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Economia e Mercadosquarta-feira, 1 de julho de 2026

Warsh rejeita orientação futura e promete estabilidade de preços nos EUA

Novo presidente do Fed, Kevin Warsh, sinaliza independência e compromisso com meta de 2%, afastando cortes de juros desejados por Trump.

Na sua primeira aparição internacional desde que assumiu a presidência da Reserva Federal, Kevin Warsh rompeu com uma prática central da comunicação do banco central norte-americano ao recusar oferecer qualquer orientação futura sobre a trajetória das taxas de juro. No Fórum do BCE em Sintra, Portugal, afirmou que as decisões serão tomadas apenas quando os membros do comité “fecharem a porta” na reunião de 28 e 29 de julho. Warsh reiterou que a Fed continuará a ser “um banco central independente” e que quem esperar tolerância com uma inflação acima de 2% “ficará desapontado”. A declaração surge dias depois de o Supremo Tribunal dos EUA bloquear a demissão da governadora Lisa Cook, num contexto de pressão pública do presidente Donald Trump por cortes nas taxas.

Os riscos inflacionários diminuíram nas últimas semanas, segundo Warsh, impulsionados pela queda dos preços da energia após o memorando de entendimento entre Washington e Teerão. Ainda assim, a inflação medida pelo índice de preços no consumidor atingiu 4,2% em maio, o valor mais alto desde 2023, e a medida preferida da Fed situou-se em 4,1%. Nos mercados, a probabilidade de uma subida de juros em setembro subiu para cerca de 70%, enquanto o BCE já elevou as taxas e os bancos centrais de Inglaterra e do Canadá mantêm uma postura mais cautelosa. Para economias emergentes como o Brasil, a perspetiva de juros mais altos nos EUA pode pressionar os fluxos de capital e as taxas de câmbio, num momento em que o diferencial de rendimento se estreita.

Internamente, Warsh enfrenta resistências à sua agenda de reformas, que inclui a redução do balanço da Fed, a revisão do quadro de metas de inflação e o abandono da forward guidance. Na reunião de junho, cinco membros do FOMC manifestaram oposição ao viés de flexibilização ainda presente no comunicado. O próprio presidente antecipou uma “boa briga de família” no próximo encontro, sinalizando um debate aceso num comité dividido entre os que preveem até três subidas de juros este ano e os que não antecipam qualquer alteração. Observadores em Lisboa notam que a postura de Warsh contrasta com a do seu antecessor, Jerome Powell, e com as expectativas iniciais de que o novo chair alinharia com a pressão da Casa Branca por taxas mais baixas.

Sobre o impacto da inteligência artificial, Warsh mostrou-se otimista quanto aos ganhos de produtividade para os EUA, mas escusou-se a comentar se a tecnologia terá efeitos inflacionistas, remetendo essa avaliação para o banco central. O próximo marco factual será a reunião do FOMC no final de julho, da qual não se esperam decisões, mas onde o debate interno poderá antecipar o rumo da política monetária para o segundo semestre.

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Warsh's comments soften speculation of a rate hike, boosting gold. The market reacts positively to the promise of price stability.

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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Warsh rejeita orientação futura e promete estabilidade de preços nos EUA

Novo presidente do Fed, Kevin Warsh, sinaliza independência e compromisso com meta de 2%, afastando cortes de juros desejados por Trump.

Na sua primeira aparição internacional desde que assumiu a presidência da Reserva Federal, Kevin Warsh rompeu com uma prática central da comunicação do banco central norte-americano ao recusar oferecer qualquer orientação futura sobre a trajetória das taxas de juro. No Fórum do BCE em Sintra, Portugal, afirmou que as decisões serão tomadas apenas quando os membros do comité “fecharem a porta” na reunião de 28 e 29 de julho. Warsh reiterou que a Fed continuará a ser “um banco central independente” e que quem esperar tolerância com uma inflação acima de 2% “ficará desapontado”. A declaração surge dias depois de o Supremo Tribunal dos EUA bloquear a demissão da governadora Lisa Cook, num contexto de pressão pública do presidente Donald Trump por cortes nas taxas.

Os riscos inflacionários diminuíram nas últimas semanas, segundo Warsh, impulsionados pela queda dos preços da energia após o memorando de entendimento entre Washington e Teerão. Ainda assim, a inflação medida pelo índice de preços no consumidor atingiu 4,2% em maio, o valor mais alto desde 2023, e a medida preferida da Fed situou-se em 4,1%. Nos mercados, a probabilidade de uma subida de juros em setembro subiu para cerca de 70%, enquanto o BCE já elevou as taxas e os bancos centrais de Inglaterra e do Canadá mantêm uma postura mais cautelosa. Para economias emergentes como o Brasil, a perspetiva de juros mais altos nos EUA pode pressionar os fluxos de capital e as taxas de câmbio, num momento em que o diferencial de rendimento se estreita.

Internamente, Warsh enfrenta resistências à sua agenda de reformas, que inclui a redução do balanço da Fed, a revisão do quadro de metas de inflação e o abandono da forward guidance. Na reunião de junho, cinco membros do FOMC manifestaram oposição ao viés de flexibilização ainda presente no comunicado. O próprio presidente antecipou uma “boa briga de família” no próximo encontro, sinalizando um debate aceso num comité dividido entre os que preveem até três subidas de juros este ano e os que não antecipam qualquer alteração. Observadores em Lisboa notam que a postura de Warsh contrasta com a do seu antecessor, Jerome Powell, e com as expectativas iniciais de que o novo chair alinharia com a pressão da Casa Branca por taxas mais baixas.

Sobre o impacto da inteligência artificial, Warsh mostrou-se otimista quanto aos ganhos de produtividade para os EUA, mas escusou-se a comentar se a tecnologia terá efeitos inflacionistas, remetendo essa avaliação para o banco central. O próximo marco factual será a reunião do FOMC no final de julho, da qual não se esperam decisões, mas onde o debate interno poderá antecipar o rumo da política monetária para o segundo semestre.

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