
Venezuela pede a Carlos III libertação de ouro congelado para reconstruir após sismos
Presidente interina solicita acesso a 30 toneladas de ouro no Banco de Inglaterra, enquanto a ONU lança apelo de quase 300 milhões de dólares e o número de mortos sobe para 3.811.
O duplo sismo que atingiu a Venezuela a 24 de junho provocou pelo menos 3.811 mortos, segundo o balanço atualizado pelas autoridades de Caracas na quarta-feira. Os abalos, de magnitude 7,2 e 7,5, deixaram ainda 16.740 feridos e 17.907 desalojados, sobretudo no estado de La Guaira, onde dezenas de edifícios residenciais colapsaram. Equipas internacionais já cessaram as buscas por sobreviventes, mas famílias continuam a escavar os escombros em busca de corpos, relatam testemunhas no terreno.
A presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou ter enviado uma carta ao rei Carlos III do Reino Unido para solicitar a libertação de cerca de 30 toneladas de ouro venezuelano retidas no Banco de Inglaterra no âmbito das sanções. “Este ouro pertence ao nosso povo. Precisamos dele para enfrentar as consequências do terramoto”, afirmou na televisão estatal. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Yvan Gil, já havia pedido numa reunião da ONU o descongelamento de todos os ativos do país no exterior, incluindo fundos no Fundo Monetário Internacional.
O ouro venezuelano em Londres é objeto de um longo litígio judicial. Sob a presidência de Nicolás Maduro, Caracas tentara sem sucesso aceder a essas reservas durante a pandemia de covid-19. Agora, com a captura de Maduro por forças dos EUA em janeiro e a melhoria das relações bilaterais, Washington suspendeu por quatro meses várias sanções económicas para não entravar a ajuda humanitária. A administração Trump apoia abertamente Rodríguez e tem aliviado gradualmente as restrições, nomeadamente para desenvolver o setor petrolífero.
O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) lançou um apelo urgente de 296 milhões de dólares para assistir 1,3 milhões de pessoas durante seis meses. O chefe humanitário da ONU, Tom Fletcher, agradeceu aos doadores que já estão a contribuir. As estimativas da organização apontam para perdas de 6,7 mil milhões de dólares, equivalentes a 6% do PIB venezuelano, num país que já enfrentava uma crise económica prolongada e infraestruturas de saúde debilitadas.
O aeroporto internacional de Caracas continua encerrado a voos comerciais devido aos danos. Nos acampamentos improvisados, as autoridades montaram serviços de apoio psicológico para os sobreviventes. O governo contabiliza 856 edifícios danificados, 190 dos quais desabaram totalmente, e distribuiu 9,6 milhões de quilos de alimentos. O balanço de vítimas permanece provisório, enquanto prosseguem os trabalhos de remoção de destroços e a identificação de corpos.
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| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
A comunidade internacional deve agir; o ouro pertence ao povo venezuelano e deve ser libertado para ajuda humanitária.
Ao justapor o apelo da ONU ao pedido de ouro, o bloco cria um imperativo moral: o ouro é necessário para o socorro, e sua retenção é injusta.
O bloco omite o contexto legal e político das sanções ao ouro, como a disputa sobre a legitimidade do governo interino e as razões das sanções britânicas, o que complicaria a narrativa moral.
A presidente da Venezuela fez um pedido ao rei da Inglaterra; essa é a notícia.
Ao despir a história de todo contexto e emoção, o bloco a apresenta como uma simples nota diplomática, implicando que o pedido é uma questão de rotina.
O bloco omite a crise humanitária, o apelo da ONU e o número de mortos, o que daria ao pedido maior urgência e peso moral.
A Venezuela tem recursos bloqueados no exterior; as sanções devem ser levantadas para permitir a reconstrução.
Ao ligar o pedido de ouro ao debate mais amplo sobre sanções, o bloco enquadra a questão como um obstáculo político à recuperação, implicando que a comunidade internacional é parcialmente responsável pelo sofrimento.
O bloco omite a disputa legal sobre a legitimidade do governo interino e as razões específicas das sanções britânicas, o que complicaria o argumento de que o ouro deveria ser liberado incondicionalmente.
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