
UE proíbe destruição de roupa invendida e acelera viragem regulatória sobre sustentabilidade
A partir de 19 de julho, as grandes empresas têxteis ficam impedidas de destruir artigos não vendidos, enquanto a indústria automóvel alemã pede flexibilidade e novos regulamentos sobre embalagens pressionam exportadores marroquinos.
A partir deste domingo, 19 de julho de 2026, as grandes empresas do setor têxtil na União Europeia deixam de poder destruir vestuário, calçado e acessórios não vendidos ou devolvidos. A proibição, prevista no Regulamento Europeu de Conceção Ecológica (UE 2024/1781), ataca uma prática que, segundo estimativas citadas por associações de consumidores, leva ao desperdício anual de até 594 mil toneladas de têxteis na Europa — entre 4% e 9% de todos os produtos colocados no mercado —, gerando cerca de 5,6 milhões de toneladas de emissões de CO2. A medida obriga as empresas a destinarem esses bens ao reaproveitamento, doação ou reciclagem, e introduz um dever de transparência sobre os volumes e os motivos do descarte.
A aplicação do regulamento é faseada: as grandes marcas são abrangidas de imediato, as médias empresas terão até 2030 para se adaptar e as pequenas ficam permanentemente isentas. A destruição só será permitida em casos de perigo para a saúde, danos graves, não conformidade ou violação de propriedade intelectual. A decisão surge depois de casos como o da Burberry, que em 2018 admitiu ter destruído 28,6 milhões de libras em mercadoria num só ano, e insere-se num esforço mais amplo de Bruxelas para impor a economia circular. Na perspetiva de observadores em Lisboa, o novo regime pode beneficiar consumidores através da venda de artigos com desconto, ao mesmo tempo que pressiona as cadeias de abastecimento a reverem a gestão de stocks.
Este endurecimento regulatório não se limita ao têxtil. A partir de 12 de agosto, entra em vigor o Regulamento Europeu de Embalagens e Resíduos de Embalagens (UE 2025/40), que impõe a exportadores de países terceiros, como Marrocos, exigências de reciclabilidade e a eliminação de substâncias como os PFAS. Para os exportadores marroquinos de frutas e legumes, que dependem do mercado europeu, a adaptação a embalagens recicláveis e a futura incorporação de plástico reciclado representam custos acrescidos de conformidade, num momento em que já lidam com a Taxa Carbone fronteiriça (MACF) em vigor desde janeiro. Em paralelo, a Comissão Europeia prepara uma simplificação da regulação bancária para reforçar a competitividade das instituições financeiras, iniciativa bem recebida pela banca sueca.
A pressão regulatória contrasta com os apelos da indústria automóvel alemã. A associação VDA defendeu a 8 de julho a necessidade de “ajustes de pessoal”, incentivos fiscais e flexibilização laboral para fazer face à concorrência chinesa. A Volkswagen pondera eliminar até 100 mil postos de trabalho a nível global e encerrar quatro fábricas na Alemanha até 2034, enquanto a Mercedes-Benz admite novos cortes. A tensão entre sustentabilidade, competitividade e emprego marca a agenda europeia, com o próximo marco regulatório a ser a aplicação do regulamento de embalagens em agosto, que testará a capacidade de adaptação das cadeias de abastecimento externas.
| Imprensa europeia continental | +0.60 | aligned |
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| Imprensa latino-americana | −0.10 | neutral |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.40 | critical |
A União Europeia finalmente põe fim ao desperdício têxtil, provando que a sustentabilidade pode ser regulamentada.
O bloco constrói credibilidade citando dados precisos (4-9% dos têxteis destruídos, 5,6 milhões de toneladas de CO2) e apresentando a medida como uma resposta lógica a uma prática escandalosa.
Não menciona as possíveis consequências econômicas para as empresas ou alternativas de descarte mais baratas.
A UE mostra incoerência: por um lado proíbe a destruição de têxteis, por outro relaxa as regras de emissões para a indústria automobilística.
O bloco usa o contraste entre duas políticas para sugerir que a UE não é séria sobre a proteção ambiental, mas sim atenta aos interesses industriais.
Não menciona que a destruição de têxteis é um problema menor em comparação com as emissões industriais, nem que as duas políticas podem ser complementares.
A UE impõe novas barreiras comerciais sob o disfarce de regulamentações verdes, penalizando países em desenvolvimento como Marrocos.
O bloco enfatiza os custos processuais e as dificuldades para os exportadores marroquinos, omitindo os benefícios ambientais de longo prazo.
Não menciona que Marrocos poderia se beneficiar de investimentos em tecnologias verdes nem que as regras também se aplicam aos produtores europeus.
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