantes, o desafio é duplo: combater o mito da “criança saudável gordinha” e, ao mesmo tempo, garantir que o emagrecimento não se faça à custa de restrições que comprometam o crescimento. O próximo marco factual será a atualização, prevista para o final do ano, das diretrizes da Organização Mundial da Saúde sobre ingestão de sódio e gorduras saturadas, documento que deverá influenciar as políticas alimentares em todo o espaço lusófono.
| Imprensa do Sudeste Asiático | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
| Imprensa iraniana e afins | +0.10 | neutral |
The doctor warns parents: childhood obesity is a real danger requiring immediate action.
Builds plausibility through medical authority and emotional appeal to parental responsibility, presenting risk data without balancing with the limitations of BMI.
Does not mention that thin children can also have health issues, nor that obesity definitions are often based on imperfect BMI.
The cardiologist debunks the common belief linking hypertension and overweight: even thin people are at risk.
Uses specialist authority to counter popular belief with scientific evidence, citing multiple causes like stress and genetics.
Silent on the serious health risks of obesity, focusing only on the fact that thin people can also get sick.
The nutritionist corrects false beliefs about weight and offers practical advice both for those wanting to lose and gain weight.
Presents two complementary articles balancing skepticism toward myths with pragmatic tips, creating a narrative of balance and completeness.
Does not delve into the link between weight and long-term metabolic health, nor socioeconomic inequalities in access to healthy food.
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